21/04/2026

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Nardini Compra a Domenis 1898

Divulg/ForbesItalia

Michele Viscidi, CEO da Nardini

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O universo dos destilados italianos vive uma fase de intensa transformação. Após anos de estagnação e fragmentação, observa-se uma aceleração nos processos de agregação, com empresas históricas e de grande valor cultural sendo adquiridas por grupos independentes, muitas vezes ainda sob gestão familiar. A notícia mais recente é a aquisição da friulana Domenis 1898 pela Destilaria Nardini, a mais antiga da Itália, fundada em Bassano del Grappa em 1779.

A operação ocorre poucas semanas após outra aquisição de destaque: a da tradicional marca Cinzano pelo Grupo Caffo 1915. Dois patrimônios produtivos profundamente enraizados em seus territórios encontram agora nova força em grupos capazes de pensar em grande sem sacrificar identidade e qualidade.

Esses movimentos indicam uma mudança significativa: não se trata de salvar marcas em dificuldades, mas de construir polos nacionais de destilação. A aquisição da Domenis 1898 pela Nardini se insere nesse contexto: duas excelências que se unem não para mudar de identidade, mas para se fortalecer mutuamente e ampliar sua presença nos segmentos mais qualificados dos mercados italiano e internacional.

A operação Nardini-Domenis 1898

O que motivou a Nardini não foi uma lógica financeira, mas uma visão industrial de longo prazo. Conforme informado no comunicado da empresa, a aquisição da Domenis 1898 representa “uma oportunidade concreta para reforçar o posicionamento do grupo no mercado premium e valorizar ainda mais a cultura da grappa de excelência”. A visão é clara: crescer estruturalmente, não apenas por meio do desenvolvimento orgânico, mas também pela integração de marcas com histórias, valores e mercados de referência semelhantes.

A Domenis aporta um patrimônio de conhecimento e reputação. Seu produto símbolo, a Storica Nera, é um dos exemplos mais reconhecidos de grappa de qualidade. Soma-se a isso a expertise no canal on trade e uma distribuição bem estabelecida, que a Nardini poderá integrar à sua própria força comercial.

Um dos pontos mais relevantes da operação diz respeito à preservação da identidade territorial: a produção continuará em Cividale del Friuli, utilizando exclusivamente bagaço de uva friulano e equipamentos tradicionais de caldeirinha, conforme a tradição da Domenis. A Nardini também se compromete a investir na planta friulana para melhorar sua eficiência e sustentabilidade, sem descaracterizar as técnicas e a filosofia produtiva.

A integração entre as duas marcas permitirá sinergias logísticas, distributivas e organizacionais relevantes, sempre dentro de um modelo que valoriza a continuidade e a valorização da produção artesanal.

“A Domenis representou desde o início uma oportunidade única, pelo valor da marca, a qualidade dos produtos e a coerência com nossa visão estratégica”, disse Michele Viscidi, CEO da Nardini.

Como o setor de destilados está mudando na Itália

A operação Nardini-Domenis, assim como a recente entre Caffo e Cinzano, marca uma mudança de paradigma. O setor de destilados italiano, tradicionalmente composto por pequenas e médias empresas autônomas, muitas vezes familiares e focadas no mercado interno, evolui agora para uma lógica de grupos sólidos e competitivos, capazes de atuar em escala internacional.

Outros segmentos do setor também apresentam exemplos. O grupo Lucano 1894 adquiriu recentemente o Mancino Vermouth, marca jovem e muito apreciada na mixologia internacional, nascida a partir do projeto de Giancarlo Mancino. A operação permitiu à Lucano ampliar seu portfólio com um produto que dialoga com o público global e ocupa um espaço crescente, o dos vermutes artesanais. Além disso, a marca abriu portas em diversos mercados estrangeiros para o amaro da Basilicata, especialmente no segmento dos bares de coquetelaria.

A Illva Saronno Holding, proprietária do Disaronno, também se moveu nessa direção ao adquirir o gin Engine. Ambas as operações seguem a mesma lógica: completar o portfólio com produtos que acompanhem novas tendências e atraiam novos consumidores, especialmente nos mundos da mixologia e da hospitalidade.

Novas marcas e marcas históricas

É importante destacar uma distinção fundamental: tanto Engine quanto Mancino Vermouth são marcas jovens, criadas como startups e muitas vezes produzidas por terceiros. Sua força reside no branding, na comunicação e na capacidade de interpretar o gosto contemporâneo. Domenis e Cinzano, por outro lado, não são apenas nomes históricos: são estruturas industriais, equipes especializadas, territórios. Adquirir essas empresas significa herdar e relançar um patrimônio produtivo, não apenas uma etiqueta.

De toda forma, o sinal é claro: a Itália não é mais apenas um país a ser adquirido, como ocorreu no passado com gigantes como Martini & Rossi ou com emergentes como Italicus, ambas atualmente pertencentes a grupos internacionais com sede no exterior. Está nascendo uma nova geração de grupos italianos independentes, ainda muitas vezes familiares, mas com força, visão e recursos para competir em igualdade com os grandes atores franceses, ingleses ou americanos.

É uma transformação que envolve não só a economia, mas também a cultura produtiva. A união entre Nardini e Domenis, nesse sentido, não é apenas uma operação industrial: é uma mensagem. Uma mensagem que afirma que é possível crescer sem perder a alma. Que é possível permanecer enraizado e, ao mesmo tempo, olhar para longe.

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