16/07/2026

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Dados e Inteligência Artificial na Indústria de Celulose e Madeira

A indústria florestal chilena é um dos pilares do desenvolvimento produtivo do país, com uma base sofisticada em torno da celulose e da madeira, além de uma presença consolidada nos mercados globais. No entanto, hoje o setor enfrenta um ponto de inflexão mais profundo.

Por um lado, existe uma pressão crescente para operar sob padrões de sustentabilidade cada vez mais exigentes, em que a rastreabilidade, o uso eficiente de recursos e a transparência não são mais opcionais. Por outro, a realidade operacional do setor continua marcada por ativos distribuídos, processos complexos e sistemas fragmentados.

Nesse ponto está o verdadeiro choque: uma indústria que precisa operar de forma integrada, mensurável e sustentável, mas que ainda se apoia em bases tecnológicas que não foram desenvolvidas para esse nível de exigência.

A lacuna da sustentabilidade nas corporações

O Barômetro Global de Sustentabilidade da Kyndryl e da Microsoft mostra isso com clareza: 62% das organizações que conseguem integrar a sustentabilidade em sua estratégia obtêm sucesso em traduzi-la em inovação, eficiência e resiliência, ao passo que apenas 34% daquelas que abordam o tema de forma isolada alcançam resultados comparáveis.

Em setores como o florestal, essa lacuna se amplia. A cadeia de valor, que abrange a gestão da floresta e a entrega nos mercados internacionais, depende de múltiplos processos interconectados e altamente distribuídos. Sem visibilidade de ponta a ponta, a sustentabilidade se torna apenas declaratória. Sem integração de dados, ela não é escalável. E sem uma infraestrutura tecnológica adequada, ela não é gerenciável.

Ao mesmo tempo, a indústria mantém uma relevância global crescente. De acordo com o relatório da Fortune Business Insights, o mercado global de celulose e papel supera US$ 350 bilhões (R$ 1,75 trilhão, na cotação atual), impulsionado pela crescente demanda por materiais renováveis e soluções mais sustentáveis.

Isto é, a oportunidade está claramente definida. No entanto, capturá-la exige resolver primeiro essa tensão estrutural.

Modernização digital na prática

O Kyndryl Readiness Report 2025 mostra que 57% dos líderes reconhecem que a inovação se vê limitada pelas capacidades tecnológicas atuais. É neste ponto que se separam os discursos das capacidades reais.

Avançar em direção a plataformas de dados integradas, eliminar silos e viabilizar o uso de inteligência artificial permite transformar a sustentabilidade em uma capacidade operacional concreta: antecipar cenários, otimizar recursos e tomar decisões com precisão em toda a cadeia de valor.

Algumas companhias já estão dando esse passo. A CMPC, por exemplo, impulsionou uma modernização estrutural de sua plataforma tecnológica para dar suporte aos seus objetivos de sustentabilidade para 2030, o que fortaleceu sua base digital e preparou sua operação para a adoção de recursos avançados de dados e inteligência artificial.

A mensagem é que o futuro da indústria florestal não depende apenas do que ocorre na floresta, mas sim da capacidade de transformar dados em decisões. As organizações que conseguirem reduzir essa distância, que separa a exigência de sustentabilidade e a realidade operacional, serão as que não apenas cumprirão o padrão, mas definirão a liderança no setor.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes Chile

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