Queda reflete expectativa de uma safra robusta no Brasil, com operadores adotando postura cautelosa antes dos dados da Conab e do USDA.
Os contratos futuros do café arábica registraram nova queda na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) nesta terça-feira, refletindo a cautela dos investidores diante da expectativa por informações mais concretas sobre a safra brasileira. O contrato com vencimento em julho caiu 1,7%, sendo negociado a cerca de US$ 1,89 por libra-peso.
O mercado internacional aguarda com atenção os próximos dados oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que devem trazer atualizações sobre o volume e a qualidade da colheita de 2025 no Brasil principal produtor e exportador mundial da commodity.
Clima favorável pressiona preços
Relatos de condições climáticas positivas em importantes regiões produtoras como Minas Gerais e Espírito Santo têm aumentado a confiança em uma safra robusta. A ausência de geadas e o regime regular de chuvas durante o desenvolvimento dos grãos contribuem para essa percepção de uma oferta maior, o que tende a pressionar os preços para baixo.
“O mercado opera com viés de baixa justamente porque ainda não há sinais de problemas sérios na produção brasileira. Mas a incerteza continua até que os números oficiais sejam divulgados”, explica um analista da Safras & Mercado.
Volatilidade e câmbio também influenciam
Além do clima, o câmbio continua sendo um fator de influência importante. Um real mais valorizado frente ao dólar, como vem ocorrendo nos últimos dias, torna o café brasileiro relativamente mais caro para compradores internacionais, o que pode reduzir a competitividade do produto.
Com isso, operadores preferem adotar uma postura mais defensiva, aguardando com prudência os próximos movimentos do mercado.
Expectativa para as próximas semanas
O período entre maio e julho é crucial para o mercado de café, pois marca o início da colheita no Brasil. Qualquer notícia sobre problemas climáticos, atraso na colheita ou mudanças nas estimativas de produção pode gerar forte volatilidade nas cotações internacionais.
Enquanto isso, os consumidores e torrefadores globais seguem atentos aos desdobramentos, acompanhando de perto cada nova informação que venha do cinturão cafeeiro brasileiro.