15/04/2026

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Nova Planta de Biometano da Cocal Impulsiona sua Ambição de Ser a 1ª Usina Net Zero do Setor

Rodrigo Paiva/Cocal

Vista aérea da 2ª usina de biometano da Cocal em Paranguaçu Paulista (SP)

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A Cocal, empresa 100% nacional com mais de quatro décadas no setor bioenergético, deu um passo decisivo em sua estratégia de descarbonização ao inaugurar neste final de semana sua segunda planta de biogás no oeste de São Paulo, em Paraguaçu Paulista (na região de Presidente Prudente e a cerca de 470 quilômetros da capital paulista).

Com um investimento de R$ 216 milhões, realizado em parceria com o BNDES, a nova unidade tem capacidade para produzir até 60 mil metros cúbicos por dia de biometano durante a safra.

O projeto é a peça-chave para a ambiciosa meta da Cocal, associada da Copersucar: se tornar a primeira usina Net Zero em emissões de carbono do setor sucroenergético no Brasil.

A produção de biometano utiliza resíduos nobres da cana-de-açúcar – a vinhaça e a torta de filtro – além de esterco animal de uma granja da região, reforçando o conceito de economia circular.

Cocal

Divulgação/Cocal

André Gustavo Alves da Silva, diretor Comercial e de Novos Produtos do Grupo Cocal

“A nossa ambição é chegar, de fato, a ser a primeira usina Net Zero, em termos de emissão,” afirmou André Gustavo Alves da Silva, diretor Comercial e de Novos Produtos do Grupo Cocal.

O Grupo Cocal se posiciona não apenas como um produtor de açúcar e etanol, mas como uma plataforma integrada de bioenergia e bioprodutos. No ano passado, o grupo registou uma receita líquida de R$ 2,6 bilhões na safra 2024/2025, o que representou um leve aumento de 0,8% perante a safra 2023/2024.

A primeira planta de biometano da Cocal entrou em atividade no final de 2021, na unidade de Narandiba (SP). As duas plantas utilizam tecnologia nacional na produção do biogás, uma parceria com a empresa Geo bio gas&carbon.

Verticalização e o modelo de negócios ‘over the fence’

Rodrigo Paiva/Cocal

Nova usina de biometano da Cocal em Paraguaçu Paulista (SP)

A estratégia de crescimento da Cocal se baseia na verticalização e no conceito “over the fence” (além da cerca), que integra a usina a novos parceiros industriais e agropecuários, transformando resíduos em fontes de receita e insumos.

O acordo com a Granja Shida, por exemplo, é um modelo de sustentabilidade: a granja fornece esterco para a Cocal produzir o biometano, e a Cocal, em troca, fornece energia elétrica e o biometano para os aquecedores de aves e a operação geral da granja, localizada na região.

A usina atua como um hub que fornece insumos (biometano, energia, carboidrato) e processa os resíduos dos parceiros, fechando o ciclo de sustentabilidade para terceiros.

A distribuição do biometano para clientes industriais e comerciais será feita via Gás Natural Comprimido (GNC) em caminhões. A longo prazo, a Cocal planeja utilizar o próprio biometano para abastecer esses caminhões, substituindo o diesel em um ciclo completo que garante quase zero emissões poluentes da produção à entrega.

Vantagem competitiva: desconexão do dólar e redução de custos

A arquitetura comercial do biometano da Cocal oferece vantagens financeiras substanciais para clientes e para a própria usina.

  • Proteção cambial: a Cocal está precificando seus contratos de longo prazo majoritariamente em real. Essa estratégia desvincula o preço do biometano da volatilidade do dólar e do petróleo (Brent), grandes vetores de incerteza para o gás natural fóssil e o diesel.
  • Alta contratualização: a robustez da demanda é confirmada pela rápida contratação: 50% da capacidade total da nova planta (60.000 m³/dia) já está fechada em acordos de longo prazo, com o restante em negociação avançada.
  • Economia interna de 30%: a migração do diesel para o biometano na frota própria da Cocal (que já opera 60 equipamentos e visa expandir) gera uma economia de custos significativa. A experiência da empresa aponta para uma redução de 30% no custo do combustível interno, aumentando diretamente a margem do etanol e do açúcar.

A alavanca dos biofertilizantes: ESG e eficiência agrícola

Cocal

Rodrigo Paiva/Cocal

Caminhões com cilindros de biometano na unidade da Cocal

A sustentabilidade da Cocal é duplamente lucrativa. Após a produção do biogás, as matérias biodigeridas estão ricas em nutrientes e são reaplicadas nos canaviais como biofertilizantes. Isso representa hoje cerca de 50% da necessidade de nutriente da cana-de-açúcar da usina.

Este modelo de circularidade financeira ataca o principal ponto de emissão da Cocal. Cerca de 92% das emissões totais da empresa vêm do setor agrícola, sendo 70% delas oriundas dos fertilizantes fósseis.

“Quando a gente substitui o fertilizante pelo biofertilizante, a gente reduz em 75% as emissões,” destacou o diretor, apontando a “principal economia” em termos de sustentabilidade.

Essa drástica redução de 75% nas emissões agrícolas é vital para o valor dos ativos verdes da Cocal e para a validação de seus CBios (Créditos de Descarbonização), além de fortalecer a economia nacional ao desvincular a usina da importação de insumos fósseis.

O sucesso do projeto garantiu o enquadramento em linhas de Climate Finance e crédito incentivado do BNDES, como o Fundo Clima, confirmando a validação do mercado financeiro à sua tecnologia de baixo carbono.

O que é o grupo Cocal

  • Gerencia 152 mil hectares de áreas, operando como uma “grande fazenda que industrializa e distribui” seus produtos agregados.
  • Processa 8,7 milhões de toneladas de cana por safra, produzindo açúcar (seu principal produto) e etanol (anidro e hidratado).
  • A Cocal se destaca como um player na exportação de energia, utilizando uma das três fontes que compõem sua matriz energética. A principal fonte de energia vem da cogeração com o bagaço de cana, com uma produção de 470 mil megawatt-hora (MWh), reforçando sua atuação como um exportador de eletricidade.

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