O Palácio do Planalto trabalha com o cenário de que o ex-presidente Donald Trump, favorito nas pesquisas para retornar à Casa Branca, possa implementar a chamada “Tarifa Bolsonaro” — uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros — já a partir de 1º de agosto.
Como já noticiado, ainda há incertezas no governo brasileiro quanto à abrangência da medida. Não está claro se a tarifa será aplicada a todo o universo de exportações brasileiras ou se alguns produtos serão poupados, fruto de pressões exercidas por importadores norte-americanos que dependem desses itens.
Entre os produtos que podem ser atingidos estão o suco de laranja e o café, itens que compõem o tradicional café da manhã nos Estados Unidos. Caso a sobretaxa seja implementada, o impacto será direto no bolso do consumidor americano — inclusive entre eleitores trumpistas —, o que pode gerar desgaste político em pleno ano eleitoral.
O clima de tensão entre Brasil e Estados Unidos tende a se manter elevado pelo menos até a eleição presidencial americana, em novembro de 2025. Até lá, os acordos comerciais vêm sendo costurados individualmente, país por país, diante de uma nova ordem internacional marcada pela imprevisibilidade da liderança norte-americana.
Resta saber se as nações estão, de fato, cedendo às ameaças ou apenas negociando seus interesses em um cenário ainda indefinido. O que se observa, no entanto, é que falta ao Brasil maior coesão interna para defender seus interesses estratégicos. A união nacional é cada vez mais urgente para assegurar o futuro do país diante dos desafios do comércio global.