O crescimento de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre reforçou a percepção de uma economia resistente no início de 2026. Mas, para economistas, o cenário favorável deve perder força ao longo dos próximos meses.
Juros elevados, pressão inflacionária, tensões geopolíticas envolvendo o petróleo e riscos climáticos associados ao possível fortalecimento do El Niño estão no radar do mercado como uma ameaça para a atividade econômica no segundo semestre.
O PIB foi Impulsionado por agropecuária, construção civil, petróleo e consumo das famílias e parte das casas avalia que esses motores têm caráter temporário ou concentrado em poucos segmentos da economia.
Na avaliação de Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, a desaceleração da atividade deve aparecer gradualmente nos próximos trimestres diante dos efeitos acumulados da política monetária restritiva.
“Apesar do forte desempenho do PIB no primeiro trimestre, esperamos que a atividade desacelere ao longo dos próximos trimestres, refletindo o grau de contração monetária em vigor”, afirmou.
O dado do IBGE mostrou que a indústria cresceu 1,0% no trimestre, puxada principalmente pela construção civil e pelas indústrias extrativas, ligadas à produção de petróleo e gás. Já os serviços avançaram apenas 0,5%, com destaque negativo para transporte e armazenagem.
Para Rafael Perez, economista da Suno Research, o resultado da indústria continua bastante concentrado em segmentos menos dependentes de crédito, enquanto áreas mais sensíveis aos juros seguem mostrando fragilidade.
“A indústria de transformação permaneceu praticamente estagnada, refletindo os efeitos das condições financeiras mais restritivas”, disse.
Segundo ele, o consumo das famílias ainda continua sendo sustentado por uma combinação entre mercado de trabalho aquecido, aumento da renda, expansão do crédito e medidas fiscais do governo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O economista avalia, porém, que o ambiente tende a ficar mais desafiador ao longo do ano diante do elevado endividamento das famílias, dos juros altos e do aumento das incertezas eleitorais.
Outro ponto de atenção para o mercado é o cenário externo. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo e reacendeu preocupações com inflação global. Para economistas, combustíveis mais caros podem pressionar custos de transporte, logística e alimentos no Brasil.
Ao mesmo tempo, analistas monitoram possíveis impactos climáticos associados ao El Niño sobre a produção agrícola e o setor de energia. O receio é que eventos climáticos extremos afetem safras, pressionem preços de alimentos e ampliem a volatilidade da inflação em um momento em que o Banco Central ainda enfrenta dificuldades para convergir os índices à meta. Que o El Ninõ vai acontecer é uma certeza, só não se sabe o tamanho dos seus efeitos, segundo apurou a Forbes Brasil. A preocupação ganha peso porque boa parte da força do PIB no início do ano veio justamente do agronegócio. A agropecuária cresceu 2,0% no trimestre, beneficiada pela safra recorde de soja.