08/03/2026

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Trilionária Indústria de Alimentos do Brasil é recorde com R$ 1,388 tri em 2025

A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão, crescimento de 8,02% em relação a 2024 e participação de 10,9% no Produto Interno Bruto do país, o maior percentual já registrado pelo setor. Os dados foram apresentados por João Dornellas, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), em coletiva na manhã desta quinta-feira (5). No mercado externo, as exportações de alimentos industrializados chegaram a US$ 66,7 bilhões, recorde absoluto e equivalente a 19,1% de tudo que o Brasil exportou no ano.

“Esse é, sem dúvida, o maior setor econômico do nosso país”, afirma Dornellas. “Não é só colocar alimento na boca das pessoas. Os milhões de toneladas produzidos nos ajudam a puxar o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social do país.”

A produção total de alimentos industrializados e bebida não alcoólica chegou a 288 milhões de toneladas em 2025. Do faturamento total, o mercado interno ultrapassou R$ 1 trilhão pela primeira vez, enquanto o mercado externo correspondeu a R$ 373 bilhões.

As vendas no varejo alimentar cresceram 8,4% e o segmento de food service, que abrange refeições preparadas fora do lar, avançou 10,1%. As vendas reais, descontada a inflação, cresceram 2,2%, e a produção física aumentou 1,91%.

A inflação dos alimentos industrializados ficou em 1,8%, bem abaixo do IPCA geral de 4,26%, o que ampliou o poder de compra das famílias. “A menor inflação de alimentos tem uma relação direta com maior capacidade de consumo”, diz Dornellas. “Se você tem uma inflação geral na correção de salários da ordem de 4, 4,5% e tem uma inflação de 1,8%, a capacidade das famílias consumirem mais é percebida e é notória.”

Não por acaso, os investimentos totalizaram R$ 41,3 bilhões no ano, com 65% direcionados a inovação, novas linhas, plantas e pesquisa e desenvolvimento, e R$ 14 bilhões em fusões e aquisições. O compromisso firmado com o governo federal de investir R$ 120 bilhões entre 2023 e 2026 chegou a R$ 116 bilhões já nos três primeiros anos. “É muito satisfatório poder mostrar esse número e confirmar uma vez mais o compromisso da indústria de alimentos com o desenvolvimento socioeconômico do nosso país”, diz Dornellas.

No emprego, o setor manteve a liderança entre as indústrias de transformação: criou 51 mil vagas em 2025, totalizando 2,125 milhões de empregos diretos formais, o equivalente a 45% de todas as vagas geradas pela indústria de transformação no país. Considerada toda a cadeia, o número chega a 10,6 milhões de trabalhadores, 10,3% da população economicamente ativa. Isso fez com que a massa salarial paga pelo setor crescesse 9,94%, mais do dobro da inflação.

Gettyimagescriou 51 mil vagas em 2025, totalizando 2,125 milhões de empregos

“Aumentamos o número de trabalhadores na indústria e aumentamos também a remuneração. Não é só trazer alimento à boca das pessoas. É ajudar a manter a economia no Brasil forte”, afirma Dornellas.

No outro lado da moeda, o custo industrial subiu 5,1% no período, pressionado pelo avanço do diesel, do gás natural, da energia elétrica industrial (alta de 5%) e das embalagens (mais de 10%). Ainda assim, o setor abriu 850 novas fábricas apenas em 2025, no ritmo de duas unidades por dia, e chegou a 42 mil empresas em operação.

Dessas, 93% são micro, pequenas ou médias. “Você vai no interior dos estados do Brasil e vai encontrar empresas com menos funcionários, empresas quase que familiares. São esses 93% quem está fabricando o alimento que a gente consome todos os dias”, conta Dornellas.

O mercado interno é rei

O crescimento do mercado interno foi impulsionado pela maior taxa de emprego e pela expansão da renda da população. Os 73% da produção consumidos no Brasil correspondem a 211 milhões de toneladas.

O food service, que chegou a recuar para 24% do mercado interno durante o lockdown de 2020, continuou a recuperação. “A vida está totalmente normalizada. O melhor termômetro para isso é a recuperação gradual que o food service vem fazendo”, diz Dornellas, acrescentando que o segmento deve superar em breve a marca de 30% do mercado interno de alimentos.

GettyimagesProdução para o mercado interno foi de 211 milhões de toneladas

A distribuição regional da produção acompanha a população e a vocação econômica de cada área. O Sudeste liderou com R$ 556 bilhões, seguido pelo Sul (R$ 377 bilhões), Centro-Oeste (R$ 252 bilhões), Nordeste (R$ 136 bilhões) e Norte (R$ 67 bilhões). “De norte a sul do Brasil, as cifras são muito expressivas. A gente não tem cifras pequenas em nenhuma região”, conta.

Na região Norte, a indústria representa 8,7% do PIB local, com destaque para pescados, proteínas animais, polpa de açaí, cacau e guaraná. No Nordeste, o setor responde por 7,7% do PIB regional e emprega 343 mil trabalhadores diretamente em 7.700 empresas, com Bahia, Ceará e Pernambuco como principais polos.

O Centro-Oeste, voltado a proteínas animais, soja e milho, representa 18,4% do PIB da região e gerou 261 mil empregos diretos. No Sul, o setor corresponde a 17,8% do PIB regional e concentra 591 mil empregos em 10.500 empresas.

Os três maiores estados produtores são São Paulo (489 mil empregos diretos, 7 mil empresas), Paraná (260 mil empregos, 3,6 mil empresas) e Minas Gerais (247 mil empregos, 6,7 mil empresas). Em Minas, o setor responde por 14,7% do PIB estadual e produziu R$ 164 bilhões.

De acordo com Dornellas, o setor também mantém vínculo estreito com a agricultura familiar: 68% de tudo que ela produz no país é comprado pela indústria de alimentos. Os percentuais chegam a 99% no caso do cacau, 95% para suínos e aves, 90% para bovinos e trigo, e 83% para o leite.

“A nossa relação com o campo do Brasil não é só com o grande agro. A nossa ligação com a agricultura familiar é umbilical. Nós estamos ali presentes junto às suas famílias, comprando e permitindo a elas escoar a produção que geram no campo”, afirma Dornellas.

Ásia lidera, América Latina avança e guerra traz instabilidade

O Brasil consolidou, em 2025, a posição de maior exportador de alimentos industrializados do mundo, com US$ 66,7 bilhões, crescimento de 73% em relação a 2020. O superávit comercial do setor chegou a US$ 57,5 bilhões, correspondente a 84% do superávit total do país. Mas no último ano, o crescimento poderia tem sido ainda maior, mesmo tomando em conta destacada posição.

“Pensando em carros, em petróleo, em aviões, colocando tudo nessa bolsa: 19,1% de tudo que o Brasil exportou veio de alimentos e bebidas industrializados. Quase um quinto. E não estamos falando de soja in natura, não. São produtos industrializados”, diz Dornellas.

A Ásia é o principal destino das exportações brasileiras. A China ocupa o primeiro lugar entre os países compradores, seguida por Estados Unidos, Países Baixos, Indonésia e Japão. “É importante dizer: o Brasil não exporta só para a China. O Brasil exporta para vários países do mundo, são 190 países. A Ásia não é só China”, afirma. Os países da Liga Árabe representam o segundo bloco regional mais importante, à frente da União Europeia.

Na América Latina, o Mercosul registrou expansão expressiva. As exportações para a Argentina cresceram mais de 70%, com avanços também para Paraguai, Uruguai e Chile.

Mas, nos dias atuais, o conflito no Oriente Médio é apontado como fator de instabilidade a ser monitorado. “O mundo inteiro vem com muita preocupação com essa situação. No momento, os impactos se concentram mais na volatilidade dos preços dos combustíveis. Não houve nenhum impacto ainda de exportação, nada perceptível”, conta Dornellas, ressalvando que a dependência global do petróleo torna a região um vetor de pressão sobre fretes, logística e custos de transporte.

Outro destaque lembrado pelo executivo em relação a 2025 foram as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que também afetaram o desempenho exportador. O crescimento das exportações, que vinha na ordem de 3% a 4% ao ano, desacelerou para 0,7%. A ABIA estima que a perda ficou entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão em vendas que deixaram de ser realizadas.

“O tarifaço, no início, assustou bastante. Mas a indústria continuou crescendo. Apesar do tarifaço, nós crescemos e vendemos mais dólares do que o ano anterior”, diz Dornellas.

O cenário permanece em aberto, com possibilidade de novos recursos e investigações sob a Seção 301, em relação ao que Trump pode fazer daqui para a frente. “Mas, se um país fecha uma porta, a gente busca outros países para diversificar. O mundo, quando olha para o Brasil como indústria de alimentos, confia muito”, afirma.

O que vem pela frente na indústria do alimento

Para 2026, a ABIA projeta um crescimento de 2% a 2,5% nas vendas do setor, em linha com a expectativa de expansão do PIB brasileiro de 1,8% a 2%. A geração de empregos diretos deve avançar entre 1% e 1,5%.

“Apostamos também no crescimento de exportações que talvez possa bater pela primeira vez a casa de US$ 70 bilhões”, diz Dornellas. “Apesar de um crescimento moderado do mundo, esse panorama nos faz seguir apostando nesse Brasil, nessa indústria que alimenta o Brasil e que ajuda o mundo também a se alimentar.”

Um crescimento ainda mais rápido, ou que daria mais fôlego, é a aposta de que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia vai entrar na agenda definitiva da produção, sendo avaliado positivamente. “Estamos diante do maior acordo comercial de todos os tempos já negociado entre esses dois blocos. A gente vê com perspectiva muito positiva, porque quando você olha a União Europeia sãoo quase 720 milhões de consumidores”, afirma Dornellas, que defendeu uma desgravação tarifária o mais rápida possível para ampliar o acesso da indústria brasileira ao bloco europeu.

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