21/04/2026

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Os 4 Cavaleiros do Novo Uísque Francês, Mas Agora de Centeio e Orgânico

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Os amigos Jean Dujardin, Antoine Gravouil, Olivier Carsoule, e Éric Roux

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Na região francesa de Bordeaux, quatro amigos — Jean Dujardin, Antoine Gravouil, Olivier Carsoule e Éric Roux — fundaram a Aventure, a primeira destilaria francesa dedicada ao uísque de centeio (rye whisky), um uísque orgânico inspirado nas tradições americanas.

Instalada em um antigo armazém no bairro de Bacalan, a destilaria defende uma abordagem artesanal e uma forte conexão local, no coração de uma cidade mais acostumada ao vinho do que aos alambiques. O encontro com os quatro fundadores da Aventure tem sido para provar que um uísque francês pode ter personalidade.

Tudo começou em um jantar entre amigos em Londres. Três financistas franceses — Antoine Gravouil, Olivier Carsoule e Éric Lafon — decidiram mudar de vida e produzir seu próprio uísque de centeio. Jean Dujardin, amigo de infância de Olivier, juntou-se ao trio. Juntos, se estabeleceram em Bordeaux “porque é aqui que se entende a madeira, o tempo e o envelhecimento”. Em seu armazém urbano, rústico e sem climatização, os barris de centeio orgânico francês absorvem as variações térmicas locais. Três cuvées inaugurais acabam de ser lançadas.

Qual é o momento que vocês mais gostam nesta aventura? A destilação? O engarrafamento?
Antoine Gravouil: Não, o engarrafamento não é a parte mais divertida. O melhor momento é a degustação dos barris. Dois ou três anos depois, descobrir o resultado… Cada um tem seu nome, sua história. Nós os deixamos descansar, depois provamos. É um verdadeiro prazer. Engarrafar é bem repetitivo, mas provar direto do barril é uma experiência sensorial única.

Grandes nomes do uísque dizem que 90% da qualidade de um uísque vem do barril e apenas 10% da destilaria. Você concorda?
Antoine Gravouil: Quase. Noventa por cento é um pouco exagerado, mas ele não está errado. Hoje temos equipamentos de brassagem e destilação muito eficientes, mas a parte mais empírica e natural continua sendo o envelhecimento. Eu diria mais 70/30.

Como foi o processo de envelhecimento em barris do seu uísque?
Antoine Gravouil: Escolhemos barris muito variados, e principalmente um armazém que deixamos aberto, exposto a temperaturas e umidade extremas. Essas variações térmicas marcam o uísque, dão corpo e potência.

O rye whisky ainda é raro na França. Por que escolheram o centeio?
Antoine Gravouil: Justamente porque é raro. É um segmento pouco explorado, e é um tipo de uísque que gostamos. Queríamos fazer um à nossa imagem, mas também apresentá-lo ao público. Existem centeios importados na França que nem sempre são os melhores. Aqui, esperamos oferecer um verdadeiro uísque de centeio francês, de qualidade.

Jean Dujardin, qual é o seu papel nessa aventura?
Jean Dujardin: Estou aprendendo! Tento compreender, falar sobre isso, me instruir. É um produto francês, artesanal, o centeio vem do norte da França. Achei isso muito atraente. E é uma aventura ligada à terra, às raízes, algo muito concreto.

Esse vínculo com o terroir, bem distante do seu ofício de ator, foi o que o atraiu?
Jean Dujardin: Sim, também. E fazer um uísque em Bordeaux é uma pequena provocação, não acha? (sorri). Aliás, incentivo as pessoas a irem fazer a degustação em Bacalan: você sai de lá menos ignorante e um pouco mais feliz. É fascinante entender como se transforma um grão em um produto de qualidade. E isso dá um novo impulso a Bordeaux, onde o vinho vive tempos difíceis.

Muitas personalidades se lançam no setor de destilados: Brad Pitt, George Clooney… Qual é sua participação concreta no projeto Aventure?
Jean Dujardin: A gente põe a mão na massa! Brad Pitt, George Clooney talvez façam isso de longe. Nós, provamos juntos, discutimos o conceito, ajustamos. Tudo é muito vivo e ainda jovem: apenas cinco ou seis anos. Estamos começando, estamos felizes, ansiosos.

É uma mistura de emoções. E também é uma aventura humana: há curiosidade, rigor, partilha. Não é uma jogada de marketing: é um projeto verdadeiro, que quisemos construir devagar, como se envelhece um uísque. Estamos no começo, e isso é ao mesmo tempo empolgante e um pouco vertiginoso. Espero que as pessoas gostem.

Como você definiria o seu uísque?
Antoine Gravouil: Temos três cuvées muito diferentes. A primeira, com notas de cereais e especiarias. A segunda, mais intensa, com destaque para madeira e caramelo. A terceira, envelhecida em barris de carvalho francês e de vinho tinto, desenvolve notas de uva, corinto e mel. São três expressões raras, intensas, ousadas e que nos agradam.

E quanto ao financiamento? Permaneceram entre amigos?
Olivier Carsoule: Sim, entre amigos e família. Somos quatro sócios principais, e alguns próximos também participaram da captação. É uma aventura coletiva, quase artesanal também em sua estrutura.

O uísque exige tempo: sete anos entre a construção, a destilação e o envelhecimento. Durante esse período, não há retorno. Felizmente, produzimos outros destilados para gerar caixa, principalmente gim. Mas a rentabilidade começa agora: nossos uísques acabam de ser engarrafados.

Diante da tendência “sem álcool”, o que vocês pensam sobre destilados sem álcool?
Jean Dujardin: Certamente há um público para isso. Mas não é preciso colocar tudo em oposição. Entre o consumo excessivo e a degustação, há uma diferença enorme. O uísque é um prazer lento, pensado. Não é feito para causar mal. Pode-se gostar de uísque na segunda e não beber nada na terça. É uma questão de medida — uma palavra que já não significa nada, mas que deveria ser reabilitada.

Você não tem medo da cobrança do público?
Jean Dujardin: Se começarmos a ter medo nesse ofício, não fazemos mais nada.

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