A safra de laranja 2026/27 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro foi estimada nesta sexta-feira em 255,20 milhões de caixas de 40,8 kg, redução de 12,9% em relação à temporada anterior, informou o fundo de pesquisas Fundecitrus.
A projeção de queda decorre da bienalidade — oscilação produtiva natural dos pomares entre um ano e outro –, além de fatores climáticos e da expansão da doença greening, explicou o Fundecitrus, na primeira estimativa para a safra deste ano.
A região abastece as indústrias de suco de laranja do Brasil, maior exportador global dessa commodity. Os contratos futuros do produto, negociados em Nova York, registravam alta de quase 6%, por volta das 13h (horário de Brasília) desta sexta-feira, para cerca de US$1,8/libra-peso.
“Esta é uma safra impactada pela variabilidade climática e pela maior pressão do greening, com efeitos no pegamento, na carga e na queda de frutos”, disse o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, em nota.
O último levantamento do greening apontou que a doença que reduz a produtividade dos pomares atingiu 47,6% das laranjeiras do parque citrícola, segundo dados do Fundecitrus.
A diminuição da produção vai se dar por uma redução no número de frutos por árvore e pelo aumento da taxa de queda prematura, fatores que superam os efeitos positivos do maior peso dos frutos e da ampliação do número de árvores produtivas no parque citrícola, detalhou o Fundecitrus.
“CABE NA DEMANDA”
Uma safra de cerca de 250 milhões de caixas de laranja seria suficiente para atender a demanda atual de suco no mundo, disse o diretor-executivo da associação de empresas processadoras e exportadoras CitrusBR, Ibiapaba Netto.
“Ficou dentro do que o mercado estava esperando, nos relatórios internacionais estavam indicando entre 250 e 280, ficou na parte mais baixa da estimativa, mas dentro do que o mercado esperava”, afirmou.
“Na conjuntura atual, é um número que cabe dentro da demanda que temos hoje, isso é uma boa notícia.”
O segmento está enfrentando uma demanda menor, especialmente da Europa, uma vez que o consumo está levando mais tempo para se recuperar após preços recordes em 2024, quando a safra no Brasil foi uma das piores da história recente e levou os preços em Nova York para mais de US$5/libra-peso.
No ano passado, a produção na região produtora brasileira saltou mais de 25%, colaborando para a recuperação de estoques.
Para Netto, o número estimado pelo Fundecitrus não deveria trazer “ruídos”, porque ele não altera os principais fundamentos do mercado.
Mas o executivo ponderou que se trata de uma primeira previsão, e outros fatores climáticos podem interferir na produção.
Ele disse ainda que o processamento da fruta só deve ganhar ritmo no segundo semestre, já que o clima atrasou a colheita.