20/04/2026

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Setor produtivo de MT cobra fim do Fethab 2 e redução de juros durante o Show Safra

Foto: Show Safra/Assessoria de Imprensa

A não renovação do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) Adicional, conhecido como Fethab 2, no final de 2026 voltou a ser solicitada pelo setor produtivo mato-grossense, assim como a redução das taxas de juros e a liberação de R$ 20 bilhões para conter o endividamento no campo brasileiro, nesta segunda-feira (23). O pedido foi feito durante a abertura oficial do Show Safra BR-163, feira realizada em Lucas do Rio Verde.

Tais medidas ajudariam a dar um “fôlego ao nosso setor até sairmos dessa crise e voltarmos a respirar novamente”, como destacado pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Lucas Costa Beber.

Na última semana, durante reunião do Fórum Agro MT o Fethab 2 foi uma das principais pautas debatidas, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso. Entidades do agronegócio mato-grossense expuseram ao vice-governador Otaviano Pivetta e ao secretário de Fazenda, Rogério Gallo, a baixa rentabilidade e os custos elevados que pressionam o caixa das propriedades rurais.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram o peso do tributo sobre as margens do produtor. Na soja, a safra 2023/24 fechou com prejuízo de R$ 220,51 por hectare, mesmo com o recolhimento de R$ 152,40 de Fethab. Para o ciclo 2026/27, a estimativa é que o custo do fundo chegue a R$ 189,12 por hectare. O valor representa mais que o dobro do lucro líquido projetado para o período, de apenas R$ 85,48 por hectare.

No milho, a projeção para 2025/26 indica prejuízo de R$ 163,11 por hectare. Já no sistema soja mais milho, a estimativa para 2026/27 é de resultado negativo de R$ 77,62 por hectare, com recolhimento de R$ 291,33 por hectare ao fundo. No algodão, apesar da margem positiva, o custo do Fethab é elevado, sendo R$ 328,23 por hectare, diante de lucro líquido estimado em R$ 671,70 por hectare. Na pecuária de cria, o lucro previsto para 2025 é de apenas R$ 19,06 por hectare, sendo que o Fethab consome R$ 9,77.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Orcival Guimarães, destacou que o setor reconhece o trabalho realizado pelo governo do estado e que a contribuição adicional foi fundamental. “O momento que a agricultura está passando é realmente delicado. Essa demanda não foi criada por mim, nem por nenhum presidente das Associações. Isso veio do produtor rural. A gente fica com o coração partido de pedir isso agora que o estado está numa velocidade incrível”.

Também reconhecendo os feitos do governo do estado, entre eles a segurança no campo, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Nando Conte, destacou que “é com diálogo e construção que vamos seguir avançando”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtor sempre em busca de desafios

De acordo com o presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain, o produtor mato-grossense está sempre em busca de “desafios novos” e “sempre se superando”. Contudo, nem sempre tudo acompanha tal evolução observada no campo, a exemplo da logística e da armazenagem.

“Até pouco tempo atrás a gente tinha um cálculo de que nós tínhamos mais de 50% de capacidade [de armazenagem] e hoje temos 48%. [Isso mostra] a evolução de um estado que produzia 60 milhões de toneladas e chegou a bater 109 mil toneladas”, disse Tomain.

“O Agro transforma a educação, tem transformado toda a infraestrutura, mas é preciso enxergar o futuro. Mato Grosso não é um estado, ele é um país. Ele trabalha à nível de país”, destacou o presidente da Fundação Rio Verde, Joci Piccini, entidade organizadora do Show Safra.

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Foto: Show Safra/Assessoria de Imprensa

Fethab não é o único componente de impacto

Apesar de reconhecer o momento vivido pelo setor produtivo mato-grossense de margens apertadas, preços baixos e produtividade comprometida em algumas regiões em decorrência ao excesso de chuvas, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, disse que o Fethab não é o único componente a pesar no bolso do produtor rural do estado.

“É claro que o Fethab, que nós criamos lá atrás, é um componente de custo, mas ele sozinho não é o grande fator hoje que impacta o setor. Sem dúvida alguma os juros nesse país não há nenhum cidadão brasileiro que não esteja sofrendo muito pelo impacto do juro alto. Se não conseguirmos trazer isso para um patamar que seja admissível, dentro de um quadro de dívida fiscal crescente nesse país, nós vamos colapsar a economia brasileira”.

O gestor estadual declarou ainda sobre o Fethab 2 que “o governo pode rever isso no momento correto e adequado”. “Quando assumimos em 2019, em 270 anos de história Mato Grosso tinha feito apenas 6,4 mil quilômetros de rodovias estaduais asfaltadas. De 2019 a 2026, nós vamos encerrar esse ano com mais de sete mil quilômetros de rodovias estaduais asfaltada”, frisou.

R$ 20 bilhões para conter endividamento no campo

A ser divulgado no final de junho, o Plano Safra 2026/27 também foi ponto de reivindicação durante o Show Safra. Recentemente a Aprosoja MT, juntamente com a Famato, formalizou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) um pedido de medidas urgentes para combater o endividamento rural no estado e no Brasil.

Entre as propostas, o documento entregue ao governo federal sugeria a destinação de R$ 20 bilhões para o alongamento de dívidas vencidas e vincendas. Também constava a defesa do uso de recursos de fundos constitucionais e do Fundo Social para repactuações, além de mudanças na legislação para incluir produtores de regiões sob decreto de emergência, e não apenas de calamidade.

“Pedimos também uma redução nos juros do Plano Safra deste ano, pelo menos para o custeio para que os produtores possam seguir firmes e fortes na atividade até podermos passar por toda essa turbulência que vivemos”, reformou o pedido ao ministro da Agricultura o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber.

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Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária

Durante a abertura, o ministro Carlos Fávaro destacou a importância do fortalecimento do setor agropecuário brasileiro por meio de políticas públicas, inovação tecnológica e ampliação de mercados internacionais. Ele ainda ressaltou o papel estratégicos de eventos no país, como o Show Safra, para aproximar produtores, empresas e investidores, além de difundir conhecimento e novas soluções para o campo.

Sobre o momento vivido pelo setor produtivo brasileiro, Fávaro pontuou que “não considero ser uma crise. É um momento difícil”. Conforme ele, “crise nós já passamos” e “tivemos a oportunidade de conectar as ideias e soluções para que momentos melhores viessem a acontecer”.

“Eu falo que não é crise, porque imagem se a gente não tivesse ainda nesse período aberto mais de 550 novos mercados, enfrentado a crise das tarifas norte-americanas. Onde nós estaríamos colocando todo esse DDG que está sendo produzido nesta verticalização? Imaginem se não tivéssemos aumentado a mistura do biodiesel ao diesel com essa guerra no Irã. É possível sim a gente sair deste momento difícil todos de mãos dadas com ideias”, declarou Fávaro

O ministro ainda concordou com a mensagem do setor produtivo sobre o momento de falta de renda e taxas de juros “exorbitantes”. “Se o Banco Central tem autonomia para fazer a política de juros, eu tenho a autonomia para criticá-los. A inflação de 4% ao ano é injustificável. Gera um endividamento que não tem condições de ninguém pagar”.

Sobre a “sugestão” apresentada para a destinação de R$ 20 bilhões para a repactuação de dívidas, o ministro da Agricultura e Pecuária declarou ser “possível” e lembrou que “em 2008 a repactuação necessária foi de R$ 86 bilhões e aconteceu”.

“E deu 20 anos e os nossos produtores se recuperaram e se tornaram um orgulho nacional. Por que agora não R$ 20 bilhões? O ano passado foram R$ 12,6 bilhões. Não foi o suficiente? Vamos pleitear juntos R$ 20 bilhões, repactuar, pegar nas mãos dos produtores, restabelecer o crédito e assim voltarmos a prosperar e ser mais uma vez o orgulho que somos de todos os brasileiros”, concluiu em seu discurso.


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