20/04/2026

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O Que Esperar da COP30? Bioeconomia Domina a Pauta entre Empresários

AoZaaStudio/Getty Images

Empresários destacam suas expectativas em relação à COP30 e ao desenvolvimento sustentável

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A COP30, conferência climática da ONU que será realizada em 2025 em Belém (PA), já movimenta o setor empresarial brasileiro. Segundo a pesquisa “Panorama ESG 2024”, da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, 71% das 687 empresas participantes afirmam estar em fase de implementação de práticas ESG.

A adesão de empresas brasileiras à agenda ESG ganhou força nos últimos doze meses. É o que mostra a nova edição do “Panorama ESG 2024”, levantamento realizado pela Amcham Brasil com 687 executivos de médias e grandes empresas, responsáveis por 651 mil empregos diretos e um faturamento anual somado de R$ 756 bilhões. O estudo foi lançado na segunda-feira (22), durante o Fórum ESG, em São Paulo, que reuniu cerca de 3 mil líderes empresariais no MASP.

Segundo os dados, 71% das companhias participantes já iniciaram ou avançaram na implementação de práticas ligadas aos pilares ambiental, social e de governança. O percentual representa um crescimento de 24 pontos em relação à pesquisa feita no ano passado. Do total, 45% afirmam estar em fase inicial e 26% em estágio mais consolidado.

“As empresas brasileiras estão cada vez mais convencidas da importância da agenda ESG e engajadas em trilhar esse caminho. Por outro lado, também indica que ainda há muito por fazer. Afinal, uma parcela expressiva é de adotantes iniciais ou ainda estão planejando como aplicar essas medidas”, afirma Abrão Neto, CEO da Amcham.

Segundo o executivo, os números mostram uma mudança importante na forma como o setor privado enxerga a sustentabilidade. Entre os principais fatores que impulsionam a adoção de práticas ESG estão o impacto positivo sobre o meio ambiente e a sociedade (78%), a valorização da reputação (77%) e o fortalecimento da relação com stakeholders (63%). A dimensão social é apontada como prioridade para 72% das empresas, seguida por governança (68%) e questões ambientais (66%).

A dificuldade de mensurar resultados é o maior desafio mencionado por 40% dos entrevistados. Outros entraves incluem a ausência de uma cultura corporativa voltada à sustentabilidade (32%) e a limitação de recursos financeiros ou metodologias adequadas (30%).

A pesquisa também reforça que a liderança da agenda ESG deve partir do alto escalão. Para 77% dos respondentes, cabe aos CEOs liderar esse processo, com apoio do governo (67%). “O envolvimento do topo das empresas é fundamental para que o ESG seja tratado como algo estratégico”, diz Neto.

O estudo aponta ainda o que as empresas esperam do poder público para acelerar a transição. Entre as medidas consideradas prioritárias estão políticas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis (77%) e o estímulo às fontes renováveis, como energia solar, eólica e hidrogênio limpo (66%). Também foram citadas a necessidade de ampliar o acesso a financiamento sustentável (59%), fomentar a economia circular (59%), preservar florestas (58%) e estruturar um mercado regulado de carbono (52%).

“A Amcham tem atuado diretamente na defesa de propostas legislativas voltadas ao desenvolvimento sustentável. Lançamos uma agenda com medidas que vão desde o incentivo ao combustível sustentável de aviação e ao hidrogênio limpo até a criação do mercado de carbono no Brasil”, afirma Abrão Neto.

Para os participantes da pesquisa, a capacitação de lideranças e colaboradores (56%), a incorporação do ESG à estratégia de negócios (48%) e a previsão de orçamentos específicos (47%) são os pontos críticos para que essa agenda ganhe tração e impacto real. Confira no que eles acreditam para o ambiente da COP30 e além:

Bioeconomia e inovação

Para Paulo Ibri, CEO da Typcal, foodtech brasileira especializada em proteínas alternativas por meio da fermentação de micélio de fungos, o evento deve fortalecer o papel da bioeconomia circular como estratégia de mitigação da crise climática. “O reaproveitamento de resíduos reduz emissões e estimula novas cadeias econômicas. É necessário investir em soluções que gerem valor a partir do que já temos disponível, com inovação e tecnologia”, afirma.

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Antonio Carlos de Francisco, CEO da Muush

Transição de modelos produtivos

Antonio Carlos de Francisco, CEO da Muush, startup brasileira de biotecnologia, acredita que a COP30 será um espaço para discutir a revisão de processos produtivos tradicionais. “Precisamos repensar os modelos de produção em diversos setores para garantir um futuro mais equilibrado e sustentável”, diz.

Segurança alimentar e desperdício

Já Priscila Socoloski, CEO da Connecting Food, foodtech brasileira que atua no contra à insegurança alimentar, acredita que o combate ao desperdício de alimentos deve ganhar destaque na agenda da conferência. “É um momento decisivo para apresentar soluções escaláveis de gestão e redistribuição de alimentos, articulando segurança alimentar, desenvolvimento social e redução de emissões”, afirma.

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Marcelo Freitas, CEO da Prospera

Energia limpa como vetor econômico

Para Marcelo Freitas, CEO da Prospera, plataforma de benefícios sustentáveis voltada a empresas, colaboradores e consumidores, a COP30 também representa uma oportunidade de reforçar o papel da energia limpa como motor de uma nova economia. “É uma oportunidade de chancelar a tese de que ESG gera lucro. A conferência potencializará debates e soluções de transição energética e justiça ambiental”, diz.

Empreendedorismo amazônico e inclusão

O papel de comunidades locais, especialmente na Amazônia, também deve estar no centro dos debates, segundo Daniel Poli, gerente executivo de sustentabilidade, diversidade e impacto social da Cielo. A empresa desenvolve o programa Impulsiona Cielo Amazônia, voltado ao empreendedorismo de mulheres negras e indígenas. “Esperamos, junto à COP30, criar um legado duradouro de inclusão e crescimento sustentável para a região”, afirma.

Matheus Toledo

Lucas Infante CEO e cofundador da Food To Save

Compromissos globais e ação concreta

Para Lucas Infante, CEO da Food To Save, especializada em redução de desperdício alimentar, o evento será decisivo para consolidar políticas públicas e investimentos voltados à agenda ESG. “Estar alinhados ao Pacto Global da ONU reforça nosso compromisso de atuar com responsabilidade. É hora de transformar o discurso em ação concreta”, diz.

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