24/06/2026

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Como a Danone Transforma Fazendas de Leite em Máquinas de Lucro e Ainda Reduz Emissões de Metano em 43%

A Danone Brasil apresentou nesta terça-feira (23), em São Paulo, a fase 2 da Jornada de Impacto, conjunto de metas globais com aplicação concreta no país. Com 55 anos de operação, mais de 3 mil funcionários, duas fábricas e seis centros de distribuição no Brasil, a companhia atua nos segmentos de produtos lácteos, à base de plantas e nutrição especializada, com portfólio de mais de 200 produtos. A Danone registrou vendas globais de €28,3 bilhões em 2025 (cerca de R$ 167,5 bilhões na cotação atual), com uma média de crescimento anual da ordem de 4%. A nova fase expande os compromissos assumidos desde 2020 e distribui metas mensuráveis por três eixos: saúde por meio da alimentação, natureza e pessoas e comunidades.

“Crescer com impacto significa olhar para o negócio de forma mais ampla: desde o que oferecemos aos consumidores do nosso portfólio saudável à maneira como fortalecemos nossa cadeia produtiva e desenvolvemos pessoas e comunidades”, afirma Mário Rezende, vice-presidente de Operações e Sustentabilidade da Danone Brasil. “Essa visão torna a nossa operação mais resiliente e nos prepara para seguir crescendo de forma sustentável e lucrativa no Brasil.”

O principal instrumento da estratégia no Brasil é a Jornada Flora, programa de agricultura regenerativa voltado à cadeia de leite fresco. O programa envolve 148 agricultores fornecedores e já alcança 60% do volume de captação de leite da companhia. A companhia recebe leite de 230 fazendas no Brasil. Entre 2020 e 2025, o fator de emissão de CO₂ caiu 50% e o fator de emissão de metano recuou 43%.

Os produtores participantes registram retorno médio de R$ 116 para cada R$ 100 investidos no campo ao ano. Entre os produtores, 70% são pequenos, com produções diárias de até 1.000 litros, respondendo por 60% do leite entregue na agroindústria. A empresa capta diariamente 500 mil litros de leite por dia no país.

A Flora opera sobre três pilares: meio ambiente, renda do produtor e bem-estar animal. Mais de 900 treinamentos de bem-estar animal foram aplicados às fazendas parceiras desde 2023. Para descarbonizar, o programa combina aumento de produtividade por animal com mudanças de manejo, sem uso de créditos de carbono.

“Os produtores que entendem que sustentabilidade é um bom negócio também são os que menos emitem. Os melhores índices de emissão coincidem com os melhores retornos financeiros”, afirma Rezende.

Para capacitação dos produtores, a Danone mantém parceria com o Sebrae via programa Educampo. A empresa também opera um convênio com o Banco do Brasil que colocou à disposição dos produtores R$ 175 milhões em crédito entre 2023 e 2025, sendo R$ 25 milhões em 2023, R$ 50 milhões em 2024 e R$ 100 milhões em 2025. O contrato de fornecimento de leite funciona como garantia junto ao banco, agilizando a liberação do crédito. “O crédito é utilizado também para a aquisição de genética melhoradora dos rebanhos, que é o caminho para aumentar a rentabilidade das propriedades”, diz Rezende.

Na fase 2, a Danone amplia a descarbonização para além da cadeia do leite. A meta global prevê redução de 46,3% nas emissões de escopo 1 e 2 até 2030, alinhada ao limite de 1,5°C do Science Based Targets initiative (SBTi), e que 45% dos ingredientes-chave diretos venham de fazendas em agricultura regenerativa. O Net Zero está previsto para 2050. No eixo de saúde, 88% dos produtos lácteos adultos deverão conter no máximo 10 gramas de açúcares totais por 100 gramas até 2030, meta liderada pelas marcas Danone e Activia.

Danone recebe 500 mil litros de leite por dia para processar seus lácteos

“Com essa nova fase, a Danone reforça seu compromisso em gerar valor por meio do desenvolvimento de pessoas e do fortalecimento de sua cadeia de fornecimento. A evolução da estratégia no Brasil consolida uma agenda que integra desempenho de negócio, sustentabilidade e construção a longo prazo”, afirma Taisa Costa, gerente sênior de Sustentabilidade da Danone Brasil.

No eixo de pessoas, a Danone Brasil incorporou uma meta de equidade racial que não consta nas diretrizes globais: atingir 30% de pessoas negras e pardas em cargos de liderança até 2030, partindo dos 21% atuais. “Faltava esse pilar”, diz ela. Para gênero, a meta é manter entre 40% e 60% de mulheres em todos os níveis gerenciais, incluindo direção e cargos executivos. Hoje, 52% dos postos de liderança são ocupados por mulheres, com equidade salarial.

Outro programa no radar é o Kiteiras, canal de vendas inclusivo, que opera em seis estados brasileiros com 12 microdistribuidores e gera renda para cerca de 3 mil mulheres por ano, levando produtos a periferias onde o varejo convencional não chega. “É um programa que leva renda para as pessoas”, diz Taisa. Não por acaso, a Danone foi recertificada como B Corp no Brasil em 2025, três anos após a primeira certificação, e a matriz global obteve a certificação internacional no mesmo ano.

A certificação é concedida pela organização sem fins lucrativos B Lab, que avalia empresas por critérios de impacto social, ambiental, transparência e governança. No Brasil, a Danone foi a primeira grande empresa de alimentos a obter a certificação. Globalmente, há mais de 9 mil empresas B Corp em cerca de 100 países, incluindo Natura, Patagonia e Ben & Jerry’s.

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