19/05/2026

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Tarifaço de Trump vira pauta central no Congresso Brasileiro do Agronegócio.

 

O Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (11) em São Paulo, tinha como tema oficial as agroalianças. Mas, na prática, um assunto dominou os discursos: o tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Entre líderes do setor e autoridades políticas, o consenso foi de que o momento exige diálogo, diplomacia e estratégia para evitar prejuízos.

A medida dos Estados Unidos foi citada por praticamente todos os oradores da abertura. Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG) aproveitaram para mostrar o que seus estados têm feito para proteger o agro e, ao mesmo tempo, criticar o governo Lula (PT).

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, classificou a situação como reflexo de um cenário internacional mais complicado: menos confiança em acordos multilaterais, mais nacionalismo e protecionismo. “Estamos vivendo uma nova ordem mundial, mais fragmentada e imprevisível. O caminho é manter o diálogo e buscar negociações”, afirmou, destacando que o agro é peça-chave para o superávit da balança comercial e vitrine da sustentabilidade brasileira.

Gilson Finkelsztain, CEO da B3, reforçou a importância da diplomacia e alertou para os riscos das tensões geopolíticas. Segundo ele, além de reagir ao tarifaço, o Brasil precisa abrir novos mercados e avançar em reformas internas para destravar a economia.

No campo político, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, lembrou da lei da reciprocidade, que permite retaliações comerciais quando o Brasil sofre barreiras injustas. “O instrumento existe, mas o caminho preferencial é negociar. Negociar sempre”, disse, defendendo também pressão direta sobre empresários americanos que perdem com a medida.

Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, ressaltou o peso dos Estados Unidos para as exportações nacionais. “A China é nosso maior mercado, mas os EUA são o melhor, porque compram produtos variados e com maior valor agregado”, explicou. Para enfrentar o tarifaço, anunciou a abertura de um escritório da agência em Washington, com presença constante para defender os interesses brasileiros.

Viana também saiu em defesa do governo Lula, lembrando que, desde o início do mandato, foram abertos mais de 400 novos mercados para produtos brasileiros.

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