20/05/2026

20/05/2026

Search
Close this search box.

“Investimos Mais de R$ 10 Bi nos Últimos 3 Anos na Modernização das Cervejarias”, Diz CEO da Ambev

Ambev_Divulg

Carlos Lisboa, CEO da cervejaria Ambev

Acessibilidade








À frente da Ambev, o CEO Carlos Lisboa afirma que a companhia investiu mais de R$ 10 bilhões nos últimos três anos na modernização das cervejarias, em tecnologia e inovação de produtos. O objetivo é responder à mudança no perfil de consumo, sustentar o avanço das marcas premium e das chamadas “balanced choices”, e seguir ganhando eficiência no ecossistema da companhia. “Meu foco tem sido manter a consistência estratégica e o olhar voltado ao consumidor, equilibrando a entrega de resultados no presente com a construção do futuro da companhia”, afirma Lisboa.

A Ambev integra a Lista Forbes Agro100 2025, ranking mostrado anualmente pela Forbes Brasil onde estão as 100 maiores empresas e cooperativas do país, com resultados financeiros publicados. Nesta edição, o conjunto registrou uma receita de R$ 1,886 trilhão, valor equivalente a 16% do PIB brasileiro. No ranking, a receita registrada para a Ambev foi de R$ 89,4 bilhões em 2024, volume 12,2% superior ao ciclo anterior. Nesta terça-feira (25), um encontro no Jóquei Clube, em São Paulo, o Forbes Power Lunch Agro100, vai reunir empresários e lideranças do setor.

Segundo Lisboa, a estratégia da Ambev para os próximos dois anos está organizada em três pilares: liderar e expandir a categoria cervejeira, digitalizar e monetizar o ecossistema, e otimizar o negócio. No primeiro eixo, a empresa trabalha para criar novas ocasiões de consumo e trazer novos perfis de consumidores, com um portfólio que vai das cervejas sem álcool às opções premium. No segundo, acelera o uso de dados e tecnologia em toda a cadeia. No terceiro, busca ganhos de produtividade do “grão à garrafa”, com disciplina na alocação de capital.

Os investimentos recentes em modernização de cervejarias, automação e desenvolvimento de produtos são apresentados por Lisboa como base para esse movimento. “Investimos para responder aos diferentes motores de crescimento, como o premium e o balanced choices”, diz o executivo. Segundo ele, esses aportes também sustentam emprego e renda nas regiões onde a companhia atua.

O pano de fundo é um setor que tem peso relevante na economia brasileira. A Ambev estima que a cadeia da cerveja responda por cerca de 2% do PIB do país e gere mais de 2 milhões de empregos, da produção agrícola ao ponto de venda. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cerveja, atrás apenas de Estados Unidos e China, o que coloca o país no centro das decisões globais do grupo.

Mas apesar da escala global, Lisboa insiste no caráter local do negócio. Cerca de 95% de todos os produtos vendidos pela companhia são produzidos nos próprios países em que são consumidos, e a maior parte dos insumos também é comprada nessas regiões. “Nosso foco não está em gerar receita por meio de exportações, mas em fortalecer as cadeias locais onde atuamos”, afirma. A lógica é usar a presença industrial para movimentar ecossistemas regionais, do agricultor que cultiva a cevada ao dono do bar de bairro.

A Ambev opera em mercados como Canadá, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile, Guatemala, Panamá e República Dominicana, com perfis de consumo diferentes e ciclos econômicos diversos. Lisboa descreve esses países como laboratórios para novos modelos de negócio, gestão e inovação. “Mais do que exportar produtos, temos exportado cultura, talentos, modelos de negócio e ideias”, diz.

Mais premium na escala dos desejos

O principal vetor recente de crescimento está na combinação entre premiumização e escolhas mais equilibradas. No segmento premium, marcas como Stella Artois, Corona, Spaten e Original ampliaram participação puxadas por consumidores mais engajados com a categoria e dispostos a fazer o “trade-up” para rótulos de maior valor agregado. Esse grupo já responde por cerca de 20% do volume total de cerveja no país e uma fatia ainda maior em valor, reforçando a importância do portfólio de alta renda na estratégia da Ambev.

Em paralelo, a empresa acompanha a expansão das “balanced choices”, categoria que reúne produtos de menor teor calórico, sem glúten ou sem álcool, um portfólio que tenta responder ao consumidor que associa bebida à moderação e bem-estar. “Apesar de ainda ser um segmento pequeno, ele cresce rápido e de forma incremental”, diz.

Mas a leitura do executivo é que a própria cerveja, com teor alcoólico médio de cerca de 4,5%, já cumpre um papel de “escolha da moderação” quando comparada a outras bebidas, especialmente em ocasiões de socialização. O movimento de equilíbrio também aparece nos refrigerantes, com destaque para o novo Guaraná Zero, lançado há menos de dois anos e que cresce acima da média da categoria de bebidas sem açúcar.

Outra mudança relevante está no paladar mais doce de parte dos consumidores, sobretudo entre jovens adultos. Segundo Lisboa, há um público que ainda se acostuma ao amargor da cerveja, mas busca sabor, identidade e novas experiências. Para esse grupo, a Ambev opera marcas com drinks frutados ou cítricos, e cervejas saborizadas.

Mas há também um farol sobre como o consumidor busca por novas ocasiões de consumo, como almoços em casa, reuniões de amigos e celebrações familiares. Não por acaso, a empresa aposta no delivery por meio de um canal direto ao consumidor e que já atende cerca de 9 milhões de pessoas. “Além de ampliar o acesso à categoria e complementar os canais tradicionais, o Zé oferece insights e dados sobre hábitos, frequência e preferências”, afirma Lisboa. Zé Delivery é um aplicativo criado como uma startup interna dentro da Ambev lá em 2016, no hub de inovação ZX Ventures. Outra plataforma, a BEES, conecta pontos de venda em todo o país com conveniência, crédito e informação.

“Usamos tecnologia e dados para entender e atender melhor clientes e consumidores”, diz o CEO.

Lisboa associa esses avanços digitais à necessidade de ganhar eficiência em um ambiente competitivo e admite que, nesse ambiente, a concorrência saudável é essencial para o desenvolvimento do ecossistema. “Um mercado forte estimula inovação, eleva a qualidade e movimenta toda a cadeia, do campo ao consumidor final.”

No campo da Ambev

No campo, a empresa tenta sistematizar a relação histórica com o agro. São mais de 5 mil agricultores parceiros que produzem cevada, milho, trigo, arroz, guaraná, mandioca e outros ingredientes usados nas receitas das marcas da companhia.

Todos os anos, a Ambev avalia mais de 3 mil linhagens de grãos e coleta milhares de dados agronômicos para medir desempenho no campo, em parceria com instituições como Embrapa, Cooperativa Agrária e Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo).

No caso da Embrapa, a companhia mantém uma parceria de longa data para desenvolver novas variedades de cevada, com foco em qualidade e resiliência. A empresa também desenvolve ferramentas como o Agro Portal, voltado à gestão financeira dos produtores, e o Smart Grower, que monitora práticas de sustentabilidade e a pegada de carbono, tidos como um pacote tecnológico oferecido no campo.

A agenda ambiental inclui ainda iniciativas como o Programa Bacias e Florestas, que há mais de 15 anos apoia a preservação de nascentes e a recuperação de áreas com risco hídrico. Na Amazônia, a cadeia do Guaraná Antarctica em Maués inclui distribuição de mudas, manejo sustentável e apoio à agricultura familiar em parceria com a Aliança Guaraná de Maués, que atua em várias frentes, entre elas a capacitação técnica para os produtores, implementação de tecnologia para rastreabilidade e fortalecimento das cadeias produtivas. “Do grão ao gole, investimos para garantir qualidade, responsabilidade e eficiência em toda a cadeia”, diz Lisboa.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

os Planos de Tatiana Reichmann para Ter 40% dos Negócios da Ademicon no Agro

“Eu era dançarina.” A frase surge quase como um desvio no meio de uma conversa…

Cade aprova compra da marca Regina e de fábrica da Barbosa & Marques pela Tirolez

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a proposta de aquisição da…

Conab amplia PAA no RN e entrega mini colheitadeiras à agricultura familiar

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou nesta terça-feira (19), em Natal e São Paulo…