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A OpenAI, criadora do popular ChatGPT, está avaliando a possibilidade de integrar anúncios em sua plataforma, um movimento que pode transformar o ecossistema da publicidade digital. A notícia ganha ainda mais relevância quando analisada no contexto de um mercado que, segundo a pesquisa da Emarketer, projeta um crescimento exponencial do investimento em anúncios em assistentes de IA, saltando de US$ 1 bilhão em 2025 para US$ 25,9 bilhões em 2029.
De acordo com Lucas Reis, Vice-Presidente de Operações do IAB Brasil e fundador da Trezion AI, esse crescimento acelerado é motivado pela adequação da publicidade na jornada de compra dos consumidores. “O crescimento do uso de assistentes baseados em IA Generativa, como ChatGPT, Perplexity ou Bing, como substitutos para buscadores tradicionais, impacta diretamente no momento de decisão dos consumidores”, explica o especialista. Ele aponta que 38% dos adultos norte-americanos já recorrem a resumos gerados por IA para mais da metade de suas pesquisas, e, no varejo, 41% dos consumidores demonstram interesse em usar assistentes para decidir sobre compras.
Atualmente, 47% dos americanos já solicitam recomendações a sistemas de IA, o que torna a decisão de compra cada vez mais guiada por um algoritmo que oferece um conjunto de opções já priorizadas. Para se adaptar, as marcas precisam focar na GEO (Generative Engine Optimization), uma nova abordagem que visa otimizar o conteúdo para ser sintetizado e recomendado por modelos de linguagem, em vez de apenas aparecer no topo de uma página de busca.
O fato de a OpenAI, um dos líderes do setor, considerar a publicidade em seu chatbot valida a força dessa tendência. Um diretor da empresa confirmou que a companhia está explorando a ideia, buscando novas fontes de receita para cobrir os altos custos de desenvolvimento da tecnologia. O desafio, no entanto, será equilibrar a monetização sem comprometer a experiência de usuário que tornou o ChatGPT tão popular.
Para Lucas Reis, “estamos apenas no início desse ciclo, que será o mais acelerado da história da publicidade digital”. Ele conclui que, na nova lógica de busca, “ser recomendado pelo assistente de IA é mais valioso do que aparecer no topo da página”, um novo paradigma que exigirá das marcas um repensar estratégico de sua presença digital.