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O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) está reconfigurando o equilíbrio entre inovação, ética e poder global. À frente da OpenAI, Sam Altman tem defendido que o futuro da IA não será apenas técnico, mas também político, econômico e humano.
Durante um painel recente em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na Gitex Expand North Star 202, Altman destacou o papel estratégico que países como os Emirados vêm desempenhando ao adotar a IA como eixo central de desenvolvimento nacional. Ele elogiou a liderança do país e defendeu que outras nações criem suas próprias estratégias de inteligência artificial, com base em ética, cooperação e visão de longo prazo.
Em suas falas, o executivo também abordou o impacto do GPT-5, o papel da IA na produtividade e o conceito de “coevolução” entre tecnologia e sociedade, uma visão que propõe harmonia entre o avanço técnico e as necessidades humanas. A seguir, os principais trechos da fala de Sam Altman.
“Estamos apenas no começo de algo extraordinário”
A nova era da IA ainda está em sua infância, mas o impacto será exponencial nos próximos anos. A inteligência artificial já chegou, e acredito que todos fomos convidados para participar dessa nova era. Ainda estamos muito no começo dessa jornada, e veremos as pessoas fazendo coisas realmente extraordinárias com a IA em uma escala muito maior nos próximos um ou dois anos.
“Cada país precisa de uma estratégia nacional de IA”
A liderança dos Emirados Árabes serve de exemplo de como governos podem abraçar a tecnologia de forma estruturada e responsável. Nós acreditamos que todo país precisará de uma estratégia clara para a IA. Ela precisa ser uma prioridade central para a liderança nacional. O Sheikh Tahnoon tem sido um amigo pessoal há muito tempo, e a liderança dos Emirados Árabes Unidos nesse tema tem sido inspiradora de acompanhar. Espero que isso sirva de exemplo para o resto do mundo sobre o que significa um país realmente abraçar a IA e torná-la parte essencial de seu futuro. Estamos honrados em ser parceiros nisso e esperamos que outras nações também se inspirem a trazer inteligência artificial para os cidadãos, para os processos governamentais e para as economias. Esse é um nível muito alto de investimento estrutural — e é impressionante de ver.
“A IA é uma construção coletiva: é preciso uma vila global”
O que eu mais gosto nesse movimento é que ele conecta a economia global como um todo — muitas empresas, em muitos níveis e países, trabalhando juntas. Fazemos isso porque acreditamos que a IA será boa para as pessoas, para os países e para o mundo. Mas essa não é uma jornada que um único país possa fazer sozinho. É preciso uma vila — uma colaboração global.
“O impacto econômico da IA será maior do que imaginamos”
Produtividade, ciência e crescimento estão apenas começando a ser transformados. Um bom exemplo do que já está acontecendo é o impacto do Codex na engenharia de software. Indivíduos e empresas inteiras estão se tornando muito mais produtivos do que nunca. Se imaginarmos esse mesmo efeito em todos os tipos de trabalho intelectual, na ciência e no crescimento econômico, podemos ver facilmente o tamanho do impacto que a IA terá na economia — e talvez em algo ainda maior.
“A ciência é o coração do progresso humano”
Essa é, pessoalmente, a parte mais empolgante. Eu acredito que o progresso científico é a base do progresso humano e econômico. O fato de que, pela primeira vez, o GPT-5 está fazendo pequenas, mas reais descobertas científicas é extremamente animador — e algo que esperávamos há muito tempo. Acho que existe uma visão comum de que a tecnologia é algo que simplesmente acontece à sociedade, e que a sociedade precisa apenas reagir. Mas, na minha experiência, o que realmente ocorre é uma coevolução. A tecnologia avança um pouco, a sociedade muda, e então a tecnologia evolui novamente — e assim sucessivamente. É um processo contínuo de coevolução, muito mais estável, saudável e representativo da maneira como devemos enxergar o futuro.