21/04/2026

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Grammy da Música Feita com IA? Prêmio Global Está com Inscrições Abertas

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Um concurso global chamado Future Sound Awards foi lançado para reconhecer criadores de músicas feitas com a ajuda de IA. As inscrições serão avaliadas com base em critérios como inspiração, processo criativo, vocais, letra e batida, além do número de execuções em uma parada dedicada.

Em meio a debates éticos e jurídicos cada vez mais acalorados sobre a IA, o regulamento do concurso estabelece que músicas com material protegido por direitos autorais serão desclassificadas. Os três primeiros colocados dividirão um prêmio total de US$ 10 mil.

“Vou avaliar o conteúdo lírico — algo que não tenha sido simplesmente gerado pelo ChatGPT, algo que tenha sido editado e tenha um pouco mais de sabor humano”, disse, via Zoom, o jurado Jeff Nang, produtor musical radicado em Londres, cujas composições personalizadas já foram utilizadas por marcas como Disney e JP Morgan. “Mesmo sendo um projeto com IA, ainda acredito que ele se beneficia do toque humano.”

O prêmio é patrocinado pelo World AI Creator Awards, uma competição mais ampla dedicada à criatividade com IA, organizada pela Fanvue, uma plataforma por assinatura que hospeda modelos virtuais, atletas, DJs e outros criadores. A premiação foi lançada no ano passado com o primeiro concurso de beleza para mulheres geradas por IA, e agora se expande para o universo da música.

O Future Sound Awards é uma “verdadeira celebração da democratização da música, e temos grandes ambições de transformar o prêmio no Grammy da música com IA”, disse Narcis Marincat, chefe de inteligência artificial da Fanvue, em comunicado.

O concurso surge em um momento em que a IA se torna uma ferramenta cada vez mais popular entre músicos — de amadores a profissionais. Segundo o Relatório de Negócios de 2025 do International Music Summit, mais de 60 milhões de pessoas usaram softwares de IA para criar músicas em 2024.

Mas, enquanto alguns abraçam a IA como parceira criativa, outros temem que ela possa afetar suas carreiras — e a própria essência da criatividade.

No início deste ano, mais de mil músicos — incluindo Kate Bush, Annie Lennox, Imogen Heap, Billy Ocean e Riz Ahmed — protestaram contra uma proposta de reforma na lei de direitos autorais do Reino Unido, temendo que a mudança facilitasse o uso de suas obras por empresas de IA sem autorização, a menos que optassem ativamente por sair.

A proposta foi aprovada na semana passada. E no ano passado, uma banda de metal enfrentou tantas críticas por usar uma capa de álbum gerada por IA — um fã chegou a chamar a escolha de “um grande tapa na cara de qualquer artista real e vivo” — que acabou substituindo a arte por uma nova.

Destacando o potencial criativo da IA

Os organizadores do Future Sound Awards afirmam que querem destacar o potencial criativo da IA na música e como ela pode ser usada de forma responsável em todo o ecossistema musical.

Todas as músicas inscritas devem ser criadas e verificadas por meio da TwoShot, parceira do concurso, que permite aos usuários criar faixas a partir de uma biblioteca de áudio com direitos liberados e totalmente rastreável.
Como os usuários da plataforma também podem fazer upload de seus próprios áudios, a ferramenta analisa automaticamente as faixas para detectar conteúdos protegidos por direitos autorais.

As inscrições aprovadas aparecerão em uma parada musical promovida pela plataforma de distribuição de áudio SoundCloud, e qualquer pessoa maior de 18 anos pode participar com faixas de qualquer gênero ou idioma. Não há taxa de inscrição.

O jurado Jeff Nang afirma que vai avaliar as obras com os mesmos critérios que aplica a músicas não criadas por IA. “Você sempre busca estrutura, estilo e bom gosto”, disse.

Nang é cofundador da Controlla Voice, que permite aos usuários criar cantores com IA, e já chegou a montar corais inteiros a partir de sua própria voz usando o produto. “Adoro ver o que a nova geração de criadores musicais tem feito com essas ferramentas”, afirmou.

Outro jurado do prêmio, Josua Waghubinger, é um dos expoentes dessa nova geração.

O músico austríaco, conhecido pelo nome artístico Butterbro, tornou-se o primeiro artista a entrar na parada oficial de singles da Alemanha com uma música totalmente gerada por IA: Verknallt in einen Talahon, composta com a plataforma musical Udio.

A canção mistura o estilo tradicional europeu conhecido como schlager com um pop animado, contando a história de uma jovem alemã apaixonada por um imigrante.

Via Zoom, Waghubinger disse esperar que o Future Sound Awards incentive uma conversa sobre como as plataformas podem respeitar os músicos ao mesmo tempo em que promovem a inovação — lembrando aos artistas que experimentar com IA não significa abandonar sua própria voz criativa.

“É importante lembrar de manter a diversão ao experimentar novas tecnologias — e nunca esquecer que somos nós, humanos, que decidimos se queremos continuar no centro disso tudo”, afirmou.

“Vejo a IA tanto como uma ferramenta quanto como uma colaboradora, dependendo de como é usada”, acrescentou Waghubinger, “com o toque humano permanecendo no centro.”

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