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Acessibilidade
O setor tem uma missão urgente e estratégica: alimentar 8,5 bilhões de pessoas até 2030 sem comprometer o futuro do planeta. Isso exige inovação, sustentabilidade e ação coletiva. Os desafios são claros: produzir mais preservando biomas, estar preparados para as mudanças climáticas, sejam elas secas, inundações e novos padrões de temperatura, garantir segurança alimentar com a redução da toxicidade dos alimentos além de reduzir emissões de carbono alinhando produtividade e metas ESG.
E é aqui que os bioinsumos entram como peça-chave nessa transformação. O mercado já reconhece seu potencial. Segundo dados da CropLifeBrasil, o uso desses produtos cresceu 15% na safra 2023/24 (R$ 5 bilhões no Brasil, US$ 15 bilhões globalmente), e anualmente, deve aumentar de 3% a 5% até 2030, evidenciando um cenário repleto de oportunidades.
Mas o verdadeiro desafio não está apenas no desenvolvimento dos bioinsumos, e sim em como acelerar a entrega de valor. Com um time to market, período entre a concepção de um produto ou serviço e sua disponibilização para o mercado, que pode levar de 1 a 3 anos, como reduzir essa janela e gerar impacto mais rápido?
E a resposta está na inovação na gestão e conexão com o campo. A estratégia passa por transformar o tempo de desenvolvimento em resultados tangíveis, com:
- Validação antecipada, com parcerias com produtores, campos demonstrativos e testes em condições reais para acelerar a confiança no produto;
- Educação contínua, incluindo conteúdo e eventos (como Crianças no Agro e Damas do Agro) para engajar toda a cadeia;
- Jornada integrada do produtor, conectando pesquisa, assistência técnica e pós-venda para garantir adoção em escala.
O momento é agora, e a oportunidade é coletiva. O agro do futuro não será construído por quem espera, mas por quem ousa agir hoje com foco em conectar parceiros, da pesquisa ao campo, investir nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, com foco em soluções escaláveis, testes em ambiente relevante e educar a cadeia, já que a adoção de bioinsumos depende de conhecimento e confiança.
Quando falamos em gerar valor para o agronegócio, é além do financeiro: é a equação entre a entrega de bioinsumos que geram benefícios tangíveis (produtividade, segurança alimentar) e intangíveis (sustentabilidade, reputação).
E para capturá-lo, precisamos de governança de valor, com diretrizes claras para priorizar projetos alinhados à estratégia, equipes multidisciplinares com habilidades técnicas e de campo para traduzir inovação em soluções práticas, e sistemas de mensuração que monitorem desde a eficácia do bioinsumo até a percepção do cliente.
Nós estamos em fase de mudança de mentalidade: sair do “produzir mais” para “entregar mais valor” com menos desperdício, mais resiliência e impacto coletivo.