27/05/2026

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O Que Faz a Agropecuária Grande Lago Ser Referência em Bem-estar Animal Pela 4ª Vez Seguida

“O bem-estar animal vem trazendo ganhos não apenas de performance do gado, mas também em menos perdas no abate, e esse conjunto de fatores tem sido muito positivo para a Grande Lago.”

A fala de Paulo Emílio Franco Prado, CEO do Grupo CDM, ajuda a explicar por que o bem-estar animal deixou de ocupar apenas o campo reputacional da pecuária para entrar definitivamente na conta financeira das fazendas. O tema passou a interferir diretamente em produtividade, eficiência operacional, padronização de manejo, retenção de mão de obra e acesso a mercados mais exigentes.

É dentro dessa lógica que a Agropecuária Grande Lago, em Jussara, município localizado no noroeste do estado de Goiás, acaba de alcançar a quarta certificação consecutiva em bem-estar único, protocolo desenvolvido pela MSD Saúde Animal e considerado hoje um dos sistemas mais rigorosos de auditoria da pecuária brasileira, o qual valida o sistema de produção como um todo, avaliando na prática a interdependência entre animais, pessoas e ambiente.

A MSD apresentou em primeira mão para a Forbes Agro os resultados desta nova onda de certificações pelo País. Em 2024, a companhia certificou 12 novas unidades produtivas. Já em 2025, esse número totalizou 50 unidades, um aumento de 316%. Para este ano, a expectativa é chegar a 100 propriedades certificadas, entre produções de bovinos, suínos e aves.

A operação da Grande Lago foi a primeira propriedade do país a atingir o padrão ouro da metodologia e acabou se tornando referência para outras fazendas que buscam adequação ao modelo.

“É difícil mensurar até onde queremos chegar monetariamente, mas continuar na vanguarda do bem-estar animal sempre foi o nosso objetivo, e os resultados já estão aparecendo há alguns anos. Certificações internacionais estão na nossa pauta”, diz Prado.

DivulgaçãoVista aérea do confinamento de bovinos de corte da Agropecuária Grande Lago

Ligada ao mineiro Grupo CDM e à Plena Alimentos, holding de proteína animal que faturou R$ 3,98 bilhões em 2025 e apareceu entre os destaques da Lista Agro100 da Forbes em 2025, a Grande Lago opera um dos maiores confinamentos de bovinos de corte da América Latina. A estrutura possui capacidade estática para 85 mil animais e potencial de abate de 180 mil cabeças por ano.

O mais relevante, porém, não está apenas no tamanho da operação. Está na forma como ela passou a integrar gestão de pessoas, infraestrutura, sanidade, rastreabilidade e manejo racional dentro de uma mesma estratégia operacional.

O bem-estar animal saiu do discurso e entrou na produtividade

DivulgaçãoAntony Luenenberg, da MSD Saúde Animal

A discussão sobre bem-estar animal avançou rapidamente dentro da pecuária brasileira nos últimos anos, mas ainda existe uma diferença grande entre discurso e implementação prática. No caso da Grande Lago, a transformação começou antes mesmo da criação da certificação.

O confinamento participou, ainda em 2015, das primeiras ações do programa Criando Conexões, iniciativa lançada pela MSD Saúde Animal para disseminar técnicas de manejo racional e de baixo estresse em fazendas de corte.

“Hoje eu acredito que bem-estar é dever de casa; a gente tem que fazer porque isso aumenta a produtividade”, afirmou Antony Luenenberg, coordenador técnico de Bem-Estar Animal na MSD Saúde Animal.

Segundo ele, o Brasil foi justamente o país onde o programa ganhou maior escala. O avanço levou a MSD a estruturar um protocolo nacional próprio depois de encontrar limitações tanto em certificadoras internacionais quanto nacionais.

As estrangeiras tentavam aplicar modelos europeus e americanos incompatíveis com a realidade sanitária brasileira. Já as nacionais concentravam simultaneamente o protocolo e a auditoria, o que, na visão da companhia, comprometia a independência do processo.

A solução foi criar um sistema auditado por terceira parte, baseado em mais de 170 critérios ligados aos pilares animal, humano e ambiental.

A auditoria vai muito além do curral

DivulgaçãoJúnior Caetano, gerente-geral de Operações da Agropecuária Grande Lago

O protocolo de bem-estar único avalia desde rastreabilidade sanitária até gestão financeira da propriedade. Entram na conta uso racional da água, armazenamento de medicamentos, controle ambiental, segurança do trabalho, capacitação das equipes, alimentação, ergonomia e estrutura oferecida aos funcionários.

“Não é uma auditoria simples, é uma auditoria muito pesada. São muitos itens que são avaliados e considerados”, afirmou Júnior Caetano, gerente-geral de Operações da Agropecuária Grande Lago.

Caetano acompanha o projeto desde a implantação da fazenda. Zootecnista e especialista em gestão de projetos, participou da construção da operação desde o início e afirma que a certificação acabou validando uma cultura que já vinha sendo construída internamente.

“Quando surgiu essa proposta, a gente não precisou sair correndo e adaptar ou adequar nada, porque tudo isso que é auditado, tudo isso que é exigido, para nós já era cultura.”

A estrutura da fazenda ajuda a explicar esse processo. O confinamento ocupa uma área superior a 100 hectares e possui 25 quilômetros de vias asfaltadas para reduzir poeira e melhorar a eficiência logística. Há biodigestores, lagoas de decantação, sistemas de controle hídrico e armazenamento climatizado para medicamentos veterinários.

Mas um dos pontos que mais chamam atenção dentro da operação está na infraestrutura voltada aos colaboradores e até o atendimento de um pleito trabalhista que ainda não é a realidade para a grande maioria dos trabalhadores no país, o fim da escala 6×1. A fazenda já trabalha com escalas 5×2 e 6×3.

Além disso, mantém alojamentos climatizados, moradias unifamiliares e programas de participação nos lucros para todos os funcionários vinculados às metas do orçamento operacional.

“O resultado que nós vamos obter é diretamente proporcional à condição que você entrega para a pessoa”, diz Caetano.

Na prática, o modelo busca atacar um dos maiores gargalos atuais da pecuária intensiva brasileira: retenção de mão de obra qualificada em operações localizadas longe dos grandes centros urbanos.

A nova régua da pecuária global

DivulgaçãoBovinos de corte em área de confinamento

Os números mostram que a certificação começa a ganhar velocidade dentro do setor.

“O mercado está mudando a régua de exigência, e a certificação atende a quatro necessidades urgentes do produtor moderno: legitimidade e transparência, melhoria nos índices zootécnicos, retenção de talentos e acesso ao mercado externo”, afirmou Luenenberg.

A própria Grande Lago funciona hoje como uma espécie de fazenda-modelo do protocolo. Segundo a MSD, os processos desenvolvidos dentro da operação serviram como referência para validação técnica do sistema aplicado em outras propriedades.

Mas a operação do Grupo CDM não está sozinha no avanço do padrão ouro dentro da certificação. Outras propriedades e companhias do agronegócio brasileiro também conquistaram o nível ouro com 100% de conformidade nas auditorias definidas pela MSD.

Na pecuária de corte, estão nesse grupo a RAS 3i, em Barretos (SP), o Confinamento Monte Alegre (CMA), também em Barretos, as Fazendas Reunidas Baumgart, em Rio Verde (GO), e a CFSO Agropecuária, em Porto Franco (MA).

No leite, alcançaram a classificação máxima a Fazenda Tucaninha, em Passos (MG), e a Fazenda São Benedito, em Três Corações (MG). O protocolo também já avançou para outras cadeias produtivas, como a Master Agroindustrial S/A, em Videira (SC), na suinocultura, e a Avivar, em São Sebastião do Oeste (MG), na avicultura.

A expansão para diferentes sistemas produtivos reforça o movimento de transformação do conceito de bem-estar em uma agenda operacional mais ampla dentro do agronegócio, envolvendo gestão, produtividade, ambiente de trabalho e sustentabilidade.

O impacto aparece dentro da porteira. O confinamento da Grande Lago trabalha com média de 23 arrobas de carcaça ao abate, desempenho acima de boa parte das operações nacionais que gira entre 16 a 18 arrobas. A eficiência é atribuída à padronização dos manejos, redução de estresse e rigor sanitário.

“Quem está dentro desses critérios que a gente tem na certificação é uma fazenda que é mais produtiva. Ela vai pensar nas pessoas, nos processos e no bem-estar dos animais”, disse Luenenberg.

A cultura virou ativo estratégico

DivulgaçãoEstrutura de curral para manejo de bovinos na Agropecuária Grande Lago

Para Paulo Emílio Franco Prado, a principal mudança provocada pelo projeto não foi estrutural, mas cultural.

“A mudança cultural de respeito aos animais é o que mais tem impactado no nosso negócio, pois são anos de trabalho com grande respeito aos animais e, hoje, percebemos claramente como isso faz parte da nossa cultura.”

O executivo afirma que o grupo pretende ampliar a agenda de certificações internacionais nos próximos anos, mas evita tratar o tema apenas pela ótica comercial.

Na avaliação dele, o principal desafio da pecuária brasileira continua sendo transformar protocolo em cultura permanente.

“Tem que querer fazer e tem que envolver toda a equipe, mas não apenas com cobranças, mas, sim, com exemplos. Estamos nesse processo desde 2015 e estaremos sempre.”

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