13/04/2026

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Agronegócio Influencia e Banco do Brasil Vê Lucro Despencar 60%

Paulo Whitaker

O Banco do Brasil é o mais exposto ao setor agropecuário devido ao seu papel no Plano Safra

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Por mais que diversos bancos de investimentos já tivessem revisado para baixo as suas expectativas com relação aos números a serem apresentados pelo Banco do Brasil (BBAS3) na noite de ontem (14), os resultados vieram pior do que a expectativa. O lucro líquido ajustado caiu 60% ante o mesmo período do ano passado, indo a R$ 3,784 bilhões, e o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) despencou para 8,4%, de 16,7% dos primeiros três meses do ano — muito abaixo dos 23,3% do Itaú Unibanco ou os 14,6% do Bradesco. 

O grande problema do trimestre já vinha sendo antecipado nos balanços anteriores — o crescimento exponencial da inadimplência do agronegócio. Enquanto o índice consolidado de atraso até 90 dias fica em 4,21%, a carteira agro totaliza R$ 12,73 bilhões em (3,49% da carteira de 405 bilhões). 

O agronegócio pressionou — principalmente por conta do tamanho da carteira do BB no segmento —, mas não foi o único a deteriorar os números apresentados. Na pessoa física, o percentual de inadimplência subiu de 5,10% para 5,59% entre março e junho deste ano, enquanto na pessoa jurídica foi de 4,06% para 4,18%.

Na teleconferência de apresentação dos resultados, a CEO do banco, Tarciana Medeiros, não aliviou o discurso diante dos problemas enfrentados no segmento de agronegócio — o qual o BB tem uma fatia de cerca de 50% do mercado — e no de pequenas e médias empresas. 

Segundo a executiva, os próximos resultados ainda devem vir pressionados devido ao perfil do ciclo do agronegócio, que dura cerca de 36 meses e que possui vencimentos de pagamentos entre junho e setembro — no fim do período da safra anterior.

A instituição também culpa a entrada em vigor de novas regras contábeis no início deste ano para o cálculo de provisões. Segundo os executivos, a reserva “obrigatória” está acima do necessário (e esperado) para suprir o nível de inadimplência e se trata de um ajuste do banco às novas medidas regulatórias. 

Os papéis da companhia, no entanto, operam entre leves perdas e ganhos. Nos últimos meses, os ativos se mantiveram pressionados devido à deterioração da carteira de crédito e da suspensão do guidance, acumulando perdas superiores a 30%. 

Banco do Brasil e os problemas do agro

O custo de crédito do banco — formado pelas despesas de perda esperada somada aos descontos concedidos e deduzidas das receitas com recuperação de crédito — foi de R$ 15,9 bilhões, ante os R$10,15 bilhões nos primeiros três meses do ano e R$7,8 bilhões do mesmo período de 2024. No ano, o custo deve ficar entre R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões

A carteira de agronegócio é a principal responsável pelo número. “Apesar do cenário positivo para a safra no Brasil em 2025, com uma colheita recorde, e do elevado percentual de garantias nessa carteira, há um estoque de operações que não foram pagos na safra 2024/2025, inclusive, por conta das recuperações judiciais no setor – que exigem maior provisionamento sob a nova regulação”, afirmou o BB no material de divulgação do balanço.

Hoje, 52% da carteira em atraso está concentrada no Centro-Oeste e no Sul, regiões que sofreram com quebras de safra nos últimos anos devido a eventos climáticos.

Os executivos, no entanto, se mostraram otimistas com as novas estratégias de renogociação — e que envolvem protestos e judicializações — como forma de aumentar o fluxo de regularização dos débitos em aberto. O BB também espera que, junto com a Febraban, conversas avancem sobre como as novas regras fiscais podem ser adaptadas ao longo ciclo de financiamento do agronegócio. 

Apesar da expectativa de que o terceiro trimestre de 2025 mantenha um alto nível de inadimplência e provisionamento, ele também marca uma nova rodada de empréstimos para produtores rurais dentro do Plano Safra. No entanto, os produtores precisam estar adimplentes para se qualificarem. Com isso, os executivos esperam que mais contratos sejam quitados 

Projeções revisadas

Com os números dos dois primeiros trimestres, o BB apresentou as suas novas projeções para o ano — que estavam em revisão. “O ano de 2025 é de ajuste para aceleração do crescimento”, afirmou a presidente. 

Em maio, a instituição projetava entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões. Agora, a estimativa é de algo entre R$ 21 bi e R$ 25 bilhões. O percentual do lucro que deve ser distribuído aos acionistas da faixa entre 40% e 45% para 30% — pouco acima dos dividendos mínimos de 25%. 

Na conferência, Tarciana afirmou que sabe que os números estão aquém do que o mercado esperava e que a própria companhia tem capacidade de entregar, mas que é um “resultado responsável” para que a empresa retome aos patamares de lucratividade vistos em 2024. Os números projetados para os ganhos com receita de prestação de serviços foram mantidos, mostrando confiança nas estratégias da companhia de manter um balanço e operação saudáveis. 

Outros números 

A margem financeira bruta do BB foi de R$ 25,06 bilhões, declínio de 1,9% ano a ano, mas alta de 4,9% na comparação trimestral. O banco citou o crescimento das receitas financeiras como compensação para as despesas.  

Ao final do segundo trimestre, o BB tinha índice de Capital Nível I de 13,27%, índice de Capital Principal de 10,97% e índice de Basileia de 14,14%.

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