20/05/2026

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O Papel Decisivo das Parcerias Público-privadas para a IA Soberana no Brasil

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Enquanto a Inteligência Artificial (IA) evolui rapidamente – com perspectiva de movimentar US$ 1,5 trilhão globalmente neste ano, segundo o Gartner – e já provoca transformações na economia e na sociedade, nações como o Brasil precisam olhar com cuidado para políticas e regulamentações que garantam que esse avanço traga benefícios reais para a economia e os cidadãos. Ou seja, precisamos estabelecer uma soberania na qual esse poder transformador da IA seja usado como um alavancador para potencializar o desenvolvimento da economia e da sociedade brasileira e não aumente ainda mais os problemas socioeconômicos, incluindo a transformação digital de setores prioritários, democratizando o acesso à educação, saúde e outros serviços públicos.

Apesar dos governos de muitos países, incluindo do Brasil, já estarem criando marcos regulatórios e políticas para gerenciar os desafios da IA, é difícil enfrentar isoladamente o ritmo acelerado do avanço tecnológico. Para se manter competitivo no cenário global e, principalmente, converter oportunidades em ganhos econômicos reais para o país, agora é o momento em que governo e setor privado devem trabalhar juntos em um plano de IA soberana. Ou seja, precisamos ter capacidade como nação de desenvolver as soluções de inteligência artificial, usando infraestrutura, dados, força de trabalho e cadeias de negócio nacionais.

Nessa dinâmica público-privada para o avanço da IA soberana, os governos desempenham um papel essencial, fornecendo a visão e as estruturas regulatórias necessárias para as iniciativas de IA. Enquanto isso, o setor privado contribui com a experiência, a inovação e a escalabilidade necessárias para garantir que esses esforços se traduzam em sucesso sustentável e de longo prazo.

Um relatório publicado pela CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) alerta que, ao mesmo tempo em que a IA pode otimizar processos, melhorar a tomada de decisões e criar serviços mais eficientes aos cidadãos, por outro lado, ela tem o potencial de aprofundar ainda mais as lacunas socioeconômicas preexistentes em países em desenvolvimento como o Brasil, em especial, se não agirmos para reduzir os problemas associados à infraestrutura, educação e investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Uma IA soberana, robusta e coerente pode ajudar a enfrentar esses desafios.

O Plano Nacional de Data Centers, aprovado pelo governo brasileiro em setembro deste ano, representa um exemplo da importância dessa parceria público-privada para a IA soberana na questão de investimentos em infraestrutura. Criado para atrair investimentos privados estrangeiros na instalação de data centers de IA no país, ele terá um papel essencial de garantir e controlar que os mais de 2 bilhões que devem ser injetados por essas empresas no Brasil se transformem em avanços reais para a economia, indústria e a sociedade brasileiras.

Sob o conceito de IA soberana, o Plano Nacional de Data Centers precisa privilegiar que esses novos data centers instalados no país não só atendam aos interesses externos, mas que, principalmente, garantam contrapartidas que beneficiem o Brasil, ao exigir a aquisição de equipamentos produzidos no país e a garantia na geração de oportunidades de emprego e investimentos em pesquisa e desenvolvimento locais.

Outro pilar essencial para o avanço da IA soberana no Brasil está no investimento em formação de profissionais. Considerando que historicamente um dos principais desafios em TI no mercado brasileiro é a falta de mão de obra, essa situação tende a ser potencializada com a inteligência artificial. Urge a necessidade de governo e iniciativa privada se unirem para a criação de políticas e programas que acelerem a capacitação de profissionais para novas áreas de conhecimento exigidas pela inteligência artificial para que o país não se torne cada vez mais dependente de profissionais estrangeiros.

Ou seja, se quisermos como país, nos beneficiar das infinitas possibilidades proporcionadas pela IA, precisamos trabalhar de forma coordenada como governo, empresas e sociedade, para aproveitarmos essa oportunidade de forma inteligente e exercer o protagonismo que ela nos oferece.

Luis Gonçalves é presidente da Dell Technologies para a América Latina.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores

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