15/04/2026

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Realme Planeja Fabricar 50 Mil Celulares Mensalmente em Manaus

Divulgação/Realme

Foto de Xiaoyi Shao, recém-chegado country manager da Realme no Brasil, ao lado de Eliane Mayumi Yamauchi, Head of Consumer Electronics no Mercado Livre

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No início desta semana, a chinesa Realme lançou um novo smartphone no mercado brasileiro, o C75 5G. Além das características técnicas, o produto conta com um diferencial importante: será fabricado no Brasil, na fábrica da empresa em Manaus, que iniciou as operações em abril deste ano.

“Neste momento, temos dois produtos 4G sendo fabricados no país e conseguimos atingir a produção de quase 30.000 unidades por mês. No entanto, isso é apenas o começo. Até o fim deste ano [2025], estamos planejando alcançar a meta de 50.000 unidades produzidas por mês na fábrica de Manaus”, compartilha Xiaoyi Shao, recém-chegado country manager da Realme no Brasil.

Com vasta experiência em pesquisa e desenvolvimento e uma longa trajetória na companhia, Shao poderia ter assumido a liderança local em outros países, mas escolheu vir para o Brasil após uma breve visita no início do ano. “Meu inglês não é muito bom e, mesmo assim, não me senti pressionado, as pessoas são muito acolhedoras e abertas. E os jovens aqui, nosso público-alvo, são cheios de vida, interessados por tecnologia e novidades”, conta o executivo chinês.

Para ele, a parceria entre Brasil e China também pode ser um diferencial da marca no país, com possibilidades de benefícios fiscais para o desenvolvimento de tecnologia localmente e mais oportunidades de escolha para os consumidores brasileiros. “Recentemente, percebemos que mais e mais empresas chinesas estão vindo para o Brasil. Até nas ruas vemos mais rostos chineses. Com uma política fiscal amigável, o preço do produto será mais acessível para os consumidores”, pontua Shao.

Logo da Realme exposto em uma loja de celulares

Em entrevista à Forbes Brasil, Xiaoyi Shao, country manager da Realme, fala sobre as operações da fabricante no país, a parceria inédita com o Mercado Livre e como a empresa pretende desenvolver a cadeia de produção local. Confira:

Forbes Brasil: Qual é a importância do Brasil para os negócios da Realme? Por que a escolha da instalação da fábrica em Manaus?

Xiaoyi Shao: “O Brasil é um mercado muito importante para a Realme. Na verdade, ele está entre os cinco mercados mais importantes para a companhia em escala global. Nós acreditamos que o país tem um potencial muito grande.

Como brasileira, você com certeza sabe que Manaus é famosa por sua produção local. Em colaboração com a Digitron, que tem uma longa história e vasta experiência na região e de com produtos de tecnologia, nossos aportes e com a equipe local, acreditamos que seria possível ter uma produção madura na cidade. Além dos benefícios para a entrega e para a parte fiscal, o que nos ajudará a trazer produtos com preço mais competitivo e adaptado para os consumidores locais.”

FB: A produção começou em abril com metas ambiciosas, como a geração de até 500 empregos e produção diária de milhares de exemplares. Como estão as operações após quatro meses?

XS: “Sim, nós iniciamos a produção local em abril deste ano [2025] e, na verdade, neste momento temos dois produtos 4G sendo fabricados em Manaus e conseguimos atingir quase 30.000 unidades por mês.

No entanto, isso é apenas o começo, porque estamos de fato fabricando o primeiro smartphone 5G no Brasil, que é o Realme C75 5G — também resistente à água, com a certificação IP69.
Com este produto, que exige mais da linha de produção além de representar outros desafios para a manufatura local, nós trouxemos algumas funções e máquinas para nos ajudar a produzir, o que significa também mais investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e tecnologia local.

Até o fim deste ano, estamos planejando alcançar a meta de 50.000 unidades produzidas por mês na fábrica em Manaus. E, além do 5G, estamos planejando trazer a série numérica para a operação, o que nos ajudará a ter mais capacidade para produzir smartphones de categoria superior ou flagship.”

Novo Realme C75

FB: Os aparelhos produzidos aqui serão exportados para outros países?

XS: “Devido à capacidade de produção que mencionamos, de 30.000 unidades por mês, nós só conseguimos atender à demanda interna do Brasil. No futuro, provavelmente, avaliaremos a situação e todo o cenário para ver se vamos direcionar ou exportar o produto para outros países da América Latina.”

FB: Quais são as práticas de sustentabilidade que vocês adotam na fábrica?

XS: “Para a Realme, a sustentabilidade é realmente importante. E falando especificamente sobre a fábrica de Manaus, estamos fazendo três coisas para contribuir com isso: primeiramente, seguimos todas as regras e requisitos locais de sustentabilidade; em segundo lugar, para todos os componentes e materiais, estamos tentando torná-los ecológicos e recicláveis, para que não sejam de uso único e possamos reutilizá-los na maior parte da linha; e, por fim, pretendemos melhorar a eficiência da produção e da equipe, com a diminuição do desperdício gerado na fabricação, o que também ajuda a reduzir os resíduos.

FB: Recentemente, algumas fabricantes chinesas desembarcaram no Brasil. Como se dá a competição entre conterrâneas no país?

XS: “Sim, percebemos que mais e mais marcas asiáticas estão chegando ao Brasil. Na verdade, como a Realme é uma empresa internacional, estamos enfrentando muita concorrência em outros mercados também.

O nosso diferencial, em primeiro lugar, é o público-alvo, porque a Realme sempre focou na geração mais jovem. Nos posicionamos como uma marca de tecnologia que entende melhor os consumidores jovens.

Como fazemos isso? Por meio do nosso produto, que conta com um design muito bom e ótimo desempenho. Além de uma comunicação profunda com os clientes para realmente entender o que eles precisam. Também temos feito muitas ações de marketing no TikTok ou no Instagram.

A segunda diferença é a capilaridade dos canais. Enquanto os concorrentes colaboram com players grandes do mercado, a estratégia da Realme é ir para mais cidades, mais lugares, mais regiões do Brasil e permitir que os consumidores, não apenas em São Paulo, possam ter acesso aos produtos.”

FB: Falando sobre o contexto geopolítico global, como a relação entre China e Brasil contribui para os negócios da empresa?

XS: “A relação definitivamente beneficiará o plano de negócios da Realme no Brasil. A China e o Brasil têm um longo relacionamento e, recentemente, percebemos que mais e mais empresas chinesas estão vindo para o Brasil. Até nas ruas vemos mais rostos chineses por aqui.

Porém, acredito que a Realme não será apenas mais uma empresa chinesa por aqui, por isso nosso slogan é ‘Feito no Brasil, Make it Real’.

Por causa do bom relacionamento, também esperamos benefícios fiscais, pois sabemos que a política tributária brasileira é muito complicada. Com uma política fiscal amigável, o preço do produto será mais acessível para os consumidores também.

Com mais marcas chinesas chegando a este mercado, os consumidores brasileiros podem ter mais opções e escolhas de diferentes produtos. Não apenas smartphones, mas também carros e outras coisas. Quando conversamos com os jovens consumidores locais, descobrimos que eles estão cansados das mesmas empresas de sempre, eles querem algo novo, com um preço bom e ótimas funções e desempenho.”

Foto da fábrica em Manaus

FB: De que forma vocês pretendem desenvolver a cadeia de produção nacional?

XS: “No momento, estamos importando muitos componentes de outros países. Mas, no futuro, planejamos colaborar com fornecedores locais para todos os componentes e fazer com que mais materiais sejam produzidos no Brasil.

Em segundo lugar, sobre a parte de varejo. Se você for às lojas, verá muitos materiais de ponto de venda. Atualmente, também estamos importando esses produtos de outros países. No entanto, já estamos conversando com fornecedores locais para tentar produzir no país.

Para ser honesto, quando comparamos a capacidade de produção local com o que é importado, ela ainda não é muito forte. Mas nós trouxemos uma equipe para ajudar os parceiros locais a melhorar sua capacidade.”

FB: Junto com o lançamento do C75 5G, vocês anunciaram uma parceria de distribuição com o Mercado Livre. Como essa estratégia se desenrolou?

XS: “O Mercado Livre é realmente grande e estamos muito felizes e honrados em ter essa colaboração estratégica com eles. Antes, apenas Samsung e Motorola tinham lojas próprias na plataforma, a Realme será a primeira parceira chinesa.

Isso nos ajudará a aprimorar nosso plano de distribuição no e-commerce, com uma comunicação mais direta com os consumidores, velocidade na entrega e preço competitivo. Com todos esses benefícios, acreditamos que a colaboração com o Mercado Livre ajudará a Realme a crescer.

FB: Por que ser diretor no Brasil?

XS: “Eu não trabalhava com a parte comercial, atuava com pesquisa e desenvolvimento. Então, eu entendo muito do produto e de smartphones no geral. A Realme precisava de lideranças locais no sudeste asiático e no Brasil, e eu optei pelo Brasil depois de uma curta viagem de negócios para cá no início deste ano. Meu inglês não é muito bom e, mesmo assim, não me senti pressionado, senti que as pessoas são muito acolhedoras e abertas.

E os jovens aqui (nosso público-alvo) são cheios de vida, interessados por tecnologia e novidades. E, pessoalmente, sou fã de futebol. Tudo isso contribuiu para a escolha.”

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