14/07/2026

14/07/2026

Search
Close this search box.

Produção de Ovos “Cage-free” É Tendência, Mas Ainda Tropeça no Varejo

“Hoje, 78% do ovo britânico é de galinhas soltas, não é mais de galinhas estritamente confinadas. É uma tendência forte que vai acontecer no Brasil também”, diz Luiz Demattê, presidente da Associação Brasileira da Avicultura Alternativa (AVAL) e diretor técnico e de Sustentabilidade Corporativa do Grupo Korin, um dos principais produtores de aves e ovos orgânicos no País.

Seguem neste mesmo compasso, a Alemanha, a França e a Holanda. “Alguns países inclusive já proibiram manter as galinhas em gaiolas”, afirma ele. No Brasil, esse modelo ainda ocupa uma parcela pequena do mercado. Segundo Demattê, não há estatística que possa cravar os números deste tipo de produção.

No entanto, as estimativas indicam que possa representar entre 1% e 1,5% do total nacional da produção avícola. Isso significa até 930 milhões de ovos, de uma produção histórica de 62,25 bilhões de ovos produzidos em 2025 e um valor da produção de R$ 29,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que reúne grande parte da cadeia produtiva do setor de aves e suínos no País.

A produção foi 59% acima dos 39,18 bilhões registrados em 2015. No mesmo período, o consumo passou de 191 para 288 ovos por habitante ao ano, consolidando o alimento entre as proteínas mais consumidas pelos brasileiros. Quase toda essa produção permanece no mercado interno, que absorve 98,58% dos ovos.

DivulgaçãoLuiz Demattê, presidente da Associação Brasileira da Avicultura Alternativa (AVAL)

“O ovo continua sendo uma das proteínas mais baratas disponíveis ao consumidor”, diz Demattê. “Produzir em sistemas diferenciados exige mais espaço, certificações e manejo específico. Tudo isso aumenta o custo da produção.”

A oferta de ovos produzidos em sistemas alternativos ainda avança lentamente nas redes varejistas e atacadistas. É o que mostra a terceira edição do Observatório do Ovo, levantamento elaborado pela Alianima, organização sem fins lucrativos que atua pela melhoria das condições de vida dos animais utilizados na indústria alimentícia.

O novo relatório, apresentado nesta terça-feira (14), mostra que 64% das redes de supermercados que divulgam indicadores permaneceram estagnadas ou até reduziram a participação de ovos de galinhas livres de gaiolas em suas gôndolas, no último ano.

Além disso, quatro das 17 empresas que assumiram compromisso público de substituir ovos produzidos em gaiolas nunca divulgaram qualquer atualização sobre o andamento das metas. Desde 2015, muitas empresas anunciaram compromissos para até meados de 2028 venderem exclusivamente ovos de galinhas livres de gaiolas. Fato é que a nova pesquisa não mostra muitos avanços neste aspecto. Clique aqui e confira o relatório completo.

Varejo acelera menos do que o mercado

Luiz Mazzon/Getty ImagesSistema de produção de ovos de galinhas livre de gaiolas

Enquanto a produção brasileira continua crescendo, a transição das redes supermercadistas para ovos livres de gaiolas avança em ritmo mais lento. O Observatório do Ovo mostra que as empresas com maior participação desse tipo de produto são Grupo Mateus, St. Marche, GPA, Hirota, Natural da Terra e Verdemar.

Na direção oposta, o Carrefour reduziu a participação de ovos livres de gaiolas de 21,4% para 20,2%, enquanto o Cencosud passou de 14,4% para 14,2%. O Pague Menos deixou de divulgar a atualização dos indicadores nesta edição do levantamento.

No estudo, o Carrefour pontua o desafio desta transição. “A migração para sistemas livres de gaiolas exige investimentos relevantes em infraestrutura, manejo, biosseguridade e adequações sanitárias, ao mesmo tempo em que ocorre em um contexto de sensibilidade a preço e restrição do poder de compra, o que impacta diretamente o ritmo de expansão da demanda.”

O estudo também mostra que Mercadinhos São Luiz, Savegnago, Supermercados BH e DMA Distribuidora nunca apresentaram uma prestação de contas, desde que anunciaram seus compromissos públicos.

Entre as grandes redes sem compromisso formal aparecem Atacadão, Mart Minas, Muffato, Tenda Atacado, Koch, Giassi, Angeloni, Condor, Bahamas, Nagumo e Lopes Supermercados. Das 13 empresas convidadas pela primeira vez a participar do levantamento, apenas o Assaí respondeu aos pesquisadores. Confira abaixo o ranking elaborado pela metodologia do estudo da Alianima.

O ranking de varejistas

100% Cage-free

As redes de supermercados que vendem apenas ovos de galinhas livres de gaiolas

  1. Casa Santa Luzia
  2. Empório Varanda
  3. Cia. Beal de Alimentos
  4. St. Marche

Ranking Varejo 2026

As redes de supermercados que mais pontuaram na pesquisa da terceira edição do Observatório do Ovo

  1. Oba Hortifruti, com 210 pontos
  2. Hippo Supermercados, com 202 pontos
  3. Pão de Açúcar e Extra (GPA), com 156 pontos
  4. Big Box Supermercados, com 134 pontos
  5. Supermercados São Vicente (Cavicchioli), com 118 pontos
  6. Supermercados Pague Menos, com 117 pontos
  7. Carrefour e Sam’s Club (Grupo Carrefour), com 116 pontos
  8. Cencosud, com 68 pontos
  9. Grupo DIA, Záffari, Rissul (UnidaSul) e Mercadinho São Luiz (Grupo MSLZ), com 25 pontos
  10. Supernosso, com 10 pontos

Ranking Atacado 2026

As redes de atacado que mais pontuaram na pesquisa da terceira edição do Observatório do Ovo

  1. Atacadão (Grupo Carrefour), com 76 pontos
  2. Assaí, com 58 pontos
  3. Ultrabox (BigBox), com 41 pontos
  4. Arena Atacado (Cavicchioli), com 40 pontos
  5. Giga e Mercantil Atacado (Cencosud), Macromix Atacado e Mr. Estoque Online (Unidasul), e Mercadão São Luiz (Grupo MSLZ), com 25 pontos
  6. Apoio Mineiro (Supernosso), com 10 pontos

Ovos e seus três modelos de produção nas granjas

cacio murilo de vasconcelos/Getty ImagesCesta com ovos de galinhas livres

Para Demattê, parte dessa expansão depende de o consumidor compreender que existem diferenças importantes entre os sistemas de produção. Segundo o presidente da AVAL, o mercado brasileiro reúne três sistemas distintos de produção de ovos.

  1. Convencional: trata-se de o mais difundido, no qual as galinhas permanecem alojadas em gaiolas durante praticamente toda a vida produtiva.
  2. Cage-free, ou livre de gaiolas: nesse modelo, as aves permanecem soltas dentro dos galpões, podendo caminhar e expressar parte de seus comportamentos naturais, mas sem acesso ao ambiente externo.
  3. Caipira: conhecido internacionalmente como ‘free range’. Além de livres de gaiolas, as aves têm acesso diário às áreas de pastejo, onde podem ciscar, consumir insetos e permanecer ao ar livre.

“Enquanto um aviário convencional pode alojar cerca de 70 mil galinhas, um sistema caipira costuma reunir cerca de 7 mil, com limite de aproximadamente sete galinhas por metro quadrado”, diz Demattê.

O custo de produção nas granjas aumenta de um tipo a outro. Segundo Demattê, do convencional ao cage-free, o aumento é de cerca de 15%. Já do convencional ao caipira, o custo pode chegar até 35% a mais. Segundo o executivo, a velocidade dessa transformação dependerá da capacidade da cadeia produtiva de equilibrar bem-estar animal e competitividade.

Outro desafio apontado pelo dirigente da AVAL é a desinformação do consumidor. Muitas pessoas associam ovos de casca marrom ao sistema caipira, embora a coloração dependa apenas da raça da galinha. “A cor do ovo varia de acordo com a raça e a plumagem da galinha. O que muda é o sistema de produção”, afirma. Segundo ele, essa confusão favorece fraudes e prejudica produtores que seguem integralmente as normas técnicas desenvolvidas pela AVAL em conjunto com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Crise no Estreito de Ormuz pressiona mercados globais: ouça o Diário Econômico

No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que o bloqueio…

Acordo para MP do Frete pode levar texto ao plenário do Senado nesta terça-feira

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta segunda-feira (13) que…

Pecuaristas são contra ‘incorporação’ de exigências da UE à lei brasileira sobre uso de antimicrobianos na produção animal

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso Entidades que representam pecuaristas de diferentes regiões do país…