24/04/2026

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Caruru resistente rouba até 20% da produtividade da soja em Mato Grosso

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

O avanço do caruru resistente tem preocupado produtores em Mato Grosso. A planta daninha compete diretamente com a soja e pode causar perdas de até 20% na produtividade, além de elevar os custos com manejo.

Com crescimento acelerado e alta capacidade de reprodução, o controle tem se tornado cada vez mais difícil. Produtores relatam resistência aos principais herbicidas e a necessidade de mudar estratégias para conter o avanço da praga.

Na prática, o problema já impacta diretamente o dia a dia no campo. Em Tangará da Serra, o agricultor Josemar Rodrigues conta que a dificuldade começou há cerca de três a quatro anos e, desde então, só aumentou. “Já veio de fora esse caruru, acho que não foi criado e pegou resistência na nossa terra. O que tinha no Brasil não tinha essa resistência. Eu acho que ele não criou essa resistência, ele já veio de lá com essa resistência. Faz uns três, quatro que estamos apanhando feio”, relata ao Patrulheiro Agro.

Com 1,5 mil hectares de soja e milho, ele descreve que o comportamento da planta mudou a rotina dentro da propriedade. O caruru se desenvolve com vigor e dificulta até o controle manual. “Você não consegue arrancar, o tronco dele fica grosso, às vezes precisa estar em dois para conseguir arrancar. Teve no meio da roça em que arrancamos na altura da gente”, afirma.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Resistência e prejuízo direto na lavoura

O uso de herbicidas já não apresenta a mesma eficiência. Segundo o produtor, o glifosato deixou de ser uma alternativa viável na área. “Não tem nenhum que o glifosato mata, no meu não tem aqui na lavoura”, diz. O glufosinato ainda ajuda, mas apenas em fases iniciais. “Tem que ser nesse estágio, passou disso já quase não consegue controlar ele mais, aí só um dicamba da vida, só que é caro”, completa.

Além da resistência química, o caruru chama atenção pela agressividade na competição com a soja. Josemar relata que a planta avança mesmo em condições adversas e domina rapidamente a área. “Ele vai na seca, não tem problema nenhum e toma conta. Onde não passou o pulverizador ele passou da soja, você não vê a soja, ele rouba água, rouba nutriente, rouba tudo, rouba o sol”, descreve.

O impacto na produtividade é direto. Em áreas mais afetadas, a perda é significativa. “Mais de 15% a 20% ele rouba pelo menos”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.

A agressividade da planta também está ligada à sua capacidade de multiplicação. No Brasil, existem mais de dez espécies do gênero Amaranthus, sendo o Amaranthus palmeri considerado o mais problemático. Uma única planta pode produzir centenas de milhares de sementes, o que acelera a infestação de uma safra para outra.

Avanço rápido e efeito na qualidade da produção

Em Lucas do Rio Verde, o agricultor Nelei José Kraemer também enfrenta o avanço do caruru. Após cultivar 1,5 mil hectares de soja, ele implantou 1.200 hectares de algodão na segunda safra e relata que o problema tem se intensificado rapidamente.

Conforme o agricultor, o crescimento da planta é acelerado e a multiplicação impressiona. “O caruru tem um crescimento de quatro a cinco centímetros por dia e a produção de semente dele é muito alta, você tem plantas isoladas em um ano e no outro ano está tomado”, explica.

A presença da planta daninha afeta diferentes culturas e vai além da perda de produtividade. Nelei destaca que há impacto direto na qualidade do produto colhido. “Você perde por nutrientes, por sombreamento, por água e também na qualidade do produto final. No algodão, a semente gruda na pluma e mesmo beneficiando ela não sai”, relata.

Diante desse cenário, o manejo precisa ser contínuo ao longo do ano. De acordo com o produtor, será necessário intensificar o controle e até retomar práticas manuais. “Vai ter que fazer o manejo o ano inteiro, viu planta isolada, vai lá e arranca para não deixar aumentar a população”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mudança no manejo e busca por soluções

A resistência do caruru tem exigido mudanças nas estratégias adotadas no campo. Conforme o diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Gilson Antunes de Mello, o produtor enfrenta limitações no acesso a novos produtos, o que dificulta o controle.

Ele pontua que o caminho tem sido buscar alternativas dentro do que já está disponível. “Hoje a palavra é associação de produtos para poder sair com a lavoura limpa sem os problemas com essas pragas”, afirma.

O diretor também reforça o papel da pesquisa no enfrentamento do problema. “A palavra é o produtor procurar a pesquisa, a pesquisa nos ensina, nos mostra protocolos com diversos produtos que podem ser usados no controle dessa praga”, destaca.

Mesmo com os avanços, o cenário ainda preocupa. De acordo com ele, o caruru, especialmente o Amaranthus palmeri, segue como a principal ameaça, ao lado de outras plantas daninhas que também têm reduzido a produtividade e a rentabilidade no campo.

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