30/04/2026

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Alta do diesel freia o agro e muda planos para a próxima safra

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A alta do diesel já impacta diretamente o campo em Mato Grosso e começa a mudar os planos para a próxima safra. Produtores relatam aumento nos custos, queda na rentabilidade e decisões mais conservadoras diante de um cenário de incerteza.

Com despesas mais altas e margens apertadas, a estratégia passa a ser reduzir custos, otimizar o uso de insumos e evitar novos investimentos. O alerta já está aceso no campo, onde o planejamento da próxima safra começa ainda durante a colheita da atual.

Na região de Vera, o agricultor Thiago Strapasson cultivou, junto com a família, 1.440 hectares de soja e milho. Apesar de parte da área ter apresentado bom desempenho, o resultado final ficou abaixo do esperado. “Contava certo de produzir uma safra semelhante ou melhor, e acabou produzindo menos. É uma frustração grande. A média final deu nove sacas a menos por hectare do que nos outros anos”, relata ao Patrulheiro Agro.

Ele explica que cerca de dois terços da área tiveram boa produtividade, mas um terço enfrentou problemas com doenças, anomalias e excesso de chuva. “Os últimos milhos estão necessitando de chuvas. Como está chovendo bem, não tem problema, mas os primeiros já começam a assustar porque daqui 30 dias começa a colheita e está chovendo bastante para eles, aí acabam adoecendo e dando avariado”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Custos mais altos no campo

Além das perdas, o aumento no preço do diesel tem pesado no custo da produção. Segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o combustível no estado subiu quase 30% após o início das tensões internacionais, passando de pouco mais de R$ 5,80 para cerca de R$ 7,50 por litro.

O impacto é direto nas operações. “Vendo na bomba de combustível no posto, automaticamente nós podemos alimentar a ideia que vamos pagar R$ 1,50, R$ 1,70 o litro a mais que o ano passado”, afirma Strapasson.

O produtor detalha que apenas na colheita do milho são consumidos entre 40 mil e 45 mil litros de diesel. Diante disso, decisões já foram tomadas. “Tínhamos planos de após a colheita do milho entrar com correção de solo em uma área, escarificação, já tiramos o pé… porque a demanda de óleo diesel é grande para um trabalho desse, e pelo preço que está não está compensando”.

Perdas e revisão de investimentos

Em Boa Esperança do Norte, o agricultor Arnaldo Alfredo Hartmann também enfrentou uma safra difícil. Ele cultivou 2,4 mil hectares de soja e, após a colheita, ocupou toda a área com milho. Ainda assim, as perdas foram significativas.

“Há muita perda, perda por umidade, perda por avariado”, relata ao Canal Rural Mato Grosso. Conforme ele, os prejuízos ficaram entre 25% e 30%. “O investimento foi altíssimo para produzir 80 sacas, 83 que a gente colheu nos outros anos nos mesmos talhões”.

Para Hartmann, o excesso de chuva ao longo da colheita agravou o cenário. “Do meio da colheita para frente… muita chuva, um ano muito difícil”.

Diante desse contexto, produtores já começam a rever estratégias. A orientação no campo é clara: reduzir custos, aproveitar melhor os insumos e evitar novos gastos que possam comprometer a próxima safra.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Próxima safra sob pressão

A tendência é de aumento nos custos de produção. De acordo com o Imea, a próxima safra em Mato Grosso deve ter elevação de cerca de 15%, puxada principalmente pelos preços de insumos, como fertilizantes.

O diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso), Diego Bertuol, avalia que o momento exige cautela. “É uma safra que vai ter em torno de 15% de aumento de custo e nós vendo a rentabilidade ser menor devido o preço, então é um ano do produtor repensar, ver onde ele consegue tirar um pouco e passar por essa turbulência”.

Bertuol destaca que o cenário ainda é incerto, inclusive para o planejamento da comercialização e aquisição de insumos. “Estamos esperando um posicionamento do Plano Safra que primeiramente venha negociar o passivo que o produtor tem… porque não adianta nós termos um Plano Safra pensando daqui para frente sem olhar o filme para atrás”.

O presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, reforça que há pouca margem para economia em etapas essenciais. “A nossa colheita agora encareceu, não tem o que você economizar, a sua máquina vai gastar do mesmo jeito. Vai ter que colher o seu produto no campo”.

Segundo ele, o impacto também chega ao transporte. “O frete também agora vai encarecer… para a próxima safra aquela descompactação do solo a gente não vai fazer… o produtor vai procurar meios de se precaver e não gastar o diesel”.

Já o presidente da Sicredi Celeiro MT/RR, Laércio Pedro Lenz, avalia que o momento exige apoio para manter a atividade. “É o momento de o governo entrar aí com o recurso controlado, com um subsídio… para poder viabilizar a economia agrícola”.

Lenz alerta para o efeito em cadeia. “O agro ajoelhou realmente e não está encontrando fórmulas de levantar… quando o agro vai mal no Brasil, o Brasil todo vai mal”.

Com custos em alta, perdas no campo e incertezas no horizonte, o produtor entra em um novo ciclo mais cauteloso, focado em manter a atividade e atravessar um cenário considerado desafiador para a próxima safra.

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