Com novas regras e investimentos verdes, país consolida papel estratégico na agenda global.
O tema ESG (Environmental, Social and Governance – Ambiental, Social e Governança) continua a ganhar força no Brasil em 2025, impulsionado por pressões do mercado internacional, exigências regulatórias e crescente consciência por parte de consumidores e investidores. Neste ano, uma série de iniciativas, regulamentações e eventos marcaram o avanço da agenda ESG no país. A seguir, os principais destaques:
📊 Novas Regras da CVM para Relatórios ESG
Em março de 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a obrigatoriedade de relatórios de sustentabilidade alinhados às normas internacionais do ISSB (International Sustainability Standards Board). Empresas listadas na bolsa deverão divulgar indicadores ESG padronizados a partir do exercício de 2026.
A medida é vista como um avanço para aumentar a transparência e combater o greenwashing. A adesão obrigatória fortalece a integração da sustentabilidade à governança corporativa.
“Estamos entrando em uma nova era de responsabilidade corporativa. ESG não é mais opcional”, afirmou João Pedro Nascimento, presidente da CVM.
🌎 Agro e Sustentabilidade: Parceria entre CNA e Embrapa
O setor agropecuário brasileiro tem buscado melhorar sua imagem internacional com relação às práticas ambientais. Em abril de 2025, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) firmou parceria com a Embrapa para desenvolver ferramentas de monitoramento de emissões de carbono em propriedades rurais.
O objetivo é provar que o agronegócio brasileiro pode ser sustentável, garantindo acesso a mercados exigentes como o europeu e o asiático, que agora vinculam compras à comprovação de critérios ESG.
💰 ESG Impacta Crédito e Investimento
Bancos e fundos de investimento no Brasil passaram a incorporar critérios ESG como parte central de sua análise de risco. O BNDES, por exemplo, já exige planos de transição energética de grandes empresas que buscam financiamento.
Além disso, fundos verdes e títulos sustentáveis (green bonds) movimentaram mais de R$ 20 bilhões no primeiro trimestre de 2025, segundo a ANBIMA. Há um crescimento acelerado na demanda por investimentos com impacto socioambiental positivo.
⚠️ Desafios Persistem: Desmatamento e Transição Justa
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios, especialmente no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Relatórios do Instituto Imazon indicam que, embora a taxa de desmatamento tenha caído 15% em relação a 2024, a mineração ilegal e os conflitos fundiários seguem como entraves à agenda ambiental.
Outro tema emergente é o da “transição justa”: como descarbonizar a economia sem deixar regiões e trabalhadores para trás. A agenda climática precisa incluir medidas de qualificação profissional e apoio às comunidades mais vulneráveis.
📈 Tendência: ESG como Vantagem Competitiva
Empresas que investem em ESG começam a colher os frutos. A Natura, por exemplo, anunciou aumento de 18% em sua valorização de mercado após divulgar seu novo plano de carbono neutro até 2030. A WEG também viu melhora em sua avaliação internacional após aumentar a transparência de sua cadeia de fornecedores.
“ESG se tornou sinônimo de resiliência e longevidade no mercado”, avalia Carla Gomes, analista da XP Investimentos.
Conclusão
O Brasil avança na agenda ESG em 2025, mas ainda precisa de ações firmes e contínuas para transformar boas intenções em resultados concretos. A pressão por responsabilidade ambiental, social e de governança só tende a crescer — e empresas que não se adaptarem correm o risco de ficar para trás.