A cadeia produtiva da avicultura brasileira enfrenta um cenário misto no comércio internacional: enquanto a Arábia Saudita amplia restrições à importação de carne de frango do Brasil, a Rússia dá sinais de flexibilização em suas barreiras, reacendendo esperanças no setor exportador.
Restrições sauditas ganham força
A Arábia Saudita, um dos principais destinos da carne de frango brasileira, anunciou novas medidas que restringem ainda mais as importações do produto. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o governo saudita suspendeu a habilitação de mais plantas frigoríficas brasileiras, alegando motivos sanitários e de conformidade com exigências técnicas locais.
A medida preocupa o setor, já que o país do Oriente Médio historicamente figura entre os cinco maiores compradores do frango brasileiro. Em 2024, o volume exportado para a Arábia Saudita já havia mostrado sinais de retração diante de exigências mais rígidas, como mudanças nos critérios de abate halal e maior rigor nas auditorias.
Empresários e representantes da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) veem com preocupação a escalada das restrições. “É um parceiro estratégico. Qualquer entrave impacta diretamente o fluxo de exportações e afeta toda a cadeia produtiva”, afirma Ricardo Santin, presidente da entidade.
Alívio vindo do Leste Europeu
Na contramão das medidas sauditas, a Rússia anunciou a reabilitação de algumas unidades frigoríficas brasileiras que estavam com embarques suspensos desde 2021. Segundo autoridades russas, os frigoríficos passaram por novas auditorias e atenderam às exigências técnicas impostas pelo serviço sanitário local.
A reabertura parcial do mercado russo é vista como uma vitória diplomática e comercial. A Rússia foi, por anos, um importante destino da carne brasileira, mas desde o agravamento das sanções ocidentais em função da guerra na Ucrânia, o país passou a buscar novos parceiros e reforçar laços com países do Sul Global, como o Brasil.
“O retorno de parte do mercado russo é um sinal positivo, principalmente em um momento de aumento da oferta interna e busca por novos mercados”, explica uma fonte do governo brasileiro envolvida nas negociações.
Impactos e perspectivas
Com a Arábia Saudita apertando o cerco e a Rússia abrindo caminho, o Brasil precisa reequilibrar sua estratégia de exportações de carne de frango. A diversificação de mercados continua sendo uma prioridade para evitar dependência excessiva de poucos parceiros comerciais.
A ABPA, junto ao governo federal, já articula novas missões comerciais para explorar mercados como Indonésia, México e países da África, que têm demonstrado interesse crescente pelos produtos avícolas brasileiros.
No curto prazo, o setor deve monitorar os desdobramentos das decisões sauditas e os impactos efetivos da retomada dos embarques para a Rússia. A expectativa é que, com boa articulação diplomática e atendimento às exigências sanitárias internacionais, o Brasil possa manter sua posição de maior exportador mundial de carne de frango.
Países/blocos com restrições à carne de frango do Brasil.

Restrição a carne de aves de todo o Brasil:
- África do Sul
- Argentina
- Bolívia
- Canadá
- Chile
- China
- Coreia do Sul
- Filipinas
- Iraque
- Jordânia
- Malásia
- Marrocos
- México
- Paquistão
- Peru
- República Dominicana
- Sri Lanka
- Timor-Leste
- União Europeia
- Uruguai
Restrição a carne de aves do Rio Grande do Sul:
- Bahrein
- Bósnia e Herzegovina
- Cazaquistão
- Cuba
- Macedônia
- Montenegro
- Reino Unido
- Tajiquistão
- Ucrânia
- União Eurasiática (Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão, exceto Cazaquistão)
- Arábia Saudita
Restrição local (Montenegro-RS, que não tem exportadores):
- Emirados Árabes Unidos
- Japão