O 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizado em São Paulo no dia 10 de outubro, trouxe à tona questões cruciais sobre o futuro do setor agrícola no Brasil. Com a participação de líderes e especialistas, o evento destacou a importância geopolítica do agronegócio em um cenário global em transformação.
Desafios e Oportunidades no Agronegócio
A discussão sobre o papel do Brasil no agronegócio global foi liderada por Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos. Ele enfatizou que o Brasil ocupa uma posição estratégica no fornecimento de alimentos, especialmente para países como a China. A necessidade de planejamento a longo prazo foi um ponto central da fala de Parola, que alertou para a importância de uma visão estratégica em tempos de crescente rivalidade geopolítica.
Impactos da Geopolítica no Comércio Agrícola
Fábio Moitinho/Forbes
O ambiente internacional atual não é mais previsível, com a política influenciando diretamente o comércio. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a fragmentação geoeconômica está elevando custos logísticos e alterando cadeias produtivas. Isso acentua a importância dos alimentos, energia e minerais como ativos estratégicos.
Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), as exportações do agronegócio global vão alcançar US$ 1,5 trilhão até 2024. O Brasil, com US$ 144,4 bilhões em exportações, se destaca como o segundo maior exportador de produtos agropecuários, apenas atrás dos Estados Unidos.
O Novo Cenário Internacional
A geopolítica contemporânea trouxe uma mudança significativa na dinâmica econômica. Braz Baracuhy, embaixador do Brasil na Finlândia, destacou que a economia agora é uma ferramenta de poder, onde barreiras comerciais e sanções econômicas se tornaram comuns. A rivalidade entre Estados Unidos e China é apontada como um fator central que molda esse novo cenário.
Parola complementou essa visão ao afirmar que o controle sobre tecnologias avançadas, como a inteligência artificial, se tornou essencial para a segurança de uma nação. O agronegócio, nesse contexto, surge como um componente vital na estratégia internacional do Brasil.
Transformação do Agronegócio Brasileiro
As análises dos especialistas convergem na necessidade de uma nova agenda para o agronegócio. Ingo Plöger, presidente da Abag, argumentou que o Brasil deve buscar uma estratégia que una agronegócio, indústria e serviços. A proposta é criar uma “agenda de Estado” que fortaleça a posição do Brasil no comércio internacional.
A biocompetitividade, que integra produção de alimentos, bioenergia e inovação, foi citada como um caminho promissor. O agronegócio brasileiro deve ser visto como uma cadeia integrada, essencial para o desenvolvimento econômico do país, representando cerca de 20% do PIB e quase metade das exportações.
Um Futuro Promissor
Os debates no CBA refletem a convicção de que a reorganização da economia mundial é uma realidade permanente, não um fenômeno passageiro. Para Plöger, o Brasil está em uma posição privilegiada para aproveitar essa nova configuração, combinando a produção de alimentos com a geração de biocombustíveis.
A capacidade do Brasil de fornecer alimentos e produtos energéticos de forma competitiva o coloca em uma posição de destaque no mercado global. A discussão no congresso enfatiza a urgência de um planejamento estratégico que transcenda as mudanças políticas e assegure a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.