Lu Prezia
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No painel “O Brasil que Move o Mundo”, realizado durante o Forbes Agro100, na última terça-feira (25), dois nomes centrais da geopolítica do agro traçaram diagnóstico e prioridades para os próximos três anos. Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, e Bruno Romano, cofundador da Timbro Trading Brasil, foram provocados pelo mediador, o jornalista Cláudio Gradilone, editor da Forbes Money, sobre como competir num cenário internacional marcado por tarifas, choques logísticos e reorganização de alianças comerciais.
Tomazoni abriu o debate dizendo que 2025 foi “um ano ótimo para o Brasil”, destacando que o país “mostrou que é parte da solução climática”. Romano, por sua vez, classificou o período como “um ano desafiador”, marcado por gargalos logísticos e volatilidade comercial: “Vimos preços de contêineres dispararem e até falta de navios.”
Os dois concordaram que o avanço das tarifas e da disputa geopolítica testou a resiliência das empresas, mas também abriu espaço para ajustes estratégicos.
Plano dos debatedores e histórico dos protagonistas
Ao explicar a estratégia da JBS, Tomazoni reforçou o papel da diversificação: “Construímos uma plataforma global para reduzir a volatilidade. Quando um mercado cai, outro compensa.” Ele citou diferenças de ciclos entre Brasil, Estados Unidos e Austrália como exemplos de como a empresa mantém fluxo de caixa mesmo em períodos adversos.
Romano trouxe a visão da trading: “O DNA brasileiro é correr atrás de oportunidades. Mesmo em um ano difícil, encontramos novos destinos, novos compradores e novos arranjos comerciais.” Ele recordou que a Timbro deve fechar o ano com 2,5 milhões de toneladas de açúcar exportadas, posição que colocou a empresa entre líderes no mercado africano.
A experiência acumulada de ambos ajuda a explicar o diagnóstico apresentado: escala industrial global e capilaridade comercial formam uma base combinada para navegar em mercados fragmentados.
Mercado, desafios e oportunidades concretas
Tomazoni fez uma afirmação que sintetizou o tom do painel: “O Brasil pode ser o supermercado do mundo — em proteínas e em bioenergia.” Segundo ele, o país está apenas no começo em termos de produtividade. “Temos o dobro do rebanho americano e produzimos menos carne que eles. A oportunidade é gigantesca.”
Romano reforçou o ponto acrescentando uma perspectiva de marca-país: “Se o Brasil fortalecer sua credibilidade e investir em marca, conseguimos gerar prêmio sobre a commodity.” Para ele, isso pode determinar “vender ou não vender” em momentos de competitividade acirrada.
Ao discutir logística, Romano foi direto: “A infraestrutura é o que pode travar o crescimento. Produzir nós sabemos; o desafio é tirar da fazenda e entregar no mundo.”
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Lu Prezia
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Lu PreziaGilberto Tomazoni, da JBS
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Lu Prezia
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Lu PreziaBruno Russo, da Timbro
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Cesar Sallum/Colab Corporativo
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Cesar Sallum/Colab CorporativoBruno Russo, da Timbro
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Cesar Sallum/Colab CorporativoPainel “O Brasil que Move o Mundo, Geopolítica, Inovação e Competitividade”
Lu Prezia
Impactos esperados, riscos e tendências
Tomazoni chamou atenção para o impacto da percepção internacional sobre sustentabilidade: “A narrativa pesa. Já deixamos de vender porque nos associaram a problemas ambientais que não correspondem à realidade.”
Ele relatou o caso de um grande comprador internacional que mudou totalmente sua visão após visitar operações no Brasil: “Ele me disse: ‘Quando falo com você, parece tudo perfeito; quando vejo a imprensa, você vira um monstro’. Depois da visita, foi página virada.”
Romano completou afirmando que mercados como Índia e África estão em expansão e buscam mais produtos brasileiros, mas ainda enfrentam entraves financeiros e logísticos. “Tem demanda, mas falta mecanismo de pagamento, falta crédito e falta previsibilidade.”
Os dois convergiram para a mesma visão: há espaço real para ampliar mercados, desde que o país avance em infraestrutura, narrativa e coordenação institucional.