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Em um dos maiores movimentos recentes do setor de bens de consumo e celulose, a Suzano, maior produtora de celulose do mundo, anunciou nesta quinta-feira (5) a criação de uma joint venture global com a Kimberly-Clark, multinacional americana dona de marcas como Kleenex e Scott. Avaliada em US$ 3,4 bilhões (R$ 19,1 bilhões na cotação atual), a nova empresa terá foco na produção, marketing e distribuição de produtos tissue – como papel higiênico, guardanapos, toalhas de papel e lenços faciais – em cerca de 70 países.
A Suzano ficará com 51% da nova companhia, tornando-se controladora da operação, e a Kimberly-Clark manterá os 49% restantes. O acordo prevê o pagamento de US$ 1,734 bilhão em espécie, pela Suzano, no fechamento da transação, que está previsto para ocorrer em meados de 2026, sujeito às aprovações regulatórias e à reorganização corporativa da divisão internacional de tissue da Kimberly-Clark.
“Esta nova empresa reúne dois players globais que são líderes em seus respectivos mercados, com capacidades complementares que combinam a expertise industrial e eficiência em gestão operacional da Suzano com o know-how da Kimberly-Clark em gestão de marcas, marketing e comercialização de marcas regionais e globais, além de sua ampla experiência na gestão de operações em diversas regiões do mundo”, afirma Beto Abreu, CEO da Suzano.
A nova empresa será registrada nos Países Baixos e reunirá 22 unidades fabris espalhadas por 14 países, incluindo regiões da Europa, Sudeste Asiático, Oriente Médio, América do Sul, América Central, África e Oceania. A capacidade total instalada dessas plantas é de cerca de 1 milhão de toneladas de papel tissue por ano. Em 2024, os ativos envolvidos na joint venture geraram US$ 3,3 bilhões (R$ 18,6 bilhões) em vendas líquidas.
O negócio contará com cerca de 9.000 funcionários e abrigará mais de 40 marcas regionais atualmente sob o portfólio internacional da Kimberly-Clark, incluindo nomes reconhecidos globalmente como Kleenex, Scott, Cottonelle, Andrex, WypAll, Viva e Kimberly-Clark Professional. A Kimberly-Clark firmará um contrato de licenciamento de longo prazo com a nova empresa, permitindo o uso contínuo dessas marcas.
Mas, apesar da transferência de parte de seus ativos, a Kimberly-Clark manterá suas operações de tissue nos Estados Unidos e seguirá com participações em joint ventures no México, Coreia do Sul e Bahrein, entre outros mercados. “Esta transação representa um passo importante na jornada de transformação da Kimberly-Clark”, disse Mike Hsu, presidente do conselho e CEO da Kimberly-Clark. “Estamos satisfeitos em firmar uma parceria estratégica com a Suzano, uma líder em seu setor, e esperamos trabalhar juntos para concretizar as grandes oportunidades à frente.”
A Kimberly-Clark, que atua em mais de 175 países e territórios, mantém um portfólio de marcas que lideram categorias em aproximadamente 70 mercados. Em 2024, pelo sétimo ano consecutivo, foi reconhecida como uma das Empresas Mais Éticas do Mundo, segundo o instituto Ethisphere.
A expansão estratégica da Suzano
Para a Suzano, a operação internacional reforça a estratégia de crescimento no setor de bens de consumo, segmento em que a empresa vem ampliando presença nos últimos anos. Em 2023, a companhia já havia adquirido os ativos de tissue da Kimberly-Clark no Brasil, tornando-se uma das principais fabricantes nacionais de papel higiênico.
Desde então, a companhia brasileira, fundada há mais de 100 anos e com ações listadas na B3 (SUZB3) e na Bolsa de Nova York (SUZ), vem implementando um plano de expansão de capacidade. Em Aracruz (ES), por exemplo, a empresa está construindo uma nova fábrica de papel tissue com investimento de R$ 650 milhões (cerca de US$ 115 milhões), que adicionará 60 mil toneladas por ano à sua unidade de bens de consumo.
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Unidade de Aracruz, um dos exemplos recentes de investimentos da Suzano
“Temos um excelente entendimento da cultura e dos processos internos da Kimberly-Clark, graças à aquisição no Brasil. Já conseguimos ganhos significativos de eficiência nessas operações, que estamos confiantes de que podem ser replicados em outras regiões”, afirma Luis Bueno, vice-presidente executivo de Bens de Consumo e Assuntos Corporativos da Suzano. “Nossa capacidade de atingir esse objetivo está ligada à tremenda qualidade dos talentos da equipe da Kimberly-Clark, que ajudaram a desenvolver marcas inovadoras e confiáveis, presentes na vida cotidiana de centenas de milhões de pessoas no mundo todo.”
A joint venture terá um conselho de administração composto por cinco membros, sendo três nomeados pela Suzano e dois pela Kimberly-Clark. O acordo inclui ainda uma opção de compra que permitirá à Suzano adquirir os 49% restantes da nova companhia no futuro. Segundo Marcos Assumpção, CFO da Suzano, a estrutura do acordo garante estabilidade de gestão e permite capturar ganhos de eficiência operacional desde o início.
“Esta transação reflete a abordagem disciplinada da Suzano quanto à alocação de capital com foco na geração de valor e está totalmente alinhada à nossa política financeira. A parceria assegura a continuidade do negócio e mitiga riscos comuns a processos de expansão internacional”, diz Assumpção.