19/05/2026

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Preço da ureia sobe 30% com conflito no Oriente Médio e ameaça safra 2026/27 em MT

Foto: Imea

O conflito no Oriente Médio atingiu o centro do planejamento financeiro do campo em Mato Grosso. Desde o início do conflito, o preço futuro da ureia saltou 30,65%, atingindo a marca de US$ 618 por tonelada em 5 de março. O choque de preços é reflexo direto dos entraves no Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento global de fertilizantes que agora enfrenta navios retidos e disparada nos custos de frete e seguros.

O agravamento da crise ocorre justamente na janela em que o Brasil intensifica a reposição de estoques de nitrogenados e fosfatados. Em Mato Grosso, a preocupação é imediata para o milho, principalmente, e a soja da safra 2026/27. Com o mercado global volátil, o setor produtivo se vê exposto a custos mais elevados antes mesmo de consolidar as compras de insumos para o próximo ciclo.

Até o momento, o ritmo de negócios para a temporada 2026/27 está em estágio inicial no estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que apenas 5,95% das necessidades de fertilizantes para o milho foram adquiridas. O atraso na comercialização de fertilizantes de 7,85 pontos percentuais abaixo da safra passada, somado à dependência externa, deixa as margens de lucro dos agricultores sob forte pressão.

Impacto nas margens e custos

Em simulações para o milho de alta tecnologia na região de Sinop, o Imea calculou que a alta de 30% nos nitrogenados eleva o Custo Operacional Efetivo (COE) em 4,68%. Na prática, o produtor terá que colher 5,90 sacas de milho a mais por hectare apenas para cobrir o custo adicional com a ureia. O estudo também indica que, a cada 10% de aumento por ponto de nitrogênio, o impacto no COE é de 1,97 saca por hectare.

Na soja, o sinal de alerta foca nos fosfatados, já que o estado depende de Egito e Israel para 58,91% do suprimento desse insumo.

Para o coordenador de Inteligência Agropecuária do Imea, Rodrigo Silva, o risco transcende a oscilação pontual dos preços internacionais. “O Estreito de Ormuz ocupa posição estratégica no escoamento de petróleo, gás natural e no transporte de fertilizantes produzidos no Oriente Médio. Com navios retidos, seguros marítimos mais caros e risco de restrição de oferta, o agronegócio brasileiro pode enfrentar inflação no custo de produção e pressão sobre as margens”, afirma.

A análise técnica reforça que a combinação entre logística travada e alta de preços compromete a previsibilidade do setor. Caso o cenário geopolítico não arrefeça, a tendência é que Mato Grosso entre na safra 2026/27 com o custo de produção mais caro da história recente e menor rentabilidade para o agricultor.


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