Novas tarifas entram em vigor no dia 1º de agosto e atingem todos os produtos brasileiros exportados para os EUA;
Enquanto o agronegócio brasileiro já contabiliza prejuízos com a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, o governo federal se articula em busca de uma solução diplomática, mas prepara paralelamente a regulamentação da Lei de Reciprocidade Econômica.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o decreto deve ser publicado até terça-feira (15) como resposta à medida anunciada por Donald Trump.
“Esta lei [de reciprocidade] precisa ser regulamentada, a regulamentação, que é por decreto, deve estar saindo amanhã ou terça-feira. Agora, o governo vai trabalhar no sentido de reverter essa taxação, porque entendemos que ela é inadequada, ela não se justifica, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio”, disse Alckmin.
Sancionada em abril, a Lei de Reciprocidade Econômica permite suspender concessões comerciais, de investimentos e obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em retaliação a medidas unilaterais de outros países que afetem negativamente a competitividade do Brasil.
Comitê será criado para ouvir empresários e definir estratégia.
Segundo a Folha de S.Paulo, o presidente determinou neste domingo (13) a criação de um comitê interministerial para dialogar com os setores mais afetados. A iniciativa prevê reuniões diretas com empresários, em busca de uma estratégia conjunta para negociar com os Estados Unidos.
O comitê será composto pelos ministérios da Fazenda (Fernando Haddad), Relações Exteriores (Mauro Vieira) e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Geraldo Alckmin).
O Ministério da Agricultura e Pecuária, comandado por Carlos Fávaro, será acionado quando as conversas incluírem setores agropecuários, como café, carnes e suco de laranja.
Agro interrompe exportações e calcula prejuízos
Enquanto os esforços diplomáticos avançam, o agronegócio já sofre os efeitos práticos da tarifa. O setor de manga, principal fruta exportada aos EUA, foi o primeiro a travar embarques.
Produtores do Vale do São Francisco suspenderam os envios previstos para agosto, que poderiam render mais de US$ 50 milhões.
A Abrafrutas estima queda de até 70% nas exportações da fruta em 2025.
Na indústria de pescados, são mil toneladas de peixe retidas nos portos, o equivalente a 58 contêineres, segundo a Abipesca. A entidade alerta para impactos nos pescadores artesanais e risco de demissões em cadeia. Cerca de 70% das exportações de pescado do Brasil têm como destino os Estados Unidos.
Mel, carne e etanol também são afetados
A Casa Apis, cooperativa do Semiárido, relatou neste sábado (12) o cancelamento de uma compra de 95 toneladas de mel orgânico do Sul do Piauí por um cliente americano. O motivo declarado foi a tarifa de 50%.
Já os frigoríficos brasileiros suspenderam a produção de cortes de carne bovina destinados aos EUA. Segundo Roberto Perosa, presidente da Abiec, ao Globo Rural, os contratos precisarão ser renegociados, e os embarques estão inviáveis neste ano.
As usinas de açúcar e etanol também entraram na conta. Segundo a consultoria Datagro, a tarifa representa um custo adicional de mais de US$ 100 milhões às empresas brasileiras. Em 2024, o Brasil exportou aos EUA cerca de 310 milhões de litros de etanol, ao preço médio de US$ 0,587 por litro. A taxa elevaria os custos em US$ 90,9 milhões no etanol e US$ 27,9 milhões no açúcar.
União Europeia tenta evitar guerra comercial.
Também neste domingo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a extensão da suspensão de medidas retaliatórias contra os EUA até o início de agosto. A medida visa manter aberta a via diplomática, após Trump anunciar tarifas de 30% sobre produtos europeus.
“Estenderemos a suspensão de nossas contramedidas até o início de agosto. Simultaneamente, continuaremos preparando novas contramedidas para estarmos completamente prontos”, afirmou Von der Leyen, ao lado do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, em Bruxelas.