10/06/2026

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Este Fazendeiro Lidera um Projeto para o Oeste Baiano Saltar de 10 para 14 Milhões de Toneladas de Grãos

Quando Moisés Schmidt fala sobre o futuro do oeste da Bahia, a conversa inevitavelmente retorna ao passado. Antes de projetar uma produção estadual próxima de 14 milhões de toneladas de grãos, ele lembra da trajetória da própria família, uma entre milhares que ajudaram a transformar o Cerrado baiano em uma das principais regiões produtoras do país.

Seu pai chegou ao oeste da Bahia em 1979, depois de perder a área que cultivava no Paraná para a formação do reservatório de Itaipu. Dois anos depois, Schmidt nasceu em Foz do Iguaçu. A passagem pelo Sul, porém, durou pouco. Com apenas três meses de vida, voltou para a Bahia, onde cresceu acompanhando o avanço da agricultura em uma região que ainda dava seus primeiros passos.

“Posso ter nascido em Foz do Iguaçu, mas há aquele ditado de que pai é quem cria. Então, eu sou um baiano de coração”, afirma ele numa entrevista exclusiva à Forbes Agro.

Filho de uma geração que ajudou a construir a agricultura moderna do Oeste baiano, ele agora lidera uma agenda que pretende definir os próximos capítulos dessa história.

Uma agenda que passa pela irrigação, pela ampliação da produtividade e pelo fortalecimento do Matopiba como uma das principais regiões produtoras de alimentos do mundo.

Momento decisivo para o oeste baiano

Hoje, como líder da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), e à frente da Bahia Farm Show, feira que completa 20 anos e que segue até sexta-feira (12), Moisés vislumbra um momento considerado decisivo para o futuro da região.

Nas últimas duas décadas, o oeste baiano consolidou sua posição como uma das áreas agrícolas mais dinâmicas do país. Agora, a discussão gira em torno de uma nova etapa de crescimento, baseada principalmente na irrigação.

Durante a Bahia Farm Show, um dos anúncios que mais chamou atenção foi a divulgação de um estudo conduzido ao longo de nove anos por pesquisadores brasileiros e americanos para avaliar o potencial hídrico da região.

O levantamento apontou condições para ampliar a área irrigada da Bahia de aproximadamente 150 mil hectares para mais de 450 mil hectares, respeitando os critérios de segurança hídrica e as exigências ambientais.

Para Schmidt, é nesse avanço que está uma das principais oportunidades de crescimento da produção agrícola baiana.

“O que nós temos defendido a todo tempo é que conseguimos produzir muito mais com uma menor área implantada, indo na direção de abrir menos áreas e preservar mais.

”Hoje, segundo ele, a produção de grãos da Bahia varia entre 11 milhões e 12 milhões de toneladas por safra. A expectativa é elevar esse volume para cerca de 14 milhões de toneladas nos próximos anos.

“Projetamos para as próximas safras alcançar em torno de 14 milhões de toneladas devido a todas essas possibilidades de investimento que nós temos na região.”

Nova era para todo o Matopiba

Os planos não se limitam ao território baiano.Schmidt vê o Matopiba, região formada por áreas da Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí, como a principal fronteira agrícola em expansão do país.

Segundo ele, a produção de grãos na região cresceu 92% na última década. As projeções oficiais apontam para uma expansão adicional de 37% até 2032, elevando a produção regional para aproximadamente 48 milhões de toneladas.

“Nós passaremos a contribuir com 48 milhões de toneladas de alimentos nessa região.”

A Bahia deverá responder por cerca de 40% desse volume.

Na avaliação do dirigente, o crescimento do Matopiba ocorre em um momento de aumento da demanda global por alimentos. O avanço populacional, a urbanização e a elevação da renda em diferentes países colocam novas pressões sobre a produção agrícola mundial.

“O cenário global se volta ao Brasil porque o país tem cultura na produção e tecnologia inserida para que isso aconteça em larga escala. O Matopiba vai se tornar a grande referência.”

A comparação com o Mato Grosso surge naturalmente na conversa. Mas Schmidt acredita que o potencial de expansão da nova fronteira agrícola ainda está longe de ser esgotado.

“Eu acredito em um Matopiba com uma produção muito maior que a do Mato Grosso por um motivo: o Mato Grosso já chegou ao seu limite em termos de extensão de área. Onde temos espaço para expandir é aqui.”

Ao completar duas décadas, a Bahia Farm Show acaba funcionando como um retrato dessa transformação.

A feira cresceu junto com a região. O que começou como uma exposição voltada aos produtores locais tornou-se uma vitrine nacional de tecnologia, máquinas, genética, crédito, infraestrutura e inovação.

Trajetória de produtor

A história de Schmidt se confunde com a da própria região. Enquanto o Oeste baiano consolidava sua produção de soja, milho e algodão, ele acompanhava a expansão das fazendas e o surgimento de uma nova economia baseada na agricultura.

A ligação com o campo nunca mudou. Ao longo dos anos, a família ampliou sua atuação e buscou novos caminhos produtivos. Primeiro vieram os grãos e as fibras. Depois, a entrada na fruticultura.

A banana abriu espaço para um projeto que exigiu adaptação e pesquisa: a produção de cacau a pleno sol.

“O que nós observamos é que tivemos que reinventar todo o manejo do cacau, porque era uma cultura que tradicionalmente não tinha suas tecnologias e avanços para ser plantada a pleno sol”, conta.

O desafio envolveu a criação de viveiros, desenvolvimento de mudas e adaptação de técnicas normalmente utilizadas em regiões de Mata Atlântica e Amazônia. A experiência deu origem a uma nova frente de negócios. Hoje, o grupo também investe no cultivo de mamão voltado ao mercado externo.

Somando as operações na Bahia e no Tocantins, a família administra mais de 35 mil hectares entre grãos, fibras e frutas.

Mas a atuação de Schmidt deixou há muito tempo os limites da propriedade rural. A vocação para a representação de classe surgiu cedo.

“Isso já vem desde a escola, onde eu representava as turmas”, diz.

Por isso sua trajetória passou por sindicatos rurais, cooperativas e pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb). Mais tarde, assumiu funções dentro da Aiba, entidade que hoje preside.

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