26/05/2026

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Como André Savino Lidera a Vanguarda Tecnológica da Syngenta Num Mercado de US$ 16 Bi no Brasil

Enquanto boa parte do mercado agrícola embarcava na onda de consolidação das revendas por fundos de investimento, André Savino ajudava a conduzir a Syngenta para uma direção oposta.

Em vez de transformar distribuidores em ativos financeiros de curto prazo, a companhia decidiu preservar uma relação direta e duradoura com o produtor rural, movimento que resultaria na criação da Synap, holding de varejo próprio da empresa.

“Não dava para suportar esse movimento porque esse cara não vai ser meu cliente no final das contas, ele vai ser um intermediário”, afirmou Savino, em entrevista exclusiva à Forbes Agro. Ele relembrou o momento em que a empresa precisou decidir entre aderir à consolidação financeira do varejo agrícola ou construir um modelo alternativo.

A decisão ganhou ainda mais peso quando parte das grandes redes agrícolas controladas por fundos passaram a enfrentar recuperação judicial e forte restrição de crédito entre 2024 e 2025.

Hoje presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, Savino ocupa posição central em outra transformação estratégica do agronegócio: a integração entre químicos e biológicos dentro da agricultura tropical.

Há quase 29 anos na companhia, o engenheiro agrônomo e formado pela Unesp de Botucatu, acompanhou toda a transformação da Syngenta, até se consolidar como a grande líder mundial na proteção de cultivos no mundo.

Originalmente formada no ano 2000 pela fusão das divisões agrícolas da Novartis e da AstraZeneca, a companhia consolidou-se como uma gigante suíça do agronegócio até ser adquirida em 2017 pela ChemChina por US$ 43 bilhões (R$ 215,9 bilhões, segundo a cotação atual), o que marcou sua transição para o controle estatal chinês e pavimentou a criação do atual Syngenta Group.

Seu peso acompanhou seus números. O Syngenta Group lidera o mercado global de proteção de cultivos em 2025, com faturamento de US$ 28,4 bilhões (R$ 142,6 bilhões), à frente de Bayer Crop Science, que reportou US$ 25,51 bilhões (R$ 128,06 bilhões); Corteva Agriscience, com US$ 17,4 bilhões (R$ 87,35 bilhões); BASF Agricultural Solutions, com US$ 11,51 bilhões (R$ 57,78 bilhões); e UPL, com US$ 5,55 bilhões (R$ 27,86 bilhões).

No Brasil, segundo Savino, o setor de agroquímicos fechou em 2025 em US$ 16,1 bilhões (R$ 80,82 bilhões), 4,8% ante os cerca de US$ 15,4 bilhões (R$ 77,3 bilhões) de 2024.

A Syngenta tenta posicionar-se como protagonista de uma nova fase da agricultura mundial, baseada na integração entre químicos, biológicos, genética e sustentabilidade.

“Atualmente, somos líderes de mercado em proteção de cultivos no Brasil e no mundo. No mercado de biológicos, que hoje é muito fragmentado, temos a convicção de que assumiremos essa posição em um prazo bem curto.”

A defesa do relacionamento direto

SimonSkafar/Getty ImagesProdutores monitorando dados em lavoura de milho

Foi justamente durante a consolidação do varejo agrícola que Savino participou de uma das decisões mais estratégicas da companhia. Enquanto fundos promoviam aquisições em larga escala, a Syngenta optou por preservar relações de longo prazo com o produtor rural.

Na avaliação do executivo, o modelo financeiro dos fundos transformaria o distribuidor em um ativo de curto prazo, distante da lógica comercial baseada em proximidade técnica e fidelização.

A resposta veio com a Synap, holding construída por meio de aquisições seletivas de varejos agrícolas, mas sob uma lógica de permanência operacional e relacionamento duradouro.

Antes de assumir a presidência da operação brasileira de proteção de cultivos, Savino deixou a área tradicional de marketing e vendas para liderar diretamente o varejo da companhia. A experiência ampliou sua atuação em crédito, logística, cobrança e gestão operacional.

A convergência entre químicos e biológicos

evandrorigon/Getty ImagesProdutores rurais manuseando um drone em área agrícola

Se no varejo a aposta foi a proximidade, no campo a estratégia passou pela integração tecnológica. Para Savino, químicos e biológicos não competem entre si. Eles se complementam dentro da agricultura tropical.

“Na agricultura tropical, como você tem cultivos o ano inteiro, a pressão de pragas e doenças é muito grande”, afirmou o executivo.

A companhia destina cerca de 10% do faturamento global para Pesquisa e Desenvolvimento, sustentando uma corrida tecnológica que envolve três gerações de bioinsumos.

A primeira foi baseada em microrganismos vivos, como fungos e bactérias aplicados diretamente no solo. O principal problema era a instabilidade logística. Exposição excessiva ao calor durante transporte e armazenagem compromete a sobrevivência dos organismos e reduz a eficiência agronômica.

A segunda geração, hoje em expansão, trabalha diretamente com metabólitos bacterianos e fúngicos, compostos responsáveis pela ação biológica.

“A indústria começou a investir pesado e já a entrar na segunda geração de biológicos, que são os metabólitos”, explicou Savino.

Ao eliminar a dependência do organismo vivo dentro da embalagem, os produtos ganharam maior shelf life, estabilidade e previsibilidade de performance. O resultado foi um salto de adoção comercial no campo.

A terceira etapa já começa a surgir nos laboratórios da indústria: bioinsumos baseados em RNA mensageiro, tecnologia que, segundo Savino, poderá atingir eficiência superior à de muitas moléculas químicas tradicionais.

Sustentabilidade como expansão produtiva

SiyueSteuber/Getty ImagesEdifício da sede global da Syngenta em Basel, Suíça

Dentro da Syngenta, a sustentabilidade aparece associada ao aumento de produtividade sem abertura de novas áreas.

Essa lógica sustenta o projeto Reverte, criado em 2019 para financiar a recuperação de pastagens degradadas no Cerrado brasileiro. Em 2021, o programa ganhou o Itaú BBA como parceiro financeiro e mantém cooperação técnica com a ONG The Nature Conservancy (TNC). Recentemente, foi expandido para o Paraguai.

O “presidente botina”

Filho de bancários, nascido em Santos e criado em Campinas, Savino entrou na antiga Novartis logo após concluir a graduação na Unesp de Botucatu.

Passou por Mato Grosso do Sul como Representante Técnico de Vendas (RTV) e participou da criação do projeto OTO (One-to-One) no Cerrado, modelo voltado ao atendimento personalizado de grandes produtores rurais.

Hoje, administra uma estrutura com cerca de 2.400 colaboradores. No escritório central, aboliu salas individuais e adotou um modelo circular com os diretores seniores da companhia para acelerar decisões.

No setor, ganhou o apelido de “presidente botina”. A expressão simboliza a rotina de viagens pelo país. Inclusive uma réplica da botina dele está logo no lobby de entrada do escritório da Syngenta em São Paulo. Não é por menos isso. Savino passa cerca de 30 semanas por ano visitando regiões agrícolas para acompanhar de perto a operação comercial da companhia.

Enquanto acelera programas internos de formação de lideranças e diversidade, o executivo observa outra transformação ganhar força no agro global: o avanço da biotecnologia voltada à eficiência energética, aos biocombustíveis e ao desenvolvimento de alimentos com maior concentração proteica. E o Brasil é estratégico.

“O único lugar que tem área para plantar mais sem desmatar é o Brasil. É o único lugar que tem área para alimentar 10 bilhões de pessoas no mundo.”

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