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Acessibilidade
O setor de saúde está passando por uma importante evolução impulsionada pela digitalização e pelo uso de dados. Desde a automação de prontuários médicos até a melhoria nos tratamentos, essas tecnologias estão otimizando tanto a eficiência operacional quanto os resultados na atenção à saúde. Com a chegada da inteligência artificial generativa, esse impacto atinge novas dimensões, prometendo personalizar diagnósticos, agilizar processos e aumentar as soluções.
De acordo com uma pesquisa recente realizada pela McKinsey, 70% dos líderes globais em saúde já adotaram a tecnologia ou estão em processo de implementação. O uso de aplicações da IA generativa beneficia tanto as conversas de serviços de saúde quanto os pacientes e seus familiares. No Brasil, vemos diversas soluções de inteligência artificial sendo implementadas para personalizar o atendimento ao paciente, automatizar a documentação médica e criar assistentes virtuais que aprimoram a comunicação entre médicos e pacientes.
A pesquisa TIC Saúde 2024 , conduzida pelo Cetic.br, revelou que 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros já utilizam IA generativa em suas rotinas profissionais. O estudo mostrou, porém, que apenas 4% dos estabelecimentos de saúde utilizam IA, com destaque para funcionalidades como a automatização de fluxos de trabalho (67%), o uso de ferramentas de IA generativa como ChatGPT e Bard (63%), e a análise de texto e de linguagem escrita (49%).
Para que a IA generativa tenha um impacto real, é fundamental definir com esclarecer o que se busca melhorar dentro do sistema de saúde. A implementação dessa tecnologia deve estar alinhada aos objetivos estratégicos, como melhorar os resultados clínicos, otimizar o fluxo de trabalho ou reduzir custos operacionais. Alguns exemplos de aplicação incluem:
- Implementação de ferramentas de IA para personalizar o atendimento ao paciente;
- Automação de documentação médica para reduzir a carga de trabalho dos profissionais de saúde;
- Criação de assistentes virtuais que melhoram a comunicação entre médicos e pacientes.
O uso da IA generativa na saúde não deve se concentrar apenas na parte clínica, mas também na melhoria da administração e da experiência do paciente.
Construir uma base de dados sólida
O sucesso de qualquer aplicação de IA depende da qualidade dos dados com os quais ela trabalha. Na área da saúde, as informações geralmente estão dispersas em diferentes sistemas, o que dificulta seu aproveitamento. Para maximizar o valor da GenAI, é necessário integrar fontes de dados diversos, como prontuários eletrônicos, imagens de exames e anotações clínicas; garantir a segurança e a privacidade das informações por meio de infraestrutura tecnológica confiável; e implementar mecanismos de limpeza e normalização de dados para evitar erros ou inconsistências.
Uma base de dados bem organizada não permite apenas o uso eficiente da IA, como também facilita a escalabilidade das soluções inovadoras. É importante também estabelecer normas e processos para um uso responsável da IA na saúde. Para isso, seguir padrões éticos e regulatórios é crucial para garantir sua aplicação segura e confiável, estabelecendo um marco de governança que inclui normas de gerenciamento de dados para proteger a privacidade dos pacientes, cumprimento de regulamentações nacionais e internacionais, e estratégias para evitar vieses nos modelos de IA para garantir decisões imparciais.
Além disso, a implementação da IA na saúde exige a colaboração entre equipes de TI, profissionais médicos e especialistas jurídicos, a fim de garantir que os sistemas funcionem de forma transparente e alinhada aos interesses do paciente.
A incorporação da IA na atenção à saúde não deve ser vista apenas como uma mudança tecnológica, mas como uma transformação organizacional. Para que essa transição seja bem sucedida, é importante fomentar uma cultura de inovação que incentive a adoção de novas ferramentas e metodologias.
Sem dúvida, a IA generativa está marcando o início de uma nova era no setor de saúde, tornando-se uma ferramenta essencial para os próximos anos. As organizações de saúde, públicas ou privadas, que adotam essa tecnologia mais rapidamente, ficarão mais bem posicionadas para obter vantagens competitivas e se prepararem melhor para o futuro. O uso da tecnologia não apenas redefine o que é possível na medicina moderna, ela também estabelece um novo padrão para o futuro, sendo a bússola que guiará o setor rumo a novas fronteiras de qualidade e equidade.
Luis Gonçalves é presidente da Dell Technologies para a América Latina
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