15/04/2026

15/04/2026

Search
Close this search box.

USP desenvolve bioplástico mais resistente a partir de resíduos de laranja.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) encontraram uma forma inovadora de transformar resíduos de laranja em plásticos biodegradáveis mais resistentes. O estudo, conduzido na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) durante o mestrado de Pedro Henrique Bezerra, sob orientação da professora Fernanda Vanin, utilizou partes descartadas da fruta — casca, albedo, sementes e membranas — para reforçar o alginato de sódio, composto extraído de algas marinhas marrons amplamente usado na produção de bioplásticos.

Embora comum, o alginato de sódio apresenta limitações, como baixa resistência e alta absorção de água, que o faz se desmanchar com facilidade. Para melhorar o desempenho, a equipe buscou um material rico em fibras e pectina, substância de alto poder espessante. A primeira tentativa com batata não funcionou; a laranja, por sua vez, mostrou-se ideal.

Os resíduos, cedidos por um comércio de Pirassununga (SP), foram higienizados, secos, triturados e transformados em um pó padronizado, chamado OBP (sigla em inglês para “pó de subproduto de laranja”). Testes indicaram que, quanto maior a concentração de OBP, maior a resistência térmica do bioplástico.

Solução sustentável e destino para resíduos

A pesquisa pode ajudar a reduzir o impacto ambiental dos plásticos derivados de petróleo, dos quais apenas 9% são reciclados no mundo, segundo a ONU. De acordo com a European Bioplastics, a produção global de plásticos biodegradáveis deve alcançar 7,43 milhões de toneladas até 2028.

O Brasil, maior produtor mundial de laranja, gera um grande volume de resíduos, principalmente no estado de São Paulo, que concentra de 75% a 80% da produção nacional. Grande parte desses subprodutos ainda é descartada, apesar do potencial para uso como ração, adubo ou matéria-prima para óleos essenciais.

Próximos passos

A professora Fernanda Vanin destaca que a tecnologia ainda precisa evoluir, especialmente para aumentar a resistência à água. A equipe pretende testar plastificantes hidrofóbicos e outros resíduos além da laranja, visando ampliar as aplicações e reduzir custos de produção.

“Sabemos que a ciência avança de forma gradual, mas cada passo é fundamental. Se conseguirmos estimular o uso de soluções mais sustentáveis, já teremos dado uma grande contribuição”, afirma Fernanda.

Os pesquisadores estão abertos a parcerias com empresas interessadas em dar escala ao projeto, o que poderia ampliar seu alcance e competitividade frente aos plásticos convencionais.

VEJA MAIS

Anfavea Prevê Queda de 6,2% nas Vendas de Máquinas Agrícolas em 2026

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil deverão somar 46,7 mil unidades em 2026, queda…

Geopolítica e custos de produção dominam debates do 4º Congresso Abramilho

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso A volatilidade do cenário global e o impacto direto…

Café Deve Ter Safra Recorde de 65 Milhões de Sacas no Brasil, Diz IBGE

A produção brasileira de café de 2026 foi estimada nesta terça-feira em recorde de 65,1…