20/05/2026

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Nanotecnologia Nacional Promete Elevar o Sabor do Lúpulo na Cerveja

picture alliance/Getty Images

Detalhe de uma planta de lúpulo

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A cadeia produtiva de lúpulo no Brasil, essencial para a indústria de cerveja artesanal, está próxima de superar desafios logísticos e de competitividade através da nanotecnologia. Pesquisadores, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), sediado no campus da Unesp, em Sorocaba (SP), desenvolveram uma solução que utiliza a extração com fluido supercrítico de CO₂ (SFE-CO₂) para otimizar o aproveitamento da commodity.

O estudo, realizado com lúpulos peletizados fornecidos pela empresa Atlântica Hops (Juquiá-SP), tinha o objetivo de aumentar o rendimento de lupulina – o pó rico em alpha-ácidos e óleos essenciais que conferem amargor e aroma à cerveja.

A solução pode dar mais impulso ao país que é hoje o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, mas ainda depende majoritariamente da importação de lúpulo.
Em 2023, o Brasil produziu cerca de 180 toneladas em 53 hectares cultivados, segundo dados da International Hop Growers Convention (HGC), frente a uma demanda que ultrapassa 15 bilhões de litros de cerveja por ano.

Apenas uma fração, cerca de 41 milhões de litros, utilizou exclusivamente lúpulo nacional, enquanto mais de 14 bilhões de litros dependeram de importações, conforme dados de 2024 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A pesquisa reforça que o cultivo de lúpulo é viável e estratégico para o país. Além de reduzir a dependência externa, fortalece pequenos e médios produtores, diversifica a agroindústria e abre perspectivas de exportação no futuro.

O salto da tecnologia supercrítica para lúpulo

LauriPatterson/Getty Images

Cervejas artesanais são as que mais demandam lúpulo

Os resultados da pesquisa demonstram um ganho expressivo de eficiência em comparação com o método de extração tradicional. O processo com CO₂ supercrítico atingiu 72% de $alpha$-ácidos no extrato, em comparação com apenas 9% do método convencional.

Na aplicação cervejeira, a tecnologia rendeu um aumento de 20% na produção, fator que valida a sua viabilidade comercial e sustentabilidade operacional, em um mercado onde o quilo do lúpulo alcançou valores de até US$ 60 em 2025.

A tecnologia SFE-CO₂ gera extratos mais concentrados e de fácil armazenamento, representando uma oportunidade para o cultivo nacional que busca responder à demanda interna e internacional.

Bioeconomia e alto valor agregado em subprodutos

A pesquisa não se limitou à extração primária. O estudo também analisou o “lúpulo gasto”, o material residual após o processo.

O subproduto demonstrou elevada atividade antioxidante e presença significativa de carotenoides, flavonoides e compostos fenólicos. Essas características abrem caminho para o aproveitamento do resíduo como matéria-prima de alto valor agregado para a bioeconomia, com potencial de uso em cosméticos e
Nutracêutico.

A tecnologia de extração supercrítica com CO₂ representa um avanço para otimizar a viabilidade econômica da cadeia do lúpulo no Brasil e fomentar a criação de novos mercados. O resultado da pesquisa ganhou destaque na esfera acadêmica internacional, com publicação na revista científica Springer Nature.

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