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Com o avanço da inteligência artificial generativa, o tráfego orgânico vindo de buscas do Google caiu de forma dramática nos últimos meses. Nos Estados Unidos, sites como Huffington Post e Washington Post já registraram uma queda de mais de 50% em volume, de acordo com a Similarweb, algumas plataformas já estimam 80%. E essa mudança de contexto não impacta apenas o jornalismo, as marcas também precisam encontrar outras alternativas. A chamada migração do SEO (Search Engine Optimization) para o GEO (Generative Engine Optimization) representa uma nova fase do marketing digital onde não basta ser encontrado, é preciso ter relevância e autoridade, como explica Camila Miranda, Head de Marketing Latam da Adobe.
A empresa lançou, nesta semana, o Adobe LLM Optimizer, plataforma que pretende ajudar as marcas a construírem autoridade neste novo contexto. “O GEO exige que as marcas sejam referidas, não apenas encontradas. E nós queremos que agentes de IA vejam nossos clientes como autoridade em seus nichos, e não como anúncio”, explica Camila. A plataforma ainda realiza a mensuração do investimento em conteúdo de IA e muda o foco, até então, em performance para construção de autoridade e relevância. “Perder a voz da marca é o maior risco da IA generativa, se o algoritmo assume o controle da narrativa, a marca corre o risco de virar mais do mesmo”.
Forbes Brasil – A transição do SEO para o GEO representa uma mudança fundamental no marketing. Qual o desafio em reposicionar as marcas neste ambiente dominado pela IA, garantindo que elas mantenham relevância e sejam citadas pelos grandes assistentes de busca?
Camila Miranda – O GEO exige que as marcas sejam referidas, não apenas encontradas. E nós queremos que agentes de IA vejam nossos clientes como autoridade em seus nichos, e não como anúncio. A prioridade, neste contexto, é garantir que nossos clientes tenham domínio e conhecimento das soluções para se tornarem essa referência diante dos agentes de IA. Acredito que a transição de SEO para GEO deixa claro que não basta mais aparecer bem nos rankings. É necessário contexto, autoridade e, principalmente, relevância.
FB – Como o Adobe LLM Optimizer ajuda uma liderança de negócios a mensurar e garantir o retorno sobre o investimento (ROI) em conteúdo otimizado para a IA?
Camila – Ele não é só sobre performance técnica. O objetivo é impacto real no negócio dos nossos clientes, e essa é a diferença que importa para um CEO ou CMO. Eu não posiciono essa solução como mais uma tecnologia isolada, mas sim como um aliado estratégico. Gosto de usar analogias e, trazendo o universo do esporte, diria que o LLM Optimizer joga em outra liga ao transformar IA em ROI real. Enquanto muitas soluções tradicionais ainda estão presas à lógica de otimizar palavras-chave para mecanismos de busca, a nossa atua em outra dimensão fazendo com que o conteúdo das marcas seja reconhecido pelos agentes de IA como confiável, relevante e coerente com a identidade da empresa.
FB – Com a IA resumindo e citando informações, existe o risco de a voz e a autenticidade de uma marca serem perdidas, como lidar com esse desafio?
Camila – Perder a voz da marca é o maior risco da IA generativa, se o algoritmo assume o controle da narrativa, a marca corre o risco de virar “mais do mesmo”. O Adobe LLM Optimizer foi criado justamente para evitar isso, garantindo que autenticidade e diferenciação estejam sempre no centro. O Projeto Fizzion com a Coca-Cola mostra isso na prática: estamos falando de uma das marcas mais icônicas do mundo, que usou IA para proteger sua identidade criativa em mais de 200 marcas e em mais de 200 países. Criamos um sistema em que a IA aprende o estilo da marca e aplica automaticamente nas variações de campanha, mantendo consistência global sem abrir mão da liberdade criativa local. O que considero essencial é equilíbrio: tecnologia que escala, mas que preserva a essência da marca. A IA sugere, mas a marca assina. E é isso que garante que a identidade continue viva, autêntica e estratégica.
FB – Será uma ferramenta de ponta para empresas já avançadas em IA, ou a Adobe planeja estratégias para democratizar essa tecnologia, tornando-a acessível para um espectro mais amplo de marcas?
Camila – O problema das empresas é o mesmo: criar campanhas relevantes e personalizadas em escala. O que muda é o como. Hoje a IA abre esse caminho, amanhã pode ser outra tecnologia. O nosso compromisso é garantir que, independentemente da ferramenta, esse investimento se traduza em impacto real de negócio. É por isso que acredito que a IA não pode ser privilégio de poucos. O valor real está em democratizar o acesso para que empresas de todos os tamanhos possam competir em relevância e autoridade no novo ambiente digital. Para empresas já avançadas em IA, o LLM Optimizer funciona como um acelerador estratégico. Para quem está nos primeiros passos, é um caminho acessível para entrar nesse jogo e competir em ambientes de busca generativa. O diferencial está em transformar criação em performance e entregar resultados tangíveis.