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O agronegócio brasileiro chega à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém com um propósito: comprovar sua capacidade de produzir enquanto preserva, demonstrando que a agropecuária tropical é parte da solução climática global, além de alicerce da estabilidade política, econômica e social. O Brasil busca capitanear a elaboração das regras da transição climática global.
O relatório “Agricultura Tropical Sustentável” iniciativa do Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical, que foi entregue pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, enviado especial do setor à COP30, ao presidente da COP, o embaixador André Corrêa do Lago, defende a agricultura tropical como o principal eixo das soluções globais para segurança alimentar, climática e energética.
Você pode estar se perguntando por que o Brasil defende esta proposta? O motivo é claro: 40% das terras aráveis, 52% dos recursos hídricos do planeta e uma das maiores diversidades biológicas do mundo estão no cinturão tropical.
Segundo o relatório, “nas últimas três décadas, a produção de grãos no Brasil cresceu 494,8%, enquanto a área cultivada aumentou 115,8%. Nos últimos 50 anos a produtividade aumentou 229%, estima-se que os ganhos de produtividade tenham poupado 144 milhões de hectares. O setor responde por 23,2% do PIB brasileiro, 49% das exportações e 26% dos empregos formais.
Ainda segundo o relatório, “na pecuária, mesmo com a área de pastagens mantendo-se relativamente estável entre 160 e 190 milhões de hectares, a produção de carne bovina aumentou mais de 240%.
O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, açúcar, café, suco de laranja e fibras vegetais, além de estar entre os maiores produtores de carnes, milho e celulose. Produção e preservação não são antagônicas 66,3% do território brasileiro permanece coberto por vegetação nativa e 33,2% dessa área protegida está dentro de propriedades rurais, de acordo com dados da EMBRAPA, fornecidos no estudo.
Segundo a FGV Tecnologias como o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e a fixação biológica de nitrogênio tornaram o país referência mundial em agricultura de baixo carbono. A bioenergia vinculada ao agronegócio representa 30% da matriz energética brasileira, contribuindo para que 49% da energia nacional seja renovável, contra média global de 15%.
O próximo passo é consolidar uma agricultura regenerativa, que una produtividade, inclusão e conservação. O Plano ABC+ prevê práticas sustentáveis em 72 milhões de hectares até 2030, entretanto o desafio é o financiamento. A transição verde requer crédito acessível, seguros climáticos, pagamento por serviços ambientais e instrumentos de mercado que valorizem a conservação. Como defende a FGV Bioeconomia, o financiamento climático deve se converter em investimento produtivo, com métricas adaptadas à realidade tropical e benefícios tangíveis para produtores, comunidades e ecossistemas.
O cooperativismo brasileiro se apresenta como uma solução, o país tem mais 4.500 cooperativas e 23,5 milhões de cooperados. Ele traduz em escala o conceito de “transição justa” As cooperativas rurais combinam capilaridade, governança e inovação, tornando-se veículos de inclusão e de ação climática integrada.
Esses resultados vieram lastreados em investimento em pesquisa das instituições e trabalho dos produtores rurais brasileiros; agora o desafio é reconhecer, valorizar e escalar o modelo sustentável que o Brasil consolidou para todo o cinturão tropical. Quem definir as metodologias de baixo carbono definirá também o acesso a investimentos, certificações e comércio internacional nas próximas décadas.
A agenda brasileira apresentada para a COP30 se organiza em oito eixos propositivos, que combinam diplomacia, ciência e inclusão produtiva. A agenda brasileira na COP30 se organiza em oito eixos. O primeiro é o reposicionamento político-diplomático da agricultura tropical como estratégica para segurança alimentar e climática.
O segundo trata de adaptação e resiliência, promovendo modelos baseados em regeneração e integração entre ciência, saber local e políticas públicas. O terceiro reforça o papel da ciência e da inovação, ampliando o desenvolvimento de bioinsumos, genética adaptada e agricultura digital.
O quarto eixo aborda compromissos financeiros, alavancando instrumentos como PSA, REDD+ e precificação de carbono, alinhados ao Plano ABC+. O quinto propõe reformular o crédito rural para premiar boas práticas e incluir pequenos produtores. O sexto integra as agendas alimentar e energética, destacando que o Brasil já demonstra ser possível produzir alimentos e gerar energia limpa ao mesmo tempo. O sétimo defende a coexistência de diferentes modelos produtivos, valorizando a diversidade de escalas e cadeias. O oitavo prioriza a bio-revolução, expandindo o uso de soluções biológicas para reduzir emissões e custos.
A agricultura tropical é parte central da solução global. O Brasil chega à COP30 para compartilhar um modelo sustentável, científico, capaz de alimentar o mundo, gerar energia limpa enquanto preserva. Como destaca a FGV Bioeconomia, a transição climática não será viável sem o sucesso da agricultura tropical. E o Brasil tem condições de liderar esse movimento.
* Helen Jacintho é engenheira de alimentos e produtora rural com mais de 20 anos de atuação no agronegócio na Fazenda Continental e Regalito. Diretora de Melhoria Contínua, ela é responsável por implementar a filosofia Lean de gestão no campo. Estudou Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado, é juíza de morfologia pela ABCZ e estudou marketing e carreira no agronegócio. Fundadora do grupo Forbes Mulher Agro e conselheira do COSAG/FIESP, integra a lista Women to Watch 2025.”
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