19/05/2026

19/05/2026

Search
Close this search box.

Tarifaço de Trump: entenda o impacto para o agro brasileiro (e para os EUA) em 5 pontos.

Com tarifa de 50%, exportações de café, carne bovina e pescados são diretamente afetadas. Medida também deve encarecer produtos no mercado americano;

A partir desta quarta-feira (6), produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos passam a pagar uma tarifa extra de 50%. A medida atinge itens estratégicos do agronegócio, como café, carne bovina e pescados, com potencial de gerar perdas bilionárias para o Brasil — além de pressionar os preços para o consumidor norte-americano.

Veja os principais efeitos em cinco pontos:


1. Poucos produtos do agro escapam da nova tarifa

Entre quase 700 itens isentos da sobretaxa, apenas alguns do setor agropecuário foram poupados — como o suco de laranja, castanha-do-pará, sisal, madeira e celulose.

Produtos fora dessa lista passam a pagar 40% adicionais, além dos 10% que já eram aplicados, somando os 50% de tarifa.

Café e carnes, que estão entre os produtos mais exportados para os EUA, ficaram de fora das exceções e serão diretamente impactados.


2. EUA são vitais para o agro do Brasil

Os Estados Unidos são o terceiro maior destino das exportações do agro brasileiro, atrás apenas da China e da União Europeia.

Somente com café, o Brasil pode perder até US$ 481 milhões em 2025, segundo estimativas da CNA. O mercado americano é o principal comprador do café brasileiro no mundo.

Na carne bovina, os EUA absorveram 12% das exportações neste ano. Mesmo atrás da China, esse volume representa cerca de US$ 1 bilhão por ano.

Outros setores também devem sentir o baque, como o de pescados, frutas (especialmente a manga) e mel, todos com forte dependência do mercado norte-americano.


3. Brasil perde — mas os EUA também

Os Estados Unidos são o maior consumidor de café do mundo e dependem quase totalmente da importação para abastecer o mercado interno — cerca de 99% do café consumido no país vem de fora.

O Brasil, por sua vez, é responsável por cerca de 30% dessas importações. Isso torna difícil encontrar outro fornecedor com a mesma escala e qualidade no curto prazo.

A carne bovina também pesa: os EUA enfrentam falta de gado para abate, o que já pressiona a inflação da carne no país. A sobretaxa pode agravar ainda mais esse cenário.


4. E os preços no Brasil, vão cair?

Com menos carne sendo exportada, poderia haver sobra no mercado interno — e queda nos preços. Mas, segundo especialistas, isso não deve durar.

A tendência já era de redução nos abates antes mesmo do tarifaço, e a nova medida só reforça esse movimento. Resultado: a oferta pode cair, e os preços, subir nos próximos meses.

Para o café, os efeitos no mercado interno devem ser limitados no curto prazo. As vendas para os EUA devem continuar em parte, e os estoques da safra atual têm fôlego até 2026.


5. Redirecionar exportações não será simples

Buscar novos mercados para café, carne e outros produtos não é tarefa rápida. Cada país tem exigências específicas de qualidade, certificações e normas sanitárias.

No caso do café, é difícil substituir o mercado americano, tanto em volume quanto em valor. Para a carne bovina, poucos destinos têm a mesma rentabilidade que os EUA.

Há ainda diferenças culturais: os americanos preferem cortes da dianteira do boi (usados em hambúrgueres), enquanto o mercado interno brasileiro valoriza mais os cortes traseiros, como picanha e alcatra.


Conclusão:
O tarifaço imposto pelos EUA representa uma perda considerável para o agronegócio brasileiro e pode gerar reflexos também para o consumidor norte-americano. Enquanto negociações e estratégias de adaptação são discutidas, produtores dos dois lados se preparam para um cenário mais desafiador nos próximos meses.

VEJA MAIS

Produção de Cerveja sem Glúten Cresce 417% no Brasil e Chega a 367 Milhões de Litros

A produção de cervejas sem glúten registrou forte crescimento no Brasil em 2025. Dados do…

Juros futuros ganham inclinação com pressão externa e ruído político

A curva de juros futuros ganhou inclinação nesta terça-feira (19), com avanço mais evidente nos…

Relator defende projeto que pune alta abusiva no preço dos combustíveis

O relator do Projeto de Lei 1625/26, deputado Merlong Solano (PT-PI), defendeu nesta terça-feira (19)…