07/05/2026

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Empregos no agro mais que dobram em Mato Grosso, mas falta gente para trabalhar

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O agronegócio em Mato Grosso mais que dobrou o número de empregos nas últimas duas décadas, impulsionado pela expansão da produção e pelo avanço tecnológico no campo. Apesar do crescimento, a falta de mão de obra qualificada tem se tornado um dos principais entraves para o setor.

Em regiões como Juína, produtores enfrentam dificuldades para preencher vagas e manter o ritmo das operações, mesmo com a oferta de trabalho e salários considerados atrativos. A realidade tem exigido adaptação dentro das propriedades e investimento na formação dos próprios trabalhadores.

“A agricultura chegou em Juína, só que a mão de obra não está direcionada para a agricultura. A mão de obra, eu acho que é um ponto muito complicado hoje dentro de Juína. Nós temos falta de mão de obra qualificada, precisamos qualificar mais o nosso profissional”, relata o produtor rural Alcides Szulczewski Filho ao Patrulheiro Agro.

O produtor cultiva cerca de 1,6 mil hectares de soja no município, além de milho, e também mantém pecuária integrada e comercializa madeira dentro do plano de manejo legal. Diante da dificuldade de contratação, a alternativa tem sido redistribuir funções entre os próprios funcionários. “Se você pegar hoje, descarregando aqui eu tenho um vaqueiro na bazuca, eu tenho um operador na outra bazuca, o meu medidor de umidade é o meu cortador lá do mato”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Adaptação e qualificação no campo

A reorganização da mão de obra dentro das fazendas tem se tornado comum. Trabalhadores que antes atuavam em uma função passam a assumir novas atividades, acompanhando as mudanças do agro.

“Então nós estamos pegando e readaptando a nossa mão de obra, fazendo com que ela fique cada vez mais qualificada. É gratificante para nós, que investimos na qualificação, e é gratificante para eles porque agregam também mais valor no seu orçamento e mais conhecimento”, afirma Alcides.

O movimento também representa oportunidade para quem já está no campo. Com cerca de 15 anos de experiência como vaqueiro, Júnior César Magalhães Roberto agora aprende a operar máquinas agrícolas. “Mais uma profissão que eu estou herdando agora, aprendendo, e eu estou achando bom demais. Trabalhar na cabine é bem melhor”.

Ele destaca que a demanda por trabalhadores segue alta. “Hoje a procura no mercado está boa. Faltando gente na lavoura. Faz uns 15 anos que eu tenho de profissão e o trator é um experimento novo, sombra, ar, maquinão bom, mais um aprendizado que a gente tem”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Crescimento acelerado e falta de profissionais

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que o número de trabalhadores no agronegócio saltou de pouco mais de 170 mil para quase 450 mil em cerca de duas décadas. O destaque foi 2022, quando os empregos cresceram mais de 13%.

O avanço reflete não apenas o aumento da produção, mas também um setor mais dinâmico e tecnológico, que amplia a necessidade de profissionais qualificados em diferentes áreas.

“Mato Grosso cresce a ritmo Chinês e esse crescimento gera oportunidade de emprego. A gente aqui tem uma deficiência de mão de obra muito grande, aqui falta tudo”, afirma o vice-presidente sul da Aprosoja-MT, Fernando Ferri.

Segundo Ferri, a escassez tem gerado disputa por trabalhadores entre propriedades. “Quem tem vontade, é um lugar que tem oportunidade, porque tem demanda, paga bem. Os salários hoje nas fazendas é um nível de salário bom, mais do que a indústria”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Oportunidade e mudança de vida

A busca por melhores condições tem levado trabalhadores de outras regiões a migrar para Mato Grosso. É o caso de Francisco Everson Vieira Barbosa Silva, que deixou Brasília para atuar no setor.

“Eu era motoboy em Brasília, e o pessoal fala que aqui é a ‘Suíça Brasileira’ e eu vi essa oportunidade, vim e agarrei e estou agarrado com unhas e dentes”, conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Hoje como operador de silo, ele afirma que a renda aumentou significativamente. “É boa, quatro vezes mais do que eu ganhava lá em Brasília. Aqui a minha vida mudou, a qualidade de vida com a minha família mudou”. Além da remuneração, ele destaca o impacto na rotina familiar. “Eu pude oferecer para os meus filhos princípios e valores que na cidade grande eu não conseguia. Busquei me aperfeiçoar e é daqui que eu trago o sustento da minha família”.

O crescimento do setor também exige dedicação intensa, conforme reforça Fernando Ferri. “A pessoa que quer vir pra cá tem que estar disposta a trabalhar o ano todo. Você depende do clima e esse clima o dia que está bom pra plantar e o dia que está bom para colher você tem que trabalhar”.

Mesmo com os desafios, o cenário segue positivo para quem busca espaço no mercado de trabalho. “Ela tem que querer trabalhar para crescer, e oportunidade tem para todo mundo”, conclui.

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