19/05/2026

19/05/2026

Search
Close this search box.

Festa do Peão de Barretos É a Disney Brasileira Que Movimenta R$ 1,2 Bi Nesta Semana

Alisson_Demetrio

Abertura da edição de 70 anos da Festa do Peão de Barretos

Acessibilidade








Jerônimo Muzetti, de 66 anos, tem uma rotina peculiar durante os 11 dias da Festa do Peão de Barretos. O presidente da Associação Os Independentes praticamente vive dentro do parque de 2,1 milhões de metros quadrados, permanecendo acordado até altas horas da madrugada para supervisionar cada detalhe do evento que considera “a Disney sertaneja do Brasil”.

“Eu fico a noite inteira acordado. Eu não durmo. Fico telecoteco aqui. Nove horas da manhã, oito horas da manhã, eu tô acordado ainda”, conta Muzetti, que tem um rancho dentro do próprio parque e, durante o evento, não sai da propriedade nem um único dia.

Esta dedicação integral demonstra a dimensão do que está em jogo. A festa de 2025, que marca os 70 anos do evento, deve movimentar cerca de R$ 1,2 bilhão na região, segundo estimativas da Secretaria de Turismo no raio de 200 quilômetros de Barretos. Apenas a venda de ingressos e produtos da associação deve alcançar entre R$ 200 e R$ 250 milhões – um crescimento de 20% a 25% em relação ao ano anterior.

 


  • André_Monteiro

  • Alisson_Demetrio

  • Thais_Ministro

  • Thais_Ministro

  • André_Monteiro

  • Thais_Ministro

  • Alisson_Demetrio

  • Thais_Ministro

  • Thais_Ministro

  • Alisson_Demetrio

  • Thiago_Cruz

  • Mathias_Losonczi

  • Mathias_Losonczi

  • Mathias_Losonczi

  • Alberto_Gonzaga

  • Alisson_Demetrio

  • André_Monteiro

  • Mathias_Losonczi

  • André_Monteiro

  • Alisson_Demetrio

  • Marcus_Vinicius

  • Mathias_Losonczi

  • André_Monteiro

  • Mathias_Losonczi

  • Mathias_Losonczi

  • Mathias_Losonczi

  • Guizzi_Photos

  • Guizzi_Photos

  • André_Monteiro

  • Thais_Ministro

  • André_Monteiro

  • André_Monteiro

  • Mathias_Losonczi

  • Mariana_Miranda

  • Mariana_Miranda

  • Thais_Ministro

  • Alisson_Demetrio

  • Alisson_Demetrio

  • Guizzi_Photos

André_Monteiro

 

Uma operação de alcance nacional

Os números da festa impressionam pela capilaridade. Muzetti afirma que pessoas de mais de 2.500 municípios brasileiros compraram ingressos para o evento. Em Minas Gerais, estado com mais de 850 municípios, 680 cidades registraram vendas. No Rio de Janeiro, 93% dos municípios têm representantes no evento. No Espírito Santo, o percentual chega a 80%.

“Você conseguir trazer gente de todos os estados. Isso é bom demais, é um parâmetro pra gente entender que o evento consolidou a nível Brasil”, analisa o presidente, que está em sua décima segunda gestão à frente da festa.

O impacto econômico se estende para além dos portões do parque. Muzetti reservou 2 mil leitos em hotéis de Olímpia, cidade vizinha, investindo entre R$ 600 mil e R$ 700 mil apenas em hospedagem para staff e artistas. Enquanto Barretos possui cerca de 5 mil leitos, o evento pode receber até 180 mil pessoas em uma única noite, espalhando o público por toda a região.

A programação cultural da festa combina tradições centenárias com grandes espetáculos. São 130 shows nos palcos principais, passando por mais de 2 mil artistas ao longo dos 11 dias de evento. Paralelamente aos sucessos da música sertaneja, como Ana Castela, o evento mantém atrações tradicionais: quadrilha de palmas, desfiles de carros de boi, catira, concurso de berrante e queima do alho.

“A gente quer manter as nossas tradições. Tem muita gente que vem a Barretos que nunca viu um carro de boi. Vem ver dentro do nosso evento”, explica Muzetti. “Mas quem paga a conta praticamente é o grande rodeio e os grandes shows que fazem público do Brasil todo.”

A infraestrutura do parque expressa essa ambição. São mais de 1.500 bases sanitárias com ar-condicionado e máquinas de perfume, dois prontos-socorros (um adulto e um infantil), ambulatório odontológico, corpo de bombeiros e polícias civil e militar. O sistema elétrico conta com 110 transformadores distribuídos em seis “bairros” para garantir energia ininterrupta.

A festa incorporou tecnologias avançadas nos últimos anos. Todos os ingressos são digitais com reconhecimento facial – não há mais bilhetes de papel ou QR codes. Os estacionamentos operam com sistema automatizado similar ao Sem Parar, permitindo que compradores via aplicativo passem direto pelas cancelas informatizadas.

Muzetti viaja constantemente em busca de inovações. Uma recente viagem ao Timber Festival na Bélgica trouxe inspirações para laser e outras modernizações. “Eu sou muito alérgico [a coisas velhas]. Tenho que trazer inovação para o meu negócio”, afirma.

A questão animal sob escrutínio científico

O bem-estar animal representa um dos aspectos mais sensíveis do evento. Mazetti sabe das críticas que esse tipo de evento recebe em relação ao trato dos animais. Mas defende sua trajetória. Desde 1996, a festa mantém parceria com a FUNEP (Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Extensão), ligada à UNESP de Jaboticabal, para estudos científicos sobre o impacto das montarias nos animais.
“Eles fazem pesquisa o tempo todo pra nós, fazem testes com animais em fazenda, ultrassom depois de uma montaria, [análise de] estresse através do olho”, detalha Muzetti. Os estudos incluem testes na retina dos animais após as montarias e avaliação da capacidade reprodutiva dos touros.

Durante o evento, cerca de 50 estudantes de veterinária de diversas universidades acompanham o manejo de aproximadamente 800 cavalos alojados no parque. Quatro ou cinco veterinários lideram a equipe que monitora desde o embarque e desembarque até o percurso dos animais na arena.

O presidente relata mudanças nas práticas: “Antigamente o pessoal usava o choque para conduzir os animais. Isso a gente proíbe totalmente.” A associação já desqualificou competidores flagrados maltratando animais.

A sustentabilidade ganhou espaço na operação da festa. O parque conta com usina fotovoltaica que gera energia durante todo o ano, criando excedente para compensar o consumo de quase 4 mil quilowatts durante os 11 dias do evento. Uma estação de tratamento de água foi construída exclusivamente para suprir o parque.

A reciclagem de latas de cerveja e plásticos é realizada por associação especializada. A festa também participa de programa de créditos de carbono, recebendo certificados pelos impactos ambientais neutralizados. A digitalização completa dos ingressos eliminou o uso de papel físico.

]Visão de futuro: múltiplos palcos

A Festa do Peão de Barretos recebe visitantes dos Estados Unidos, México e Canadá, consolidando sua posição como referência internacional do rodeio. Para 2026, o evento está programado para 20 a 30 de agosto, mantendo a tradição de incluir o dia 25, aniversário da cidade, na programação.

Para os próximos anos, Muzetti projeta uma transformação inspirada em festivais europeus. A ideia é criar diversos palcos menores espalhados pelo parque, permitindo maior circulação do público e possibilitando ingressos com valores mais acessíveis. “Eu não consigo receber um número muito maior de pessoas que eu poderia receber, com um ticket mais em conta, porque eu tenho uma concentração de todo mundo que quer ir pra um lugar só”, diz ele.

O modelo atual concentra o público em poucos espaços principais, limitando a capacidade e mantendo preços elevados.  Muzetti cita o exemplo de um casal de Aracaju que gastou cerca de R$ 50 mil na viagem completa para Barretos.

A festa nasceu em 1955 de uma conversa entre 20 amigos em um bar, com o objetivo de angariar fundos para entidades de Barretos. De um evento regional em propriedade de 40 alqueires na cidade, evoluiu para os atuais 90 alqueires (2,1 milhões de metros quadrados) na zona rural, consolidando-se como referência nacional.

Muzetti, que assumiu pela primeira vez em 1995, participou das edições comemorativas dos 40, 50, 60 e agora 70 anos. Seu legado inclui a transformação do espaço de fazenda fechada em parque aberto ao público durante todo o ano e a criação de um monumento de 27 metros de altura que marca a festa dos 50 anos.

“O que acho que não pode acontecer é deixar de manter o que a gente foi”, afirma o presidente. “Eu posso modernizar demais, mas não posso do dia pra noite não querer mais aquilo. Temos que oxigenar o evento o tempo todo, mas não abandonar as tradições.”

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Consórcio transforma milho em ração, lucro e expansão no campo em Querência

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso A produção de milho em Querência, no Vale do…

Fazenda mantém projeção de alta de 2,3% do PIB em 2026

O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto…

Câmara aprova regra que mantém benefício social a trabalhador safrista

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (19) o projeto de lei que assegura ao…