14/04/2026

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Do Inverno dos VCs À Retomada do Capital no Agro, Rural Tech Report 2025 Expõe a Nova Lógica do Dinheiro

Panchanut Chobjit_Getty

Agtechs e Foodtechs têm desafios e oportunidades, mostra relatório

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O agronegócio brasileiro ganhou um retrato inédito sobre como o capital de risco está se movimentando para financiar inovação no campo. A Rural Ventures, fundo de venture capital fundado por Fernando Rodrigues e especializado em conectar agtechs e foodtechs, acaba de apresentar o Rural Tech Report 2025, publicação que sistematiza dados sobre investimentos, tendências e cases no setor. Além disso, sediada no Cubo Itaú, em São Paulo, a Rural Tech está se estruturando como um novo hub do agro. Empresas como Bayer, Cargill, Hub BRF, Atvos, Novamerica, Silo Agro, Três Tentos e Ubyfol já utilizam os serviços do nascente hub.

“Nosso objetivo é conectar o agro real com o agro tecnológico, aproximando produtores, corporações, startups e tecnologias emergentes. Esse trabalho só faz sentido porque foi construído em rede e com feedbacks do mercado”, diz Rodrigues, ao explicar a origem do relatório em uma apresentação a investidores na qual a Forbes participou com exclusividade.

Segundo Rodrigues, o momento atual oferece ao agro brasileiro a oportunidade de estruturar dados e processos desde o início, sem herdar vícios de outros setores.

“Estamos construindo a infraestrutura invisível do agro, que vai permitir eficiência produtiva, transparência e acesso a mercados mais exigentes. Essa é a revolução em andamento”, afirma Rodrigues.

O Rural Tech Report 2025 vem apoiado pelas empresa BRF, Suzano, Bayer, Atvos e CNH Industrial, mais a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio).

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Fernando Rodrigues, fundador da Rural Tech

Segundo Juliana Chini, sócia da Rural Ventures e responsável pelo braço de inteligência Rural Insights, o relatório nasceu de uma necessidade sentida dentro do próprio ecossistema. “Quando entrei na Rural, percebi que não havia informações de mercado abertas sobre tecnologia e inovação no agro. Fizemos dois anos de monitoramento para consolidar esse conteúdo e agora ele será disponibilizado para todos”, diz ela.

Para Thomaz Edmundo, responsável pela análise de startups e pela estruturação do braço de investimentos da Rural Ventures, detalhou como Rural Tech Report 2025 reúne dados de transações, teses de investimento e percepções de fundos que atuam na América Latina. “Só com dinheiro de fundos de investimento isso aqui não sairia do papel. A tecnologia, sozinha, não decola. Precisávamos da união entre venture capital e corporações, porque vocês são um dos grandes motores que fazem toda essa roda de inovação girar”, diz ele.

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Estudo inédito da Rural Ventures para 2025

Ele recuperou o período chamado de inverno dos VCs, quando valuations inflados perderam espaço. “Foi quando todo mundo caiu na real que estávamos pagando caro demais por soluções que não entregavam o que se pretendia fazer. O mercado brasileiro tentou copiar o playbook americano e acabou tropeçando”, disse. O resultado foi uma volta à cautela na alocação, compressão de valuations e maior proximidade dos investidores com as investidas.

A análise mostra que fundos menores têm conseguido resultados superiores aos grandes. “Fundos menores conseguem despender mais tempo com cada investida e isso retorna em valorização maior”, explicou. Estruturas acima de US$ 25 bilhões chegaram a exibir mediana negativa de retorno, enquanto fundos de US$ 1 a US$ 10 bilhões apresentaram desempenho melhor. Algumas casas com safra 2023 já registram taxa interna de retorno próxima de 15%.

O semestre em números

O primeiro semestre de 2025 foi descrito como mais positivo do que o mesmo período de 2024, com crescimento do valor transacionado e aumento do valor médio dos cheques. Houve um aporte fora da curva na Mombak, de R$ 280 milhões, o que representou 44% do valor investido no período de um total de R$ 627,2 milhões. Mas mesmo sem esse outlier houve expansão de volume e consolidação da atividade. O levantamento apontou ainda 15 transações no modelo B2B e mais de 50% dos deals ligados à sustentabilidade.

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Juliana Chini, partner responsável pelo braço de inteligência Rural Insights

Na América Latina, ao excluir a Mombak, a mecanização do campo sobressaiu como vetor. Foram oito transações fora do Brasil, metade delas relacionadas à agenda de sustentabilidade. Na segmentação por teses, a região mostrou alta de 73% em operações de agtech, redução de 50% em clima (mas com maior valor agregado) e crescimento três vezes superior no volume de alimentação, mesmo com menos transações.

Edmundo mostrou também que a sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a ser prática mensurável. Ele citou a argentina Kilimo, que reduz o gasto de água em pivôs de irrigação, e a 1.5°, que identifica focos de incêndio em até 3 segundos. “Esse é o retrato da sustentabilidade palpável: reduzir custos, evitar emissões e criar novos mercados, como os créditos de água”, diz.

Inclusão financeira e digitalização

O relatório também mostrou seis transações em inclusão financeira, quatro delas no Brasil. “Para poder ter uma inclusão financeira, preciso ter visibilidade do que está acontecendo na fazenda de fato. A inteligência artificial aplicada ao campo me traz essa visibilidade. A IA aplicada às finanças melhora o scoring e inclui de maneira mais adequada o produtor no sistema”, diz Edmundo.

Outro destaque é que a digitalização aparece como base para a inclusão e para o avanço da rastreabilidade.

“No final do dia, tudo se apoia em dados. Eles são o novo ouro”, afirma Edmundo.

O blockchain e tokenização entram como instrumentos de registro e liquidez, com projeção de US$ 16 trilhões em ativos tokenizados até 2030.

Nesse caminho, a inteligência artificial, antes vista como tendência isolada, foi apresentada como pilar. “A IA não vai mais se tornar um tópico único. Ela é imprescindível para captar recurso e aumentar a capilaridade”, afirma Edmundo. Ele destaca que mais de duas mil novas empresas receberam aportes em IA em 2024, sinal de que a tecnologia se consolidou como infraestrutura para ampliar eficiência e atrair capital.

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Thomaz Edmundo, responsável pela análise de startups e estruturação de investimentos da Rural Ventures

Mas com dados no centro do negócio, cresce a preocupação com segurança digital. O relatório posiciona o Brasil entre os dez países com maior incidência de crimes cibernéticos e estima um crescimento anual composto de 35% no custo dessas ocorrências. “Uma tendência puxa a outra. Com mais dados e IA, segurança passa a ser prioridade para corporações e para o produtor.”

Sobre o apetite dos investidores, o report da Rural Ventures mostra uma preferência por estágios iniciais, sobretudo seed e Série A, com mediana de cheque em torno de US$ 500 mil. Enquanto na América Latina não há busca por participação elevada, no Brasil persiste um viés de controle, com investidores buscando posições maiores para tentar influenciar desempenho. O país respondeu por três quartos dos deals da região.

Sobre o pipeline, Edmundo explica que o ciclo típico de fechamento de uma rodada é de 5 a 6 meses. Parte das transações iniciadas no fim de 2024 fechou no primeiro semestre de 2025, com rodadas relevantes em junho e novas tratativas já em andamento. “O apetite existe, mas o investidor exige benefícios tangíveis e métricas fáceis de verificar”, afirma. No crédito e seguro rural, a expansão vem ancorada em garantias reais, como mostram os casos da Pixel, Mumbai e Agroland.

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