Na suinocultura moderna, a busca por recordes de produtividade mudou de foco. Se antes o objetivo era apenas aumentar a prolificidade das matrizes, hoje a rentabilidade real está na qualidade dos animais que saem da maternidade.
Segundo a doutora em ciência veterinária Kelly Will, o desempenho nesta fase inicial é o que determina se o lote terá sucesso ou prejuízo até o momento do abate. Isso porque leitões mais fortes e bem nutridos significam menor mortalidade e um ganho de peso superior em todo o ciclo.
Um dos grandes alertas da especialista é que o número de nascidos, isoladamente, não garante lucro. Para a conta fechar, é fundamental buscar uniformidade e vitalidade nos leitões.
“Animais que nascem com baixo peso ou pouca energia exigem mais manejo e apresentam maior risco de morte. Por isso, o foco do produtor deve estar em garantir que cada leitão receba o suporte necessário para se tornar um animal de alto desempenho nas fases de creche e terminação”, destaca.
Colostro e ambiência
O manejo do colostro é apontado como o fator mais crítico nas primeiras 24 horas de vida. O consumo imediato logo após o nascimento é o que fortalece o sistema imunológico e garante resistência contra doenças.
Segundo Kelly, sem uma colostragem eficiente, a mortalidade sobe e o desempenho cai. Além disso, o controle do microclima é essencial: leitões recém-nascidos são extremamente sensíveis ao frio, e qualquer estresse térmico nesta fase compromete o desenvolvimento intestinal e o ganho de peso futuro.
Por fim, a doutora em ciência veterinária reforça que a rentabilidade muitas vezes mora na “execução perfeita do básico”. Assim, investir na capacitação da equipe é indispensável para que os funcionários identifiquem problemas rapidamente e auxiliem no parto de forma correta.
“Outra tendência que tem mostrado ótimos resultados econômicos é o aumento da idade de desmame, passando de 21 para 28 dias. Leitões desmamados mais pesados chegam à creche com o sistema imunológico mais maduro, consomem melhor a ração e reduzem drasticamente os gastos com medicamentos, refletindo diretamente na margem de lucro do produtor”, instrui a especialista.
*Sob supervisão de Victor Faverin
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