A Copa do Mundo da FIFA de 2026 deve atrair multidões de todo o planeta para o SoFi Stadium, e junto com elas grandes quantidades de copos, talheres e embalagens para alimentos. A PlantSwitch, startup que produz alternativas compostáveis aos tradicionais itens plásticos utilizados no setor de alimentação, convenceu a arena de Los Angeles, com capacidade para 70 mil pessoas, a repensar o destino de todo esse resíduo.
“A maioria dos consumidores e das empresas quer fazer a coisa certa”, afirma Dillon Baxter, CEO da PlantSwitch. “A questão é como fazer isso e eles não querem trocar por algo que os clientes vão detestar, como um canudo de papel.”
A parceria foi firmada após um reforço no caixa da empresa. Em maio, a PlantSwitch anunciou a conclusão de uma rodada Série A de US$ 17 milhões (R$ 88,4 milhões), elevando o total captado para US$ 28 milhões (R$ 145,6 milhões). O momento também é oportuno. Guerras, atrasos no transporte marítimo e interrupções nas cadeias globais de suprimentos levaram o preço do plástico ao maior nível da história.
Para a PlantSwitch, isso representa uma oportunidade valiosa. Afinal, itens como talheres, tigelas e copos são produtos de consumo cotidiano. Somente nos Estados Unidos, quase 100 milhões de utensílios descartáveis são jogados fora todos os dias. “Existem poucas indústrias em que bilhões e bilhões de unidades circulam constantemente”, diz Baxter.
Revolução dos talheres verdes
Talheres ecológicos não são uma novidade, garfos e colheres de madeira estão no mercado há anos. E há também os conhecidos canudos de papel. Em geral, produtos sem plástico costumam ser mais caros para as empresas e menos convenientes para os consumidores.
A PlantSwitch quer mudar essa percepção criando produtos que “tenham a aparência e a funcionalidade do plástico”. A diferença é que, em vez de permanecerem em aterros sanitários por séculos, Baxter afirma que os materiais da empresa se decompõem naturalmente em até dez semanas.
Isso é possível graças à própria natureza. A startup utiliza resíduos já existentes, como cascas de arroz, transforma esse material em uma massa processada e o molda em produtos como garfos e colheres.
“O que percebi foi que toda alternativa ao plástico envolvia algum tipo de concessão. Ou a qualidade era inferior, como acontece com os canudos de papel, ou o custo era excessivamente alto. Em alguns casos, havia apenas greenwashing”, afirma Baxter, que fundou a empresa ao lado de Maxime Blandin, também integrante da lista Forbes Under 30.
Um garfo da PlantSwitch ainda custa mais do que um garfo plástico, mas é um valor que mais de cem clientes estão dispostos a pagar. A primeira empresa a aderir foi a produtora de saladas Taylor Farms, cujas saladas embaladas vendidas nas lojas Walmart de todo o país agora incluem garfos da PlantSwitch identificados como “compostáveis”.
Desde então, a Starlink, de Elon Musk, passou a utilizar produtos da PlantSwitch em seus ambientes corporativos. A Live Nation também adotou as soluções da startup em diversos shows e eventos promovidos pela companhia de entretenimento. Já o SoFi Stadium distribuirá os talheres da empresa durante as oito partidas da Copa do Mundo que receberá no próximo torneio.
O objetivo final é ampliar a escala de produção a ponto de reduzir os custos e competir diretamente com o plástico convencional. A partir daí, a empresa pretende expandir sua atuação para além dos produtos voltados à alimentação.
“Decidimos começar focando em produtos de alto volume e baixa margem”, explica o cofundador. “Isso nos permite abrir caminho para todas as outras indústrias em que o plástico pode ser substituído.”
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com