21/04/2026

21/04/2026

Search
Close this search box.

Conheça a Startup “Do Futuro” Que Cresce em Ritmo Recorde

SEBASTIAN NEVOLS PARA FORBES

A Lovable transformou o desenvolvimento de software, virou unicórnio sueco e se tornou a startup de crescimento mais rápido da história

Acessibilidade








Oskar Munck af Rosenschöld nunca planejou trabalhar no mundo do entretenimento. Mas, durante uma pausa para o café em Estocolmo, Suécia, um amigo produtor de cinema lhe apresentou uma ideia de startup: um marketplace para conectar filmes a financiadores, ajudando cineastas europeus a levantar recursos.

Ideias como essa muitas vezes não passam da conversa. Porém, poucos meses depois, a FrameSage estava no ar e já havia faturado US$ 50 mil (R$ 276.500) — graças a uma nova ferramenta de programação com inteligência artificial chamada Lovable, que Munck af Rosenschöld usou para estruturar a base da empresa. “Você sente como se tivesse a chave mágica para criar software. Economizamos milhares de dólares com desenvolvedores e cerca de quatro meses de trabalho”, aponta Oskar,  que trabalha como gerente de projetos em uma farmacêutica durante o dia.

Munck af Rosenschöld não é o único jovem fundador que se encantou pela Lovable, o novo unicórnio sueco de IA. Somente em junho, 750 mil projetos — aplicativos, sites, negócios inteiros — foram criados e lançados. Não é como aqueles construtores de sites engessados do passado, que geravam dezenas de páginas pessoais. Também não são esboços ou protótipos visuais que apenas parecem promissores. Os projetos criados com a Lovable, devido à IA generativa, são produtos reais e funcionais, com recursos que vão desde boletins por e-mail até pagamentos.

“Quando me apresentaram a Lovable, eu soube o que faria pelos próximos anos”, afirma Jaleel Miles, de Malmö, Suécia, que criou sua startup de gestão de restaurantes, a Quicktables, em apenas dois meses usando a ferramenta. Desde maio, já acumulou mais de US$ 120 mil (R$ 663,600) em vendas por meio do site.

A Lovable se tornou a startup de software de crescimento mais rápido da história, atingindo US$ 100 milhões (R$ 553 milhões) em receita por assinaturas em apenas oito meses desde seu lançamento, em novembro passado — superando outras startups em ascensão como a israelense Wiz (segurança em nuvem) e a Deel, de São Francisco (plataforma de RH), que atingiram esse mesmo marco em 18 meses e dois anos, respectivamente. “Os seres humanos são construtores por natureza, mas saber programar ou ter acesso a capital sempre foi o fator decisivo para criar software. Agora estamos entrando em uma nova era”, diz o cofundador e CEO Anton Osika, de 34 anos, que fundou a companhia em setembro de 2023.

Lovable ganha espaço entre gigantes da IA

E não são apenas jovens empreendedores iniciantes que estão usando a Lovable. A QConcursos, sediada no Rio de Janeiro, conta com 200 funcionários que ajudam estudantes brasileiros a se prepararem para vestibulares e concursos públicos. O CEO Caio Moretti afirma que usou a plataforma para lançar uma nova versão premium do aplicativo em apenas duas semanas. Ela gerou mais de US$ 3 milhões (R$ 16,59 milhões) nas primeiras 48 horas. “Se estivéssemos programando em nossa plataforma antiga, levaríamos um ano para desenvolver um novo produto”, afirma.

O que conquistou Ben Fletcher, sócio da Accel, foi um aplicativo para acompanhar torneios de pickleball. O investidor londrino criou a ferramenta em um fim de semana com a Lovable e, depois, desenvolveu um sistema que ajuda a Accel a analisar dados de vendas de startups. Agora, está liderando uma rodada de US$ 200 milhões (R$ 1,106 bilhão) na empresa sueca, que avalia a companhia de 45 funcionários em US$ 1,8 bilhão (R$ 9,954 bilhões) — sendo que os 50% estimados pertencentes aos cofundadores valem, juntos, US$ 900 milhões (R$ 4,977 bilhões). “Vemos a Lovable como um diretor de tecnologia com opinião própria que constrói seu produto para você”, diz Osika, que começou a investir de forma privada nos projetos mais promissores da plataforma.

Esse aporte de US$ 200 milhões (R$ 1,106 bilhão), somado aos US$ 23 milhões (R$ 127,19 milhões) arrecadados anteriormente, deve ajudar a Lovable a enfrentar concorrentes da região da Baía de São Francisco, como a Replit, que levantou US$ 97 milhões (R$ 537 milhões) com uma avaliação de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,65 bilhões), e a StackBlitz — que captou US$ 105 milhões (R$ 581 milhões) em janeiro e está na lista deste ano das Próximas Startups Bilionárias da Forbes.

As gigantes da IA como OpenAI e Google também estão de olho no mercado chamado de “vibe coding” — termo que se refere ao uso de inteligência artificial para criar softwares de forma intuitiva, quase como se a pessoa estivesse apenas expressando ideias, sem precisar saber programar. Um exemplo disso é o Firebase Studio, ferramenta do Google, que já permite desenvolver sites e apps por meio de comandos  em inglês, como “quero um site com galeria de fotos e botão de contato.”

Mudando o mercado

A mesma tecnologia que impulsiona a Lovable e seus rivais está transformando o mercado profissional do Vale do Silício. Startups como Cursor, Cline e Cognition estão mudando a forma como programadores profissionais escrevem código. Satya Nadella, da Microsoft, afirma que até 30% do código da empresa já é gerado por IA.

Sundar Pichai, do Google, também fez declarações semelhantes e, segundo rumores, desembolsou US$ 2,4 bilhões (R$ 13,27 bilhões) para contratar os fundadores da Windsurf e fortalecer suas ferramentas de codificação por IA. Ou seja, os engenheiros de software que antes eram disputados estariam entre os recentes demitidos em ambas as companhias. O fundo de investimento SignalFire, que monitora contratações no setor de tecnologia, observou uma queda de 25% na contratação de programadores iniciantes no ano passado.

Para empreendedoras como Theresa Anoje, que nunca havia programado além de pequenos ajustes em sua página do Tumblr, a Lovable foi uma virada de chave. Theresa sonhava há anos em transformar sua newsletter sobre carreiras, a Remotely Good, em uma plataforma completa de busca de empregos — mas enfrentava dificuldades para captar recursos e escalar o projeto. Com a Lovable, conseguiu criar um novo site em apenas um fim de semana. “Foi um alívio enorme. Uma verdadeira revelação”, conta.

A Lovable permite que qualquer pessoa crie alguns projetos simples gratuitamente, mas recursos mais avançados e pedidos de código por IA podem ser desbloqueados com planos a partir de US$ 25 por mês (R$ 138,25). Desenvolver algo como o clássico jogo da cobrinha do celular custa o equivalente a US$ 1 (R$ 5,53) em créditos Lovable, enquanto um aplicativo mais elaborado pode sair por mais de US$ 50 (R$ 276,50) — ainda assim, menos do que a hora de trabalho de um programador humano comum.

Como tudo começou

O próprio Osika não iniciou sua carreira como programador, embora programe desde os 12 anos os mesmos tipos de joguinhos que hoje a Lovable consegue criar em minutos. Estudou física no prestigiado KTH Royal Institute of Technology, na Suécia, e depois trabalhou no CERN, o maior laboratório de física de partículas do mundo, na Suíça. O CERN contava com milhares dos melhores físicos do planeta, mas Osika logo começou a achar que a lentidão dos projetos, como a busca pela matéria escura, era um desperdício de potencial humano. “Percebi que você tem muito mais impacto estando na indústria, construindo empresas”, afirma.

Após um período na empresa de investimentos Ampfield, de Estocolmo, Osika entrou para uma startup de educação com IA em 2017 e, em seguida, tornou-se cofundador e diretor de tecnologia da Depict AI, ajudando o cofundador Oliver Edholm a vender um algoritmo de recomendação de produtos no estilo da Amazon para varejistas. Eles participaram da aceleradora Y Combinator e, em menos de um ano, geraram US$ 1 milhão (R$ 5,53 milhões) em receita, levantando US$ 17 milhões (R$ 94,01 milhões) em 2022 de investidores renomados como a Tiger Global.

Mas o crescimento da Depict perdeu força junto com a queda do e-commerce pós-pandemia, enquanto a IA ganhava força com o lançamento do ChatGPT. “Nós precisávamos fazer isso na Depict, ou encontrar uma forma de entrar nessa tendência que está vindo’”, diz Osika.

Ele estava tão convencido do potencial, que criou, em seu tempo livre, uma ferramenta de IA chamada GPT Engineer, publicada no Github em junho de 2023. Quando o app disparou para o topo da página de tendências da plataforma quase da noite para o dia, Osika soube que estava no caminho certo. Pediu demissão e convidou Fabian Hedin, ex-colega da Depict, para ser seu cofundador e diretor de tecnologia.

A dupla decidiu transformar o GPT Engineer, voltado para programadores, em uma ferramenta visual que qualquer pessoa pudesse usar. “Percebemos que aquilo era muito poderoso”, diz Hedin. Em outubro de 2023, levantaram uma rodada seed de US$ 8 milhões (R$ 44,24 milhões) liderada pelo fundo Hummingbird.

Quando a primeira versão da Lovable fracassou, eles reformularam o produto para que fosse capaz de construir mais do que joguinhos simples ou sites estáticos. Em pouco mais de um mês após o relançamento, em novembro de 2024, a Lovable já havia faturado mais de US$ 5 milhões (R$ 27,65 milhões).

Desafios a vista

Hoje, a Lovable fatura US$ 1 milhão (R$ 5,53 milhões) por dia em assinaturas, mas a concorrência é intensa. Seu foco em portfólios e protótipos simples a coloca em conflito com uma geração anterior de unicórnios, como a Figma, e construtores de sites como Wix e Squarespace. Todas essas empresas também estão desenvolvendo suas próprias ferramentas de IA.

A Figma lançou um gerador de código no início deste ano e, em junho, a Wix — listada na Nasdaq — gastou US$ 80 milhões (R$ 442,4 milhões) para adquirir uma startup de codificação por IA com apenas seis meses de existência.

A Lovable tem limitações. É excelente em design de sites, mas a estrutura interna de aplicativos mais complexos ainda exige intervenção humana. Para o engenheiro de IA holandês Lennert Jansen, um protótipo criado na Lovable foi suficiente para garantir uma vaga na Y Combinator com sua startup, a Airweave, que conecta apps como Gmail a blocos de código autônomos chamados agentes de IA. A Lovable teve dificuldades com a parte estrutural, então Jansen e seu cofundador escreveram o código manualmente e depois reescreveram o restante do projeto.

Ainda assim, acelerar as etapas iniciais trouxe grande economia de tempo. “Sem a Lovable, não teríamos esse ponto de partida. Foi uma vitória enorme considerando a velocidade com que esse mercado se move”, diz Jansen.  Atualmente, a Airweave fatura US$ 17 mil (R$ 94.010) por mês e acaba de captar US$ 6 milhões (R$ 33,18 milhões).

Mais um ponto vulnerável é que como muitas startups do universo vibe coding, a Lovable depende dos mesmos modelos de IA de base, especialmente o Claude, da Anthropic. A empresa gasta milhões de dólares por mês para alimentar sua ferramenta com esses sistemas. Outras startups gastam ainda mais, e isso colocou a Anthropic no caminho de gerar US$ 4 bilhões (R$ 22,12 bilhões) em receita este ano. Agora, a Anthropic — avaliada em US$ 60 bilhões (R$ 331,8 bilhões) — passou a vender sua própria ferramenta de codificação diretamente.

Osika não pode fazer muito em relação à concorrência, a não ser continuar criando produtos que as pessoas amem e alternar entre modelos de IA em busca de eficiência e custo. “Seres humanos entendem seres humanos e a Lovable é essa ferramenta capaz de transformar ideias em realidade em minutos”, diz Osika.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

China Projeta Queda de 6,1% na Importação de Soja em 2026

A China deverá importar menos soja, carne suína, carne bovina e produtos lácteos em 2026,…

Goiás adere a regime emergencial para conter alta do diesel

Subsídio temporário Subvenção de R$ 1,20 por litro será dividida entre União e estados. Medida…

Soja em queda e custos altos desaceleram negócios e colocam revendas em alerta

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso Com a soja perdendo valor e os custos de…