Divulgação/Imaflora
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O agronegócio brasileiro atinge um novo patamar de sustentabilidade com a certificação da primeira propriedade rural do país pela norma de agricultura regenerativa da Rainforest Alliance.
O processo, conduzido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), coloca a Fazenda Nova Cintra, produtora de café arábica em Espírito Santo do Pinhal (SP), na vanguarda do mercado. Este reconhecimento é visto como uma resposta direta à crescente demanda por produtos que demonstrem responsabilidade ambiental, social e climática.
Para Ben-Hur Rosa, coordenador de Certificação Agrícola do Imaflora, a certificação regenerativa é uma “demanda de mercado” que cria um diferencial claro para as boas práticas. A Nova Cintra, que já possuía o selo de agricultura sustentável desde 2011, agora eleva a régua com a validação de práticas regenerativas em seus 770 hectares.
Critérios de Certificação: Saúde do Solo e Resiliência Climática
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Ben-Hur Rosa, coordenador de Certificação Agrícola do Imaflora.
A nova norma não substitui, mas complementa a certificação de agricultura sustentável, adicionando uma camada de requisitos baseados em evidências. O foco central está em:
- Melhora da saúde e fertilidade do solo;
- Aumento da biodiversidade e manutenção da cobertura natural;
- Resiliência climática e uso responsável de agroquímicos;
- Adoção de manejo integrado de pragas e transparência no registro de dados.
O executivo do Imaflora ressalta que a agricultura regenerativa é uma alternativa inteligente, capaz de recuperar solos degradados e diminuir impactos ambientais, mesmo em culturas mais intensivas.
Os ganhos são claros para o produtor e para o investidor: maior estabilidade do solo, melhor retenção de água, aumento de fertilidade e, consequentemente, de produção, além da redução de custos operacionais.
O Desafio da Mudança e os Passos Iniciais Estratégicos
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Vista dos cafezais certificados da fazenda Nova Cintra.
Segundo Rosa, o maior obstáculo para a adoção da agricultura regenerativa não é uma prática isolada, mas a “resistência à mudança”.
Para superar essa barreira, a chave é a demonstração de resultados concretos que provem o retorno do investimento em novas técnicas.
Para produtores de diferentes portes que desejam iniciar a transição de forma viável, o passo inicial mais estratégico é o investimento na cobertura do solo.
“Mesmo com o simples manejo das plantas espontâneas na entrelinha do café, já é possível obter ganhos significativos, como redução da erosão, conservação da umidade, aumento da matéria orgânica e da biodiversidade,” afirma Ben-Hur Rosa.
Essas práticas iniciais reduzem a necessidade de insumos externos, tornando o sistema produtivo mais resiliente às variações climáticas e, consequentemente, diminuindo os custos de produção.
Do nicho global ao mercado interno
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Abelha faz polinização nas flores de café da fazenda.
A certificação de agricultura regenerativa é impulsionada pela demanda de mercados internacionais exigentes. Contudo, o Imaflora projeta uma expansão dessa tendência no Brasil. Essa evolução será fomentada por dois fatores:
- O avanço de legislações e compromissos corporativos globais, que forçam as cadeias de abastecimento a elevarem seus padrões de sustentabilidade.
- O surgimento de uma nova geração de consumidores brasileiros que valoriza a transparência e a sustentabilidade dos produtos.
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Detalhe dos frutos de café certificado pelo Imaflora.
Embora o movimento comece em nichos internacionais, ele deve atuar como um catalisador para elevar o padrão da produção nacional, abrindo oportunidades para um mercado interno cada vez mais consciente.
A Fazenda Nova Cintra torna-se um modelo de que o setor agrícola nacional tem o capital técnico necessário para se adaptar às novas realidades de clima e mercado.