Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, enfrenta mais uma vez um problema estrutural que ameaça parte de sua colheita: a falta de capacidade de armazenagem. Somando soja e milho, a produção da safra 2024/25 deve alcançar 104,91 milhões de toneladas, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No entanto, a capacidade estática de armazenagem no estado é de 52,32 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado é um déficit de 52,60 milhões de toneladas, ou seja, Mato Grosso só consegue armazenar 49,87% do que produz.
A colheita da soja foi encerrada nesta safra, com produção confirmada de 50,893 milhões de toneladas, cultivadas em uma área de 12,795 milhões de hectares em Mato Grosso. Já o milho segue em processo de colheita, com estimativa de produção em 54,019 milhões de toneladas, distribuídas em 7,131 milhões de hectares.
Até o dia 25 de julho, 90,37% da área plantada com milho havia sido colhida. O ritmo, porém, está abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (99,28%) e também da média das últimas cinco safras (93,23%).
Enquanto a produção avança, o déficit de armazenagem se agrava. O problema, antigo no estado, tornou-se mais evidente diante do crescimento acelerado da produção agrícola. Segundo dados do Imea, desde a safra 2010/11 a produção de soja e milho tem crescido, em média, 9,89% ao ano, enquanto a capacidade de armazenagem avançou apenas 4,25% ao ano.
Esse descompasso reflete a escassez de investimentos e a ausência de políticas públicas específicas para o setor. Além disso, o alto custo para construção de armazéns continua sendo uma barreira, especialmente para os pequenos produtores, que formam grande parte da base agrícola mato-grossense.
Sem espaço adequado para estocar a produção, salienta o Instituto, muitos agricultores são forçados a vender parte da safra para liberar os armazéns. Isso compromete o poder de barganha dos produtores e reduz as margens de lucro, já que a comercialização ocorre, muitas vezes, fora dos momentos mais favoráveis do mercado.
