14/04/2026

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Grãos especiais avançam nas exportações e reposicionam o Brasil no mercado global

Foto: Canal Rural Mato Grosso

O setor de feijão e pulses (leguminosas secas) vive um momento de transformação estrutural no Brasil. O segmento deixa de ser uma cultura voltada prioritariamente ao consumo doméstico para se consolidar como um pilar estratégico das exportações brasileiras.

Esse movimento ganha destaque durante o Brazil Superfoods Summit 2026, realizado nesta quinta (9) e sexta-feira (10) em Cuiabá (MT). O evento é organizado pelo Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe) em parceria com a ApexBrasil. O encontro reúne produtores, exportadores e especialistas para debater a competitividade no mercado de proteína vegetal.

O reposicionamento brasileiro ocorre em meio a um cenário de instabilidade global. Nesse contexto, o Brasil surge como um fornecedor capaz de garantir previsibilidade e volume. No último ano, as exportações do setor já ultrapassaram a marca de 530 mil toneladas.

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

A projeção para as próximas safras é de novos recordes. Para o setor, o avanço não representa apenas diversificação de cultura. Significa, sobretudo, o fortalecimento de novas oportunidades de renda para o homem do campo.

De acordo com Pedro Netto, gerente de agronegócio da ApexBrasil, o setor tem se reinventado nos últimos dez anos. O crescimento acelerado permite o foco no mercado externo sem comprometer o abastecimento nacional.

“A gente está saindo de um setor muito voltado para o mercado interno e focado agora na exportação também, sem gerar inflação aqui dentro”, afirma Netto. Ele ressalta que esse avanço é fruto do esforço conjunto entre produtores, cooperativas e agroindústria.

Segurança alimentar e diversificação de mercados

A credibilidade do agronegócio nacional tem atraído olhares de grandes players globais. Durante o evento em Cuiabá, 13 compradores de sete países estão presentes para conhecer de perto o sistema produtivo brasileiro. Segundo Pedro Netto, o objetivo é apresentar a realidade do campo e as práticas sustentáveis. A intenção é viabilizar novos negócios em feijão e gergelim através da demonstração da preservação ambiental feita pelo produtor.

Netto aponta que a estabilidade do agro brasileiro é um diferencial decisivo. Compradores internacionais, como os chineses, buscam diminuir riscos de dependência de outros fornecedores.

“A gente sabe que tem comprador chinês que costumava comprar às vezes muito de um país ou de outro, dos Estados Unidos, principalmente, e agora eles estão olhando para cá para ver se não é melhor diversificar”, explica o gerente da ApexBrasil ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

Agricultura tropical regenerativa e qualidade

Para além da segurança no fornecimento, o Brasil aposta na sustentabilidade e na tecnologia como diferenciais. O presidente do Ibrafe, Marcelo Lüders, destaca que o país entrega hoje o que o mercado denomina como “agricultura tropical regenerativa”.

O uso de produtos biológicos, o plantio direto e a preservação de matas ciliares são elementos que garantem a qualidade superior. “O Brasil não só tem condições de fornecer quantidade, mas pode fornecer qualidade”, pontua Lüders.

O executivo reforça que o setor atende aos rigorosos protocolos exigidos atualmente. “Temos hoje uma evolução muito grande do uso de produtos biológicos, somados com a sustentabilidade, somados com todos aqueles protocolos que hoje se exige do produtor rural”, diz à reportagem.

Capacidade produtiva única e planejamento

Outro trunfo estratégico é a biodiversidade aliada à tecnologia. Atualmente, o Brasil possui mais de 20 variedades de feijões que atendem às exigências de consumo de mais de 75 países. Essa versatilidade é potencializada pela capacidade de colher até três safras por ano e pelo uso eficiente da irrigação. Isso coloca o país em uma posição de domínio técnico e de pesquisa em relação a outros produtores mundiais.

Conforme Marcelo Lüders, a meta é estabelecer parcerias de longo prazo e maior previsibilidade. “O que nós estamos procurando é não trabalhar mais num mercado spot — produzir e ver se tem alguém que tenha demanda —, mas que esses produtos entrem dentro de um planejamento, não só da produção, como também de quem depende dessa proteína”, conclui.


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