07/06/2026

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VerdeAgua Investirá US$ 4,5 Milhões em Hidroponia para Duplicar Produção de Alfaces até 2028

A empresa uruguaia de horticultura hidropônica VerdeAgua iniciou o ano de 2026 com uma nova estufa operacional desde dezembro e planeja replicar o sistema antes do término do ano. O investimento total abrange dois robôs de produção e a infraestrutura associada.

O aporte totalizará US$ 4,5 milhões (R$ 22,5 milhões, na cotação atual) direcionados à tecnologia hidropônica para duplicar a produção de alfaces até 2028.

A VerdeAgua inaugurou em maio a nova estufa tecnológica em Melilla, zona noroeste da região de Montevidéu, a cerca de 20 minutos do centro da capital uruguaia. Embora o sistema opere há seis meses, o modelo, de origem dinamarquesa, automatiza o ciclo productivo.

O fundador e CEO da companhia, Sebastián Figuerón, informou que o complexo produziu 500.000 unidades de alface no período. “Tenho feito isso a vida toda, nos últimos dez anos com alta tecnologia, e nunca vi nada igual”, diz Figuerón.

Produtividade e aportes financeiros

DivulgaçãoEstufa Tecnológica VerdeAgua

O sistema, que exige seis pessoas para a operação, registra um incremento de produtividade de 30% em comparação com a atividade tradicional da empresa. Figuerón esclareceu que o dado é parcial, visto que a estufa não completou um ano de funcionamento corrido. Os dados definitivos serão consolidados posteriormente.

Para novembro, a VerdeAgua planeja incorporar mais dois robôs do mesmo sistema na infraestrutura construída. A medida representará um acréscimo de 200% na capacidade instalada atual, o que pode permitir a produção de 2 milhões de alfaces adicionais por ano.

O investimento nos dois sistemas será de cerca de US$ 3 milhões (R$ 15 milhões). O montante total para a infraestrutura associada, que engloba produção automatizada e processamento, atingirá US$ 4,5 milhões (R$ 22,5 milhões) até 2028. O financiamento tem o apoio do Banco Itaú e da IBF Negocios, grupo investidor uruguaio que adquiriu 70% da empresa no fim de 2024.

O projeto é fruto dessa sociedade. Figuerón relatou que a tecnologia constava nos planos da empresa há uma década, porém a execução dependia de um suporte financeiro indisponível até aquele momento.

“O que a sociedade nos permitiu fazer foi implementá-lo concretamente, sermos capazes de montá-lo e operá-lo, porque exige muito capital e um apoio financeiro muito forte e contínuo”, explicou o executivo.

Logística e novos canais comerciais

O novo mecanismo altera a lógica do negócio. Sob a perspectiva comercial, a regularidade e a precisão da produção permitem que a VerdeAgua ofereça preços estáveis ao longo do ano, fator que era difícil de garantir anteriormente.

“Graças aos custos consistentes e à alta precisão na produção, você consegue calcular e precificar melhor”, apontou Figuerón. A estabilidade viabiliza acordos com clientes que demandam abastecimento permanente e produtos com características homogêneas.

A empresa expande a carteira de clientes. Além de atender redes como McDonald’s e Fresh Market, a VerdeAgua opera com uma linha exclusiva para a rede TaTa, a maior rede de supermercados e hipermercados no país. A empresa reforça também o segmento de food service, que atende hotéis, restaurantes e serviços de bufê, e adiciona distribuidores como a Ártico. Paralelamente, a companhia adquire uma distribuidora própria e desenvolve um canal para atender o interior do país.

Inteligência artificial e mercado externo

DivulgaçãoInstalações de produção da VerdeAgua

A tecnologia aplicada vai além da robótica. A VerdeAgua atua em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial (LAiB), localizado no World Trade Center de Montevidéu, que fornece serviços de inteligência artificial conectados ao software de rastreabilidade da empresa e às estações de controle climático e meteorológico. O objetivo consiste em maximizar a eficiência do sistema e compreender formas de escalar o modelo no futuro.

Os planos de Figuerón contemplam o mercado local e o comércio exterior, embora por meio de outro modelo de negócios. A exportação do produto fresco possui barreiras sanitárias complexas em razão de ser um item altamente perecível.

Contudo, a exportação do modelo produtivo surge como alternativa. “Isso nos permite fornecer o modelo e a tecnologia a outros mercados”, declarou. A empresa estuda parcerias com operadores locais já estabelecidos nesses mercados, embora preveja um processo de longo prazo.

Impacto social e certificações

A transição tecnológica impacta as relações de trabalho. O sistema elimina as tarefas que exigem maior esforço físico, como trabalhar curvado, carregar caixas e caminhar entre os sulcos, visto que o cultivo se desloca até o operador. A mudança exige a reconversão dos postos de trabalho para funções de operação e gestão automatizada.

“As mesmas funções que existem hoje são substituídas por processos de tomada de decisão e operação mais automatizados”, explicou o CEO. O processo de transição interna está em andamento.

Com as certificações Empresa B, Global GAP e BRCGS Full, além de um crescimento em volume de cerca de 25% ao ano, a VerdeAgua mantém a expansão no setor hortícola uruguaio enquanto consolida a operação da nova estufa robotizada.

*Reportagem publicada originalmente em ForbesUruguay.com

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